24.3.17

O Mentor e o Protetor no BDSM


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Algumas palavras emprestam o seu significado para atos ou processos específicos no BDSM.

Um exemplo disso é "Mestre", ou seja, aquela “pessoa dotada de excepcional saber, competência, talento em qualquer ciência ou arte... indivíduo que ensina”.

No BDSM, além de ser um título, é utilizado para descrever o papel de um Dominador ou de uma Domme, que ensina e interage de forma prática, sem ter uma relação de posse com a parte que se submete.

Logo, são Mestres de seus parceiros:
  • os que exercem o seu domínio em interações eventuais (com play partners);
  • os que exercem o seu domínio de forma contínua, mas que ainda não consolidaram a relação de propriedade, ou seja, não são Donos;
  • os que interagem de forma profissional (recebendo tributos daquele que se submete).

Da mesma forma que “Mestre”, "Mentor" extrapola o seu significado básico de “pessoa que serve a alguém de guia, de sábio e experiente conselheiro... por extensão, pessoa que inspira, estimula, cria ou orienta (ideias, ações, projetos, realizações etc.)”, descrevendo o indivíduo que ensina sem a existência de hierarquia.

E já que não há uma relação hierárquica, uma submissa poderia ser mentora de um Dominador… foi justamente o que aconteceu comigo, quando passei a frequentar o meio BDSM de São Paulo. Fui recebido por uma amiga submissa, que me informou sobre toda a dinâmica que regia aquele grupo.

Logo, qualquer pessoa pode “mentorar” (termo utilizado no meio) no BDSM, bastando que uma parte tenha interesse em ensinar e a outra, em aprender. E essa relação não precisa ser pública, uma vez que não há qualquer necessidade de revelarmos que alguém, seja quem for, está nos ensinando algo.

Atualmente, vem ocorre um fenômeno interessante no BDSM... a fusão dos termos “Mentor” e “Protetor”, apesar de serem figuras diferentes dentro deste universo.

O “Protetor” está relacionado à figura do “Tutor”, ou seja, aquele que ampara, protege, defende... o guardião. E ao contrário do "Mentor", que participa de uma relação que é de interesse apenas das partes envolvidas, o "Protetor" deve ser divulgado.

De certa forma, é uma palavra um pouco pesada, parece que estamos falando de um guarda-costas... e não é. O sentido é realmente de “padrinho” ou “tutor”, encaixando-se perfeitamente na mensagem que se quer passar: "esta pessoa é iniciante, está chegando agora, não está só, é minha amiga".

Em termos práticos, é uma forma de evitar que idiotas e irresponsáveis aproximem-se de iniciantes, já que estes terão com quem checar se as ideias correspondem aos fatos. É um sinal de alerta para os “sem noção”: “não perca seu tempo com essa pessoa…”.

Como já disse, o Mentor e o Protetor exercem funções diferentes no BDSM, mas estes papéis são fixos?

As relações de “mentorado” ou “protetorado” podem se fundir, migrar de uma para outra e até evoluir para relações de posse. Se fosse diferente, não existiriam casos de professores que se casaram com seus alunos.

No entanto, isso que se vê por aí (fulano mentorado de sicrano), dando a entender que está ensinando e protegendo ao mesmo tempo, me leva a pensar na desnecessidade de dar nome a coisas que já tem nome.

Enfim, quando um professor recebe a tutela de alguém, ele passa a ser um tutor, ainda que continue a ensiná-lo. O mesmo ocorre com o Mentor ao assumir a função de proteger… ele torna-se um Protetor.


GLADIUS MAXIMUS

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18.1.17

Programa "Papo com Gladius": bdsm, relacionamentos e sexualidade


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Depois da reorganização do blog no final do ano passado, a primeira novidade de 2017 é a estreia do meu programa "Papo com Gladius" na web rádio "Agita Planeta"

Será um bate-papo semanal sobre relacionamentos, sexualidade e estilo de vida BDSM. O piloto vai ao ar nesta quarta-feira às 20 h (com uma hora de duração).

Quer enviar perguntas? Utilize o messenger da fanpage Gladius Maximus - Diário de um Dominador, o e-mail diariodeumdominador@gmail.com ou o WhatsApp da rádio (durante o programa): (15) 99730-3292. 

A rádio é acessada através do site www.agitaplaneta.com.

Participe! 
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12.1.17

O que é esse tal de BDSM falado em 50 Tons?


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De tempos em tempos, a literatura e o cinema trazem à tona o universo BDSM e o mundo dos fetiches. Por serem temas ligados ao prazer e à sexualidade, é inevitável que muitos se sintam de alguma forma atraídos pelo diferente ou... “algo a mais”. 

Os lampejos desse “mundo novo” podem ocorrer:
  • em cenas simples de fetiche: Último Tango em Paris, Império dos Sentidos, 120 dias de Sodoma e Crash - Estranhos Prazeres; 
  • em cenas com práticas isoladas:  A Bela da Tarde e Ninfomaníaca;
  • em cenas com referências pontuais: as aparições do Bar The Blue Oyster (subcultura rubber gay) nos filmes da série Loucademia de Polícia
  • na ambientação de uma obra: 9 semanas e meia de amor, A Secretária ou 50 tons de Cinza
  • em histórias que retratam relacionamentos BDSM: História de Ó e a série de livros Amos e Masmorras.
Em muitos casos, as pessoas afetadas por tais lampejos são aquelas que já estão (usando um termo bem popular) “de saco cheio”... de suas relações, do sexo baunilha ou mesmo, da sua vida como um todo. 

