' LITURGIA NO B. D. S. M. - DIÁRIO DE UM DOMINADOR - GLADIUS | BDSM, Fetiches e Relacionamentos

LITURGIA NO B. D. S. M.


Publicado em 23/04/2008

NOTA DO AUTOR
A tema Liturgia sempre foi presente nos debates que fazíamos nas reuniões que fazíamos na época e ao longo desse tempo ainda é.
Escrevi este texto (como a maioria deles) por sentir falta de uma consolidação de todas as informações que recebia de todos os lados.
Nunca foi um hábito compras os pacotes completos de informação que chegam a mim, sendo de fato um crítico persistente, inclusive de mim mesmo.
Então seguindo nesta linha de pensamento crítico, aqui (como em todos os demais textos) busquei descrever não só as conclusões, mas também a toda a linha de raciocínio que me levou a elas.

Liturgia é uma palavra muito falada dentro do BDSM e creio que as vezes ela possa ser usada forma indevida.

Habitualmente o seu uso se dá na forma do termo “BDSM Litúrgico” para descrever um tipo de BDSM melhor ou no mínimo mais sério.

Outra é a divulgação da “Liturgia BDSM” como um jeito certo e definitivo de se vier uma relação fundamentada nos jogos de poder. 

Vamos começar pelo dicionário para ter uma baliza na origem da palavra para depois avançar na direção do seu verdadeiro significado dentro do BDSM

Do Oxford via Google:
substantivo feminino 
1. o conjunto dos elementos e práticas do culto religioso (missa, orações, cerimônias, sacramentos, objetos de culto etc.) instituídos por uma Igreja ou seita religiosa.
2. conjunto das formas (palavras, gestos) utilizadas na realização de cada um dos ofícios e sacramentos; rito.
3. na Igreja oriental, a missa.
4. ramo das ciências eclesiásticas cujo objeto é a história do culto católico e seu direito canônico.

Liturgia vem do grego “leitourgos”, que descrevia pessoa do serviço público ou que conduzia cerimônia sagrada.

Sua origem enfatizada no dicionário passa a ser vinculada ao uso religioso a partir do seu uso em torno do século XVI para descrever ordem e conteúdo dos ritos e cerimônias.

Por extensão a palavra atualmente sendo emprestada para descrever rotinas, protocolos, ritos e cerimoniais de outras áreas, como empresas, entidades e como tratado neste texto, BDSM.

Algo absolutamente claro e cristalino é que o BDSM tem também em sua constituição rituais e cerimonias, dado que dentro de contextos as vezes elaborados de forma sofisticada, se formam condições em que as partes venham a extrair a hierarquia de que se alimentam.

Mas daí para se afirmar que existe uma liturgia BDSM existe uma enorme distância. Distância essa que existe na sutil diferença entre liturgia BDSM e BDSM com liturgia, onde uma simples mudança na ordem das palavras define exatamente a realidade.

Da forma como vejo, o BDSM é um termo que rotula e define toda a região da sexualidade humana fundamentada de jogos de poder, balizada pelo instituto do S.S.C. (Segurança, Sanidade e Consensualidade) que define de forma clara o limite do que pode e o que não pode dentro dessa região.

Então, este sendo um nível básico, tudo o que ocorre além disso, ou seja, em um nível mais avançado de descreve no “como” esses jogos de poder são vividos, coisas que são de âmbito absolutamente pessoal, ou seja, pura questão de gosto.

E se é questão de gosto em que, desde que seguidos os parâmetros citados anteriormente, cada um vive como quiser. E é neste exato ponto que o termo “uma liturgia BDSM” colapsa.

Agora vamos fazer as conexões lógicas. 

Dado que quando fazemos alguma coisa, esta coisa segue uma ordem predefinida ou uma série de regras próprias e já que cada pode viver do seu jeito e este “jeito” é constituído de ritos e protocolos próprios é lógico que, é possível afirmar que, independentemente da complexidade desses ritos e protocolos, cada um tenha a sua própria liturgia BDSM.

Também é lógico que esta liturgia, sendo funcional e consistente, pode ser seguida por outras pessoas e até por grupos que se identifiquem com este formato.

Levando em consideração de que até a simples decisão pelo não uso de regras é protocolos termina sendo uma regra ou protocolo, o termo BDSM Litúrgico pode sim definir o BDSM como um todo, pois até a leitura de que se o BDSM de alguém mais ou menos litúrgico que o de outro termina sendo impossível, dado que além dessa definição ser recheada de fatores subjetivos.

O nível de BDSM que alguém vive de fato é impossível de ser medido, pois ainda não se formou uma unanimidade em termos de condições e metas para se medir isso, não havendo nada além dos achismos de cada um para tentar explicar algo relativo.

Isto tudo posto, chego a concussão de que o termo “BDSM Litúrgico” se mostra redundante e posso consolidar a definição de Liturgia BDSM como o conjunto dos rituais, posturas, elementos, práticas, palavras, gestos e atitudes, em sequência organizada, que descrevem de forma clara um estilo pessoal, fazendo assim com que seja seguido de maneira clara por outras pessoas que queiram seguir essa determinada linha, conjunto este que pode ocorrer apenas dentro do âmbito do S.S.C. (Sanidade, Segurança e Consensualidade).

Enfim vejo que a maneira correta de se colocar a palavra liturgia junto com a sigla BDSM é no plural, pois o que existe mesmo são Liturgias BDSM para define o comportamento individual ou de grupos dentro do Universo dos Jogos de poder.


GLADIUS MAXIMUS
LITURGIA NO B. D. S. M. LITURGIA NO B. D. S. M. Reviewed by Gladius on abril 25, 2021 Rating: 5

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