Empréstimo no BDSM

NOTA >>> A questão do empréstimo foi um o primeiro tema polêmico que abordei, o primeiro de muitos. Ao longo do tempo a minha opinião não variou muito, sendo que o que valia para empréstimo antes ainda é válido hoje em dia.

Uma das coisas que se ouvia na época era entre os mais antigos era a máxima de que “Só se pode emprestar algo que realmente lhe pertença”, ou seja, o ato do empréstimo era uma demonstração de posse completa da parte que Domina em relação a que se submete, mas o que viabiliza mesmo esse tipo de prática é o fundamento da consensualidade, parte do S.S.C. (São, Seguro e Consensual), que diz que pode tudo o que for acordado (e que for dentro da lei) entre as partes.

Essa questão da consensualidade também evoluiu. Antes eu defendia que as fronteiras do Consensual não eram claras, na medida que havia limites rígidos e outros nem tanto, pois os alguns eram colocados apenas por pura suposição e outros desconhecidos que terminavam se materializando na medida que eram atingidos.

Como esta área ainda não estava devidamente “pensada” por mim, acabei criando o neologismo “bonsensualidade” para definir a necessidade do “bom senso” quando se caminhava pelos limites pré-acordados. 

Hoje vejo as coisas de forma mais simples, colocando o consensual como fundamento absoluto e fazendo com que o bom senso seja parte integrante e fundamental de todos os processos dentro (e fora) do BDSM.


Faz parte do bom senso o hábito de se delimitar os parâmetros em que se vai discutir um assunto e para não se correr o risco de se “viajar” nas possibilidades de um tema tão absurdamente extenso quanto empréstimo.

Então, vou me concentrar na minha opinião sobre o assunto e falar do que existe de real nisso.

Fatos:

Existe uma fronteira que deve ser bem definida entre o mundo baunilha e o BDSM e o que acontece em um deles não deve interferir de forma alguma no outro.

A pessoa que se sentir rotulada ou que rotular alguém por ter prazer e/ou concordar com a prática do empréstimo deve reavaliar seus fundamentos e pensar bem se está pronto para cruzar a fronteira do mundo baunilha para o BDSM.

É perfeitamente normal dentro do BDSM a atividade do empréstimo, pois dentro deste Universo, a pessoa enquanto submissa ou escrava é posse e uma posse pode ser emprestada, alugada ou vendida.

É óbvio que estou falando de atividades absolutamente consensuais. No caso do empréstimo, pode ser por simples gentileza ou por uma troca de gentilezas. Pode ser apenas para um dominante demonstrar o quanto sua parceira submissa é bem treinada e doutrinada. No caso do aluguel pode ser por um valor simbólico (poucos não vão entender isso como prostituição). Na venda, obviamente simbólica, se encontra uma forma para uma relação BDSM ser encerrada em grande estilo, com a parte que se submete passando das mãos de quem a guiava para mãos que ela queira como guia.

E o que é empréstimo? Muitos se enganam em achar que emprestar algo é apenas o ato de se entregar essa pessoa a outra para qualquer atividade e ter esta devolvida em bom estado, lavada, encerada e de tanque cheio.

É empréstimo a parte que domina ceder a parte que se submete para que um outro dominante demonstre alguma técnica para você.

Também é empréstimo, fazer o mesmo para uma cena pública de spanking ou imobilização.

Portanto, muitos que são contra o empréstimo, já tem o hábito de emprestar e nem sabem.

Não tenho nada contra empréstimos de todos os tipos (até mesmo os completos), sendo que as limitações são apenas as das minhas parceiras.

Pessoalmente sou favorável a empréstimos para situações específicas como a assessoria em cenas ou demonstração de técnicas, obviamente de forma consensual. Por outro lado, não teria problema algum em um empréstimo de uso total se fosse uma fantasia de uma posse.

O maior problema de empréstimo para mim é o de encontrar pessoas qualificadas para pilotar minhas “Ferraris”.


GLADIUS MAXIMUS
Empréstimo no BDSM Empréstimo no BDSM  Reviewed by Gladius on março 04, 2008 Rating: 5

7 comentários:

  1. Sempre achei o tema interessante, especialmente porque minha pouquíssima experiência, registrou maior resistência de empréstimo por parte dos Tops que da parte dos bottons.