Ou seja, são como aquelas crianças brincando na parte mais básica do parquinho, enquanto sonham com as emoções dos brinquedos mais radicais.


DO CARROSSEL PARA A MONTANHA RUSSA


Esta é uma boa metáfora e não se limita à questões sexuais e afetivas. E isso acontece, porque ela trata da insatisfação com o "lugar" onde estamos, que pode ocorrer em qualquer área da nossa vida.

No caso de relacionamentos, esse “lugar” é conhecido (principalmente, por aqueles que deixaram de habitá-lo) como Mundo Baunilha: formado de relações como flerte, “ficada”, namoro, noivado, casamento e amantes, além do sexo “básico e comum”. 

As relações afetivas (em sua maioria) sofrem com o desgaste natural provocado pelo tempo e principalmente, pelo crescimento (ou não) de uma das partes ou pelo simples desalinhamento de vontades e interesses. 

Esse estado de insatisfação forma uma pressão interna tal, que tentamos aliviá-la de diversas formas: desde a prática de exercícios físicos ao consumo exagerado de chocolate. Mas nem sempre conseguimos… o que poderá levar à problemas psicossomáticos (efeitos físicos), como estresse, pressão alta, gastrite, bruxismo etc.

De uma forma ou de outra, tal pressão deixa a pessoa tensionada como uma mola pronta para se expandir, faltando apenas o “para onde”.

Portanto, o gatilho para o movimento ocorre na maioria dos casos com o vislumbre de que existe algo além do horizonte... pessoas se divertindo muito na Montanha Russa. Gatilho disparado, é só pular o muro que separa o “parquinho básico” do “radical”.


CRUZANDO O LIMIAR


O que vem logo depois da linha do horizonte não é nada tão espetacular ou bizarro. De fato, são coisas até que familiares, pois mesmo dentro desse “parquinho inicial” existem brinquedos melhores.

Então, da mesma forma que nos arriscamos em uma gangorra ou balancê (para aumentarmos o divertimento), buscamos por brinquedos melhores para tornar tudo mais interessante. Voltarei a este ponto no final. O importante nesse momento é perceber que não existe apenas “um lado de cá” e “um de lá” e sim, uma gama de possibilidades com diversas ramificações

Existe esse “parquinho básico” das relações sexuais e afetivas, carinhosamente chamado de Mundo Baunilha e dentro dele, áreas mais avançadas como o Swing e o Casamento Aberto. Bem acima, existem lugares de gostos e comportamentos bem diferentes, ou seja… os brinquedos radicais do parque.

E no meio de tudo isso, existe a camada caótica dos fetiches, onde práticas e procedimentos de todos os universos convergem e tudo ocorre de maneira livre e anárquica. 

Daí, a primeira conclusão é de que não existe um grande limiar e sim, uma infinidade de pequenos limites a serem cruzados. 

É importante que isso tudo seja colocado, pois o tal BDSM (sobre o qual falaremos mais adiante) não é o único lugar para se ir e quando se vai até lá, não há obrigação alguma de ficar.

SEX SHOPS


Quem nunca gostou de “algo diferente" na cama que atire a primeira pedra!

Os sex shops existem em função dessa necessidade humana pelo diferente... Lingeries, perfumes e maquiagens são o ponto de partida para muitas pessoas que desejam “algo além”, sem contar os jantares à luz de velas e as bebidas especiais. 

Subindo um degrau, encontramos as pomadas, os cremes de massagem, consolos e vibradores. E logo acima, os fetiches primários: as fantasias sexuais e as roupas de enfermeira, empregada doméstica, policial etc. 

Quando digo "fantasias" não estou falando sobre roupinhas sexys e acessórios como estetoscópios e algemas forradas de pelúcia... estou falando sobre a interpretação dos personagens e da imersão nos contextos.

Estas "brincadeiras", que incrementam a relação sexual, são os primeiros recursos que muitos parceiros buscam quando a “coisa começa a esfriar”. 

Mas, se o Mundo Baunilha das relações é o Carrossel do Parque de Diversões, onde fica e quais são os brinquedos da “parte radical” desse parque?

Falamos do Mundo Baunilha e de que mesmo nele existem brinquedinhos legais, como o Swing e o Casamento Aberto. Falamos também dos itens de Sex Shop e das atividades provindas das fantasias sexuais e da Camada dos Fetiches. Agora, vamos além!

A primeira coisa que encontramos nesse “além” é o que chamo de Camada dos Fetiches, uma região de contato do Mundo Baunilha com lugares onde coisas mais sofisticadas e intensas (obviamente, para quem é adepto...) ocorrem. E o BDSM é um desses lugares.


BDSM, A MONTANHA RUSSA DO PARQUE


Afinal de contas, o que é esse tal de BDSM?

Respondendo de forma técnica, é um universo de relações humanas que ocorre com a existência de hierarquia. Isto é, com alguém no controle, independente do número de partes interagindo. O importante é que seja de forma sã, segura e consensual, palavras que formam a sigla mais fundamental do BDSM: o S.S.C.

Criado nos Estados Unidos, BDSM é um termo que tenta englobar as principais linhas de  de relações que ocorrem nesse universo, sendo composto pela fusão de três siglas:

  • BD (Bondage/Discipline - Aprisionamento/Disciplina): região habitada pelos Donos e suas posses (escravos). É uma área de muita intensidade e o foco é no poder conquistado “à força”. Uma diferença fundamental entre os escravos e os submissos da linha D/s é que o escravo tem que ser “posto de joelhos” e o submisso “cai de joelhos”.
  • D/s (Domination/Submission - Dominação/Submissão): região habitada por Dominadores e submissos.
  • SM (Sadomasochism - Sadomasoquismo ou Sadismo/Masoquismo): região habitada por Sádicos e masoquistas.

Quem vive nesse universo se alimenta do jogo de poder que se forma a partir da hierarquia. Para isso, são utilizadas diversas técnicas, procedimentos e posturas que aumentam a diferença de poder entre Dominadores e submissos, como o estímulo sensorial profundo e o aprisionamento (entre outras).

Como o BDSM é constituído de hierarquia, a maior parte das técnicas utilizadas para aumentar a diferença de poder é emprestada de outros universos, tais como: Spanking (pessoas que gostam de bater e apanhar), Age Play (pessoas que curtem a interpretação em relação à diferença de idade), Podolatria (universo dos adoradores de pés e calçados) ou Pet Play (o jogo é entre o Dono e seu bichinho de estimação).

SM, Sado e Sadomasô foram os termos usados inicialmente para descrever esse universo, mas perderam a força diante do fato de que o prazer em “provocar ou sentir dor” é apenas uma pequena parte do todo. Atualmente, BDSM é um termo largamente aceito e até que apareça algo melhor, continuarei a utilizá-lo. 

Ok, bacana a descrição enciclopédica… mas tenho algumas perguntas:

No popular e em uma frase, o que é BDSM?

BDSM é o lugar onde interagem as pessoas que gostam de Dominar com aquelas que gostam de ser Dominadas. Logo, seu princípio básico é a hierarquia. Ou seja, qualquer relação afetiva em que ocorra hierarquia entre as partes (completa ou pontual), de forma sã, segura e consensual, é uma relação BDSM.

No filme, o “Dom” disse que só tinha uma submissa por vez, mas pelo que vi, dominadores podem ter várias submissas… é verdade?

Sim. Mas a questão aqui é que no BDSM não existe diferença de gênero e sim, de posição hierárquica. Logo, Dominantes (meninos ou meninas) podem ter quantos parceiros submissos (meninos ou meninas) desejarem. Dentro do Universo BDSM, ter uma ou mais relações é sempre uma escolha do Dominante e o que vai definir a quantidade é algo entre a vontade do Dominante, a sua capacidade de manter o que conquistar e obviamente, o limite da parte que se submete. Já que esta última, não concordando com qualquer regra ou situação, pode usar do seu direito inalienável de não participar do jogo.

As pessoas podem trocar de papéis nesse jogo de dominação?

Sim. A pessoa que se completa nas duas posições é chamada de Switcher. Para que o fundamento da hierarquia não seja quebrado, dentro do BDSM essa “troca de posições” ocorre com parceiros diferentes. Mas como fetiche, a troca pode ocorrer com o mesmo parceiro. 

Não sinto prazer na dor… para ser BDSM tenho que gostar de “apanhar”?

Não. Resumindo, basta gostar de Dominar ou de ser dominado. Todo o resto, técnicas, posturas e procedimentos servem apenas para aumentar a distância hierárquica entre as partes. Distância esta que serve de alimento para os adeptos deste universo.

Para além da hierarquia, o que realmente importa é que os parceiros sejam compatíveis, que se completem com o que o outro tenha a oferecer.

Fazer estas coisas "diferentes" não é coisa de gente doente da cabeça?

Não sei em que momento a questão de “gostar de provocar ou de sentir dor” entrou nessa equação de poder. Mas nos idos de 1500, Leonardo da Vinci escreveu: 

“Onde há muito sentimento, há muita dor (...) Tal é o Prazer e a Dor... saem de um tronco único porque têm uma só e mesma base, eis que cansaço e dor são a base do prazer e os prazeres vãos e lascivos estão na base da dor.”

O que me leva a crer que o uso do “componente dor”, como uma ferramenta para o aumento da intensidade da interação, não é algo recente. 

Durante o século 19, diante da chamada “moral vitoriana”, tudo que ia além do sexo para a procriação era visto como perversão, incluindo-se aqui o Sadismo e o Masoquismo. Termos que foram cunhados pelo psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing com base no comportamento de duas personalidades:

  • Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade: ficou conhecido por seu estilo de vida libertino e por obras de conteúdo erótico, que enfatizavam o sofrimento e a vitimização dos parceiros;
  • Leopold von Sacher-Masoch: jornalista e escritor austríaco, foi responsável por narrar em detalhes a submissão de um homem à uma mulher em A Vênus das Peles (1870).

Tanto Sade quanto Masoch iam muito além do prazer em infringir ou sentir dor em suas práticas e comportamentos. Mas por um tempo, todas as atividades relacionadas à Dominação/submissão foram rotuladas simplesmente de “Sadomasoquismo, SM, Sado e Sadomasô”. O que foi corrigido com a adoção da sigla BDSM, que trata deste universo de uma forma mais ampla. 

A perversão vitoriana evoluiu para parafilia, isto é, o comportamento sexual onde o prazer é derivado não do ato sexual puro e simples, mas de outras atividades, objetos e tipos de parceiros.  

Na segunda metade do século 20, as parafilias passaram a ser vistas como “inofensivas” e por algumas linhas da psicologia moderna, partes de uma psique normal. Por outro lado, perderiam esse caráter inofensivo no caso de perigo real para o praticante e seus parceiros ou se impedissem o funcionamento sexual normal.  

Curiosamente, a masturbação, a homosexualidade, o sexo oral e anal já foram considerados como parafilias. Hoje em dia tudo é aceitável… desde que não seja ilegal, não faça mal a quem quer que seja e que todas as partes envolvidas sejam capazes (tenham capacidade de dar consentimento) e estejam de acordo.

Do meu ponto de vista, a partir do fato de que o “diferente” não é tão diferente assim, quem pratica apenas sexo “normal” é que acaba sendo diferente.

Preciso ser do BDSM para experimentar o sabor dessa hierarquia?

A hierarquia ocorre a partir do momento em que uma das partes toma o controle da “situação” e isso já é relativamente comum, só lembrar das pessoas que gostam de uma boa “pegada” na cama. 

Essa “pegada” não passa de uma parte controlando a outra de uma forma, digamos, mais contundente… e ao usar um pouco dessa rigidez hierárquica existente no BDSM, o momento torna-se mais excitante e intenso. 

A pessoa não precisa “ser”, basta “estar” Dominante ou submissa. Brincar disso é tão bom quanto qualquer outra brincadeira “sacana”.


BRINCANDO “DO QUE”, “COMO”, “QUANDO” E “ONDE QUISER”


Enfim, o melhor dessa descoberta é que todos nós temos partes suprimidas ou mesmo esquecidas… Quando vemos novas possibilidades, principalmente aquelas que nos satisfazem plenamente (e não apenas em partes específicas), tendemos a rumar para o equilíbrio e a paz interior.

Tanto o BDSM quanto qualquer outro universo de relações afetivas pode ser vivido como um estilo de vida ou simplesmente como uma “fonte de inspiração”, para tornar nossas relações mais saudáveis, divertidas e intensas. Vale lembrar que nada impede que transitemos entre esses universos, pegando de cada um aquilo que nos completa e alimenta.

O BDSM EM “50 TONS DE CINZA”


Partindo-se da premissa de que uma relação BDSM é fundamentada na hierarquia, ela simplesmente não acontece em “50 Tons de Cinza”. Por mais que o universo tenha sido utilizado na ambientação da história, de BDSM não temos nada ou quase nada...

Sim, a protagonista é uma mulher com “potencial de submissão”, mas o protagonista é um homem que reúne tantos estereótipos de perfeição que o tornam irreal. Sem falar que se parece muito com a história de “A Bela e a Fera”... a mocinha tenta salvar o príncipe travestido de fera, curando-o de seus gostos estranhos. 

Nesse sentido, a obra é um desserviço ao público, associando o desejo de Dominar (ou de ser dominado) à ocorrência de algum grande trauma. O que nos faz voltar àquela velha ideia de perversão ou doença que existia no século passado. 

Apesar de grandes traumas impactarem de uma forma ou outra na formação de um indivíduo, somos o que somos a partir de alguma tendência genética somada a uma infinidade de tijolinhos. Além é claro, das escolhas que fazemos diante dos desafios da vida.

Na história, o “trauma de infância” do “Sr. 50 Tons” colaborou apenas na construção de um homem com sérios problemas de insegurança e autoafirmação, comportando-se ora como uma criança mimada, ora como um possível psicopata maníaco-depressivo obcecado pela heroína. 

Sim, em diversos momentos Grey age como um “stalker”, perseguindo, pressionando e invadindo a privacidade de Anastasia até conseguir o que quer. 

É preciso deixar claro que isso não é BDSM. Se você tem ao seu lado alguém que apresenta esse tipo de comportamento, independente da relação que possui, cuidado… as consequências podem ser irreversíveis, basta dar uma olhada nos noticiários diariamente. 

Dominantes reais, independente de serem meninos ou meninas, jamais irão perseguir alguém de seu interesse, pelo simples fato de não precisarem disso. Eles são a constante da equação e reinam soberanos dentro do seu território. Quem entra, o faz por vontade própria.

O que me leva a pensar sobre os motivos que levariam alguém como a nossa heroína a entrar nessa relação… Será que toleraria esse tipo de comportamento doentio se o “Sr. 50 Tons” não fosse esse “príncipe encantado”?

Resumindo, no filme temos apenas o uso de algumas técnicas vindas do Bondage (nas amarrações e aprisionamento), do Spanking (nas chicotadas) e até mesmo do BDSM, quando Grey busca controlar determinadas situações.  

A diferença está no fato de que o controle em uma relação BDSM não inclui a atitude de perseguir o parceiro. Pelo contrário, tal comportamento fere o princípio da Sanidade, que faz parte dos fundamentos básicos deste universo: são, seguro e consensual (S.S.C.). 

Portanto, “50 Tons de Cinza” não retrata uma história BDSM, no muito, poderia ser enquadrado no gênero “soft porn” com uma pegada fetichista. 


CONCLUSÃO


Como disse, de tempos em tempos, alguma obra literária ou cinematográfica faz com que o olhar do público se volte para o Universo BDSM e o mundo dos fetiches, mostrando que existe “algo além do horizonte”. 

A melhor parte do sucesso dessas histórias é que muitos serão afetados (em menor ou maior grau), provocando desejos que poderão catalisar movimentos em suas relações sexuais e afetivas, com novos patamares de prazer, através de técnicas, práticas e procedimentos advindos desses universos. 


GLADIUS MAXIMUS

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9.1.17

Diário de um Dominador: comece por aqui!


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Criei este blog com o objetivo de compartilhar a minha jornada como Dominador e ajudar outras pessoas que estão em busca de autoconhecimento e querem viver em plenitude com sua própria natureza.

Diariamente, recebo e leio e-mails, mensagens e comentários no blog e nas redes sociais com inúmeras dúvidas sobre relacionamentos, sexualidade e universo BDSM. E com certeza, toda essa interatividade e troca de experiências é o que me motiva a seguir com o trabalho que realizo neste espaço. 

Contudo, não tenho mais conseguido equacionar as minhas atividades pessoais e profissionais com o atendimento de todas as dúvidas e casos que recebo. 

Na medida do possível, busco responder os comentários nos posts e transformar uma parte desses questionamentos que recebo via e-mails e mensagens em artigos que possam ajudar a maioria dos meus leitores. Algumas dessas respostas estão reunidas na categoria GLADIUS RESPONDE


Para sanar algumas dúvidas comuns, recomendo a leitura dos artigos dos seguintes grupos da aba INDEX:


Essenciais para iniciantes
Essenciais para todos
Recomendação pessoal

Além do INDEX (onde estão listados todos os artigos publicados), você poderá utilizar o sistema de BUSCA DO BLOG (na coluna direita) ou navegar pelas CATEGORIAS (na coluna direita ou nos posts), para encontrar as respostas que procura.

Caso sua dúvida ainda não tenha sido discutida por aqui, você poderá enviar um e-mail para diariodeumdominador@gmail.com ou utilizar a área de comentários (nos posts). Darei prioridade àquelas que possam ser de interesse geral, explorando seus temas em novos posts ou vídeos.

Desde já, peço desculpas se não conseguir respondê-lo (a) e conto com sua compreensão.


Posso lhe contar a minha história e receber um feedback?

Como disse, a troca de conhecimentos e experiências com a comunidade que se formou em torno do blog e das redes sociais é algo realmente motivador e gratificante. Tudo o que eu recebo, elogios, críticas, dúvidas e sugestões é muito importante! Leio tudo, mas não tenho como atender a todos um por um. 

Pensando nisso, além das experiências e conhecimentos que compartilho aqui com meus leitores, criei um atendimento personalizado via Skype

Este atendimento é voltado para aqueles que querem resolver questões personalíssimas e têm urgência em sua discussão.


EVENTOS, CURSOS E PALESTRAS


Participa de festas e encontros BDSM?

Sim. Principalmente, em Santos e São Paulo.

Posso contactá-lo durante esses eventos?

Claro! Será um prazer conhecê-lo (a). Utilizo as minhas redes sociais para avisar sobre encontros, festas, cursos e palestras. 


Quero aprender ou aprimorar uma técnica BDSM específica, o Sr. realiza cursos personalizados?

Sim. Leia mais aqui

Realiza cursos e palestras para grupos fechados ou em outras cidades fora do eixo Santos/São Paulo?

Sim. Entre em contato pelo e-mail diariodeumdominador@gmail.com, para conversarmos sobre datas, temas e valores. 

SEMPRE POR PERTO


É um prazer poder interagir e ajudar todos aqueles que acompanham a minha jornada como Dominador, escritor e consultor. Não quero e nem pretendo perder essa interatividade que me faz tão bem e me ajuda a crescer. 

No entanto, preciso equilibrar todos os lados da minha vida e ainda manter a produtividade. Nesse sentido, estou buscando soluções para agir de uma forma mais organizada e coletiva em 2017, para trazer um conteúdo cada vez mais interessante e valioso para todos que acompanham o blog e as minhas redes sociais. 

Para que isso aconteça de forma frequente e consistente, já estou preparando várias novidades. Aguardem!


GLADIUS MAXIMUS

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21.12.16

Fabricando parceiros: mostrei o BDSM... e agora?


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CONTEXTUALIZANDO


Sabemos que fabricar um parceiro dentro do BDSM é algo que não funciona, já que a busca pela própria natureza é uma jornada solitária. Portanto, a atitude mais sensata é apresentar esse universo e deixar que ele faça suas escolhas.

Isso é válido tanto para amigos quanto para parceiros em relações afetivas. A importância da liberdade de escolha é essencial para que não haja a contaminação no processo por coisas como: "vou fazer isso por você". Ou, no outro extremo, "não posso fazer isso por medo de te ferir".

Ainda mais relevante é o fato de que o BDSM é fundamentado em hierarquia, que seria frontalmente abalada, caso a parte submissa se tornasse “mestre” da parte dominante.

O que faltou discutir em outros textos foi o que fazer depois que a informação é passada e como lidar com as eventuais reações do parceiro.

ISTO POSTO, VAMOS LÁ...


Pela sua própria complexidade, seres humanos poderiam ter as mais variadas reações, mas uma vida observando atentamente atitudes e comportamentos mostram que algumas são mais comuns.

Duas delas, citadas acima, ocorrem quando o parceiro não é naturalmente o oposto complementar para uma relação BDSM. Então, por amor ou seja lá o que for, ele entra (ou não) no jogo.

O parceiro pode declinar com medo de que, de alguma forma, possa causar um dano físico ou por outro lado, entrar no jogo para agradar. Obviamente, declinar seria a atitude correta, uma vez que, corromper a própria natureza para agradar o outro, não deveria ser uma escolha... Não importa o tipo de relacionamento ou posição dentro dele.

O outro grupo de reações ocorre justamente quando o parceiro tem "jeito para a coisa", ou seja, possui potencial para se tornar um habitante do universo BDSM.

Mas antes de entrar nessa área é bom lembrar que todos nascemos em um meio social que nos pressiona e acaba nos obrigando a construir personagens específicos, destinados a atender às expectativas dos que nos cercam. A parte de nós que é suprimida ou ignorada nesse processo é a natureza primal, onde se situam os prazeres ligados diretamente ao que somos de verdade.

Quando se mostra algo novo para alguém, corre-se o risco de que essa novidade transforme-se em um gatilho, que pode disparar uma série de reações internas. Aí é como abrir uma “caixa de pandora” (artefato grego, que continha todos os males do mundo e que popularmente, simboliza qualquer coisa que provoca curiosidade, mas que não devemos tocar ou chegar perto), o que poderá levar à consequências indesejadas.  

Tais reações dependerão de muitos fatores, pois nesse caldeirão encontraremos a natureza primal suprimida somada a todos os anseios da pessoa.

CAIXA DE PANDORA ABERTA... O PARCEIRO MOSTROU INTERESSE


Como já discutimos, as posições no universo BDSM são definidas em dois tipos de comportamento: Dominante e submisso (para quem vive ou apenas pratica BDSM). Logo,  as opções de combinações são limitadas.

Dentro desse universo, existe uma variante, que é o switcher:  indivíduo que se completa tanto dominando quanto se submetendo, dependendo do parceiro (se ele é submisso ou dominante). Quando essa alternância de posição ocorrer com o mesmo parceiro, teremos uma relação de fetiche (e não BDSM), já que o fundamento da hierarquia seria quebrado. 

Essas considerações iniciais são importantes, porque pode ser um switcher a apresentar esse “novo mundo” para o parceiro ou este pode ser um switcher em potencial. 

Tanto num caso, quanto no outro, vamos considerar que este switcher venha a assumir posição oposta a do seu parceiro.

1. Quando as duas partes são dominantes ou submissas:

O cuidado aqui é não permitir que a pessoa, gostando da mesma coisa que você, acabe indo contra a própria natureza apenas para lhe agradar. Escolha que incorreria no já citado erro do "vou fazer isso por você". Se os dois são dominantes (puros e não switchers) ou submissos não há como se construir uma relação hierárquica, que é a base de um relacionamento BDSM.

2. Quando quem apresenta o universo BDSM é a parte dominante

Nesse caso fica bem mais fácil, principalmente se o top for experiente. Uma vez que cuidar, ensinar e guiar já fazem parte da sua rotina. Se for um top iniciante, o processo poderá ser bem mais complicado em função da falta de conhecimento e experiência no uso do poder que conquistou.

3. Quando quem apresenta o universo BDSM é a parte submissa:

É o cenário mais complicado, pois nesta combinação o risco de surpresas indesejáveis é maior, principalmente se a parte submissa é iniciante.

A complicação advém da questão hierárquica, já que quem se submete não pode se colocar como “mentor” sem ferir o fluxo do poder. Como se submeter, dando poder a alguém, se esta pessoa sabe menos do que você? Não faz sentido, não é mesmo?

E o foco a partir de agora é justamente nesta combinação que é a mais complicada.


OK, ELE TEM POTENCIAL DOMINANTE... E AGORA?


É neste exato ponto, onde o parceiro fica realmente interessado, que a tal “caixa de pandora” é aberta.

Um exemplo disso foi o de uma amiga submissa, que já em estágio avançado de sua transição, resolveu apresentar o BDSM para o marido (uma relação de 15 anos).

Ela se surpreendeu com a sua imensa receptividade... e mais ainda, com o seu tom autoritário.  Nesse processo, ele chegou a pressioná-la para que providenciasse outra serva (irmã de coleira) para servi-lo. E de repente, tudo o que ele tinha reprimido, inclusive o tesão pela irmã dela, aflorou e tirou o chão da nossa heroína.

De uma tacada só, nosso “top iniciante” percebeu o quanto havia deixado de viver e queria tudo de uma vez, indo com muita sede em um pote muito frágil… o momento que o casamento deles atravessava.

Quando essa descoberta ocorre, seja em relação ao que está além do horizonte ou sobre o que desconhecia acerca de si mesmo, é um momento crítico, na medida em que é muita coisa para um simples ser humano lidar da noite para o dia.

Voltando ao exemplo, o casal não se conhecia de fato. Cada um conhecia apenas uma parte do outro: o personagem criado para satisfazer as suas expectativas e da sociedade. No momento que ela apresenta o tal “mundo novo” e a sua natureza, o que se escondia atrás do "personagem" criado por ele era algo que ela não esperava...

E você, quanto de fato conhece do seu parceiro? Está disposto a descobrir a sua real natureza? Está consciente de que ao abrir esse universo poderá enfrentar situações que não conseguirá nem mesmo tolerar em relação ao comportamento dele ou dela?

Enfim, da “caixa de pandora” que ela abriu, emergiu não apenas um potencial dominante, mas um homem com muitos desejos reprimidos, que não tinha ainda condições de receber e lidar com o poder entregue de forma precipitada e imatura por sua parceira. Isto é, na falta de conhecimento, experiência e bom senso, ele ultrapassou vários limites, enfiando “os pés pelas mãos”.


CASO RARO? INFELIZMENTE NÃO...


De certa forma, ela conseguiu se sair bem da situação, mantendo o mínimo de controle sobre si mesmo e o bom senso ao dar uma “enquadrada” nele.  

Nós tivemos uma boa conversa e a solução foi simples: a esposa permaneceria acessível, inclusive em relação ao sexo (apimentado ou não), mas a submissa, ele teria que conquistar. A submissão que tanto desejava teria que ser merecida. Ele teria que buscar informações e conhecimento, trilhar sua própria jornada e só depois, tê-la como sua submissa.

Mas por tudo que já vi nesta vida, ela deu sorte. Dessa “caixa de pandora” poderiam ter emergido situações incompatíveis com a submissão dela (incompatibilidade de naturezas ou relações hierárquicas) ou mesmo, “facetas humanas” que podem ser enquadradas no campo da psicopatologia.

No fim, suas atitudes colocaram em grande risco a relação, mas era um movimento necessário. O casamento já havia passado do “prazo de validade”, enquanto fundamentado na união pura e simples dos “personagens”. Ele vinha estável com a rotina, ela não. E então, foi arremessada numa transição de onde emergiu a submissa.