    Acredito que o Consensual deva prevalescer sempre, e que este não é lá um bicho de tanas cabeças. mas cá entre nós... as opiniões são as mais divergentes...rsrsrs

    Flores de {myrah}_ALDO

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  2. Este foi um dos meus textos que encerrou debates. Fui o último a falar sobre o assunto e depois do que escrevi ninguém mais falou nada. Apenas alguns que manifestaram apoio.

    Vc têm razão, a resistência maior sempre é dos "Tops". O problema é a falta de Dominadores de verdade ocupando essa posição.

    Como é que alguém inseguro quanto a sua posse ou poder pode emprestar algo que não sente que é seu? Alias... como que alguém que não domina de verdade sabe o que é domínio?

    Quanto a tal consensualidade, me lembro quando numa conversa de bar com meu amigo Klaus aqui de Santos, eu citei que era contra isso de consensualidade... calma... eu explico... quando a consensualidade é plena, e não se cruzam limites, não se aprende nada, não se experimenta nada.

    Acho que deve existir confiança total e bom senso da parte de qum conduz a brincadeira. lembro ter dito ao Klaus que o certo deveria ser "bonsensualidade" ao invés de cnsensualidade. (E assim a língua portuguesa ganhou uma nopva palavra).

    Klaus deve ter achado isso interessante, pois foi o tema de sua palestra no último 24/7 no Dominna.

    Olha só o que você fez mirah... me inspirando para escrever sobre outros bons temas:

    - O Domínio verdadeiro
    - "Bonsensualidade" ao invés de consensualidade

    Vou pensar seriamente em escrever sobre eles.

    Obrigado pela sua ativa colaboração e saber que você é um dos meus 3 leitores.

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  3. "quando a consensualidade é plena, e não se cruzam limites, não se aprende nada, não se experimenta nada."

    Concordo com o Senhor.

    Eu tenho dado saltos incríveis para acompanhar a brilhante condução do meu DONO, simplesmente, porqe não me agarro aos meus limites e porque ELE exerce domínio legítimo sobre a peça que possui.

    ELE sabe até onde posso chegar, sem se deixar levar pela "consensualidade previsível", aquela que de tão correta fica morna...

    Confiança total, domínio responsável e entrega "conscientemente incondicional", são palavras de ordem, quer numa questão como empréstimo, ou na quebra de limites.

    Assim eu penso....mas sou só uma iniciante... tenho muito que aprender.

    Respeitos
    {myrah}_ALDO

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  4. "O problema de emprestar para mim é o de encontrar pessoas qualificadas para pilotar minhas Ferraris." Excelente colocação, digamos que sou Baunilha mas admiro muito o Universo BDSM, imagino que leva-se muito tempo para conquistar a confiança de uma sub e treiná-la, ninguém vai querer perder todo o progresso conquistado entregando sua posse pra alguém que não vai saber jogar dentro dos limites dela. Se você entregar sua sub pra alguém e essa pessoa cometer um excesso é em você que ela vai deixar de confiar.
    Bom, pelo menos essa é minha visão e eu não tenho vivencia nesse Universo pra falar com propriedade.
    Me chamou a atenção o que você falou de Venda, sobre ser uma boa forma de encerrar uma relação BDSM, você tem algum post sobre o assunto? Se você vender sua escrava a um Dom a quem ela não queira pertencer, como fica essa situação? Você devolve o valor pago e ela volta a ser sua? Ou o comprador fica no prejuízo? Porque me parece obvio que ela, por mais que seja submissa, continua tendo o direito de escolher quem terá poder sobre si.

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    1. Vale tudo quando todas as partes, sejam lá quantas forem, estejam de acordo.

      Logo, isto termina ampliando as possibilidades até o limite de cada um.

      A "venda" seria apenas apenas pró forma, com tanto valor quanto qualquer dos "contratos" usado para firmar relações BDSM, ou seja, nenhum.

      Lembrando que a consensualidade é parte importante das bases do BDSM, jamais ocorreria de uma "venda" ser feita sem que a parte a ser "vendida", assim o queira e a tal venda seria apenas simbólica.

      O poder sempre emana da parte que se submete para a que Domina e SEMPRE terá direito de escolher quem terá direito sobre si.



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  5. Anônimo25.2.16

    O senhor poderia me explicar mais sobre esses tópicos por favor?
    Ass:Angelica

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    1. Angélica

      Mande um Email com as suas dúvidas colocadas de forma específica para o Email do Blog:

      diariodeumdominador@gmail.com

      Terei o maior prazer em responder.

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