Ela mudou, ele não. Fato que sentenciou à morte a relação deles tal como era. Disso tudo, ela conseguiu extrair a energia para um movimento corajoso, que julguei absolutamente vital. Ela não apenas apresentou o universo BDSM ao marido, mas decidiu arcar com as consequências.

Quando conversamos sobre as consequências da sua decisão, limitado no que poderia sugerir, meditei muito sobre as alternativas, o que acabou resultando na “enquadrada” acima.

Depois de me debruçar sobre este caso, inclusive revendo tudo o que já havia analisado e escrito sobre o assunto, percebi que só tinha trabalhado na ideia da prevenção, faltando definir o que fazer depois.

A atitude preventiva, que serve para todas as situações citadas, é simplesmente apresentar esse novo horizonte de possibilidades e colocar de forma bem clara o que se é, além das expectativas sobre o todo, cabendo ao parceiro decidir se aceita ou declina do “convite”.

É bom lembrar que essa atitude termina sendo vital, quando a parte que apresenta é submissa. Pois fica difícil construir uma relação de dominação/submissão, baseada em hierarquia, quando a parte submissa se coloca na posição de “mentora”.

Cabe ao dominante trilhar o caminho por conta própria. A decisão é dele. A busca é dele e não da parte submissa, que obviamente, terá a sua jornada pessoal dentro da relação.

Quando o parceiro rompe o casulo, só cabe a parte que apresentou o universo BDSM aceitar o que sair da “caixa”. Lembrando que, seja o que for, é ele de verdade.


MAS EU NÃO GOSTEI DO QUE SAIU DA CAIXA... 


Paciência, seu parceiro será mais feliz podendo viver de forma plena a sua natureza. É bom para ele, para você e para um relacionamento maduro e saudável. No entanto, se o que sair for intolerável, não preciso dizer o que você deve fazer…

Apenas pense: se você está numa cadeira que tem um prego bem no assento que não consegue remover, simplesmente mudamos de cadeira, pois se acostumar com o prego não é uma opção.

Bom, então terei que me separar do meu parceiro?


Não necessariamente, tudo na vida é uma questão de escolhas… e as melhores nem sempre são as mais extremas.

Vocês poderão optar por um relacionamento “baunilha apimentado”, ou seja, a intensidade pode ser vivida de forma moderada na camada dos fetiches. Ambiente sem a rigidez da hierarquia, onde todas as práticas podem ser saboreadas sem as partes exercerem autoridade uma sobre a outra.

Será que isso vai levar a plenitude? Não, não vai. Mas nem todo mundo quer ou consegue viver um relacionamento BDSM (e tudo bem), pois um parceiro compatível se faz necessário. 


Resumindo...


Se o dominante é iniciante e inexperiente, não entregue sua submissão “de bandeja”. Aliás, valorize-se sempre. E isso é válido para qualquer tipo de relação ou posição dentro dela. Foi o conselho que dei à minha amiga e que ela colocou em ação.

Ou seja, é um “mecanismo simples”: você pode construir laços de amizade, amor e respeito, mas confiança e autoridade são conquistadas. Um processo que não é fácil e precisa ser contínuo, sob pena do poder “subir à cabeça” e destruir a relação hierárquica BDSM.

Logo, dentro uma relação BDSM, basta que a parte submissa regule o poder que manterá sobre si e que entregará à parte dominante. Esta receberá o poder de acordo com a sua evolução e capacidade de lidar com ele.

CONCLUSÃO


Há uma chance bem razoável de que este "novo" parceiro não venha a ser compatível com o "novo" você, o que poderá levar à ruptura da relação… no mínimo, do jeito que era. Por mais que isso possa parecer difícil, termina sendo algo muito bom, pois cessa com a relação entre “personagens”.

Se a relação sobreviver, ainda que de outra forma, serão duas pessoas interagindo com suas naturezas completas e não um relacionamento construído para atender às expectativas do outro. Fadado, mais cedo ou mais tarde, ao colapso…

E colapsar não é pior coisa que pode acontecer... O pior é quando a relação se arrasta apenas para manter as aparências.

O melhor mesmo é viver a relação (seja ela de que tipo for) com a leveza da verdade... e no meu caso e de outras pessoas, ela fica ainda melhor com poder e hierarquia.


GLADIUS MAXIMUS


Veja também:

Relações BDSM - Fabricando o parceiro



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12.9.16

Dominatrix pergunta: como obter paciência?


dominatrix, dominante, dominação, submissa, iniciante, teimosia, paciência


"Quero uma dica ou alguma forma de obter paciência. Sou mulher dominatrix, e tenho uma parceira submissa. Ela é sub nata mas iniciante. Um pouco teimosa e isso dificulta. Eu não sei lidar muito bem com isso. Não sei por onde começar com ela. Mas amo! O que faço?" em Dicas para Iniciantes 2

A questão aqui é do quanto você quer manter essa relação, pois os sintomas apresentados apontam para falta de sintonia.

Isso ocorre quando, apesar dos perfis dos parceiros serem Dominante/submisso no fundamento, na parte mais avançada que se refere às particularidades de cada um, estes não são compatíveis.

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31.8.16

Dimensões: BDSM, mundo baunilha e a camada dos fetiches




PRÓLOGO



Aqui coloco a minha visão sobre o Universo BDSM e outros adjacentes, através da minha trajetória, desde a primeira grande conclusão sobre esse delicioso “lugar”, até o que penso sobre tudo isso hoje em dia.


O que começou com uma descrição sucinta sobre as algumas das minhas primeiras observações e conclusões, acabou virando algo bem maior. Tudo derivado da decisão de além de viver as minhas relações afetivas, começar a migração para a realização do sonho utópico de também viver o lado profissional de minha vida dentro do Universo BDSM.

Estas mudanças interiores resultaram também em mudanças na maneira como enxergava o espaço a minha volta, tentando entender o que acontecia. Eu precisava entender o que acontecia e isso se tornou obsessivo. A maneira que via as coisas antes não mais me satisfazia e o lugar em que estava não era mais o meu.


PASSEANDO NO PARQUE





No princípio, não imaginava o quanto era importante “ser isso” ou “ser aquilo” na vida como um todo. Já tinha resolvido bem a questão do “viver a minha natureza de forma plena” e aconteceu assim por vários anos, até ter a necessidade de procurar outros com os mesmo gostos, preferências e interesses.

Nesse momento é que, ao interagir com outras pessoas com gostos compatíveis, percebi que as coisas não se resumiam apenas ao velho “viver a própria natureza”. Existia certa sincronia, evidenciada em uma consciência coletiva que orientava um tipo de movimento que agrupava essas pessoas num mesmo canal. Com certeza havia um “algo mais” que estava diante do meu nariz e eu não enxergava.

Passei então a observar tudo mais atentamente, e não só o que acontecia comigo, mas também com os que estavam a minha volta.

Destas observações e racionalizações extraí minhas primeiras conclusões, onde colocava a existência do Universo BDSM como um lugar que existia e era bem real, possuindo uma fronteira clara e definida com o Mundo Baunilha, região das relações afetivas formada de sexo e aparências onde ocorrem as relações afetivas básicas como, namoro, noivado, casamento e outras variantes.

E era justamente nessa fronteira que o “São” do S.S.C. (sigla dos fundamentos primordiais do BDSM que significa São, Seguro e Consensual) se referia à manutenção da sanidade, não devendo se misturar os dois mundos.

Ao enxergar o BDSM como um lugar, o uso do termo “Parque de Diversões” como metáfora era bem adequado, pois salvo raríssimas e louváveis exceções, não se mora ou se sobrevive no parque. Vamos até ele em busca de diversão e relaxamento, para extravasarmos a tensão de manter nossa verdadeira natureza suprimida no Mundo Baunilha. Por outro lado, não devemos ir para fugir dos problemas ou procurar soluções para a vida pessoal.




Na época, alguns não entenderam a metáfora e fui criticado por comparar o BDSM a uma brincadeira. A grande ironia era que, de certa forma, o BDSM é de fato uma deliciosa brincadeira de adultos. Tudo muito sensorial. Apesar disso, o tempo foi passando, pessoas foram passando e ainda faltava alguma coisa para a esta conta fechar... Olhava o modelo quase perfeito que havia criado e este não saia do “quase”. Não era simples assim.


UM PARQUE PEQUENO DEMAIS


A observação de panoramas e cenários sempre foi uma ferramenta útil para mim, mesmo assim volta e meia era traído pela minha própria percepção, pois olhava diretamente para frente sem me valer da visão periférica. Via apenas Baunilha x BDSM e nada além desse eixo me interessava.

O que me fez olhar para fora desta área de interesse direta, foi o fato de observar pessoas se descrevendo como criaturas hibridas habitantes de vários universos. O primeiro exemplo foi o de um Dominador Podólatra, coisa que logo de cara não fazia o menor sentido para mim. Eram coisas antagônicas, pois os "Podos" que conhecia só se colocavam em atitudes subservientes “aos pés” de suas Deusas. Para mim, um Dominador existia (e ainda penso assim) para ser idolatrado e jamais para idolatrar. Como encaixar uma atitude de idolatria (seja lá do que for) em um ser que fundamentalmente é o ídolo? Não fazia sentido, mas o moço estava lá... Com seu reino montado... Várias posses dedicadas... E tudo funcionando na perfeita harmonia que satisfazia a ele e às suas parceiras.




O que eu via era tão grande, que apenas não enxergava o todo. Abrindo a mente consegui entender o que estava ali, diante da minha face. Não existia somente um Universo BDSM sobre o Mundo Baunilha. Existia, na verdade, todo um grupo de universos de possibilidades que coabitavam acima dos humanos comuns. Universos que faziam fronteiras às vezes não muito bem definidas entre si.

Foi então que tudo se encaixou... não era um Dominador Podólotra e sim um Dominador “e” Podólatra, visto que a Dominação e a Podolatria ocorrem em Universos diferentes. 

Mergulhando bem fundo nisso, descobri que muitas práticas normais dentro do BDSM eram emprestadas de outros universos e que existiam de forma independente. Com muitas pessoas transitando bem entre esses Universos, pertencendo simultaneamente a mais de um deles.

Muitas pessoas, inclusive eu, achavam que tudo era BDSM. No entanto, chamar tudo de BDSM é dar nome a coisas que já tem nome. BDSM já é uma sigla que embute e no seu bojo uma tentativa de agrupar as principais áreas que formam relações de Dominação e submissão.

Além de ser formado apenas por hierarquia e verdade, em minha opinião, poderia se chamado de Universo DS. Pois na base de tudo, nesse Universo se relacionam pessoas que se completam dominando com pessoas que se completam na submissão, mas até inventarem coisa melhor. BDSM está de bom tamanho.

A Podolatria foi a primeira região da sexualidade que percebi como tendo pouca coisa em comum com BDSM. É riquíssima e por si só já justifica ser tratada como um Universo completamente independente e autossuficiente.

Com saltos, sandálias, descalços, com chulé e até com chinelos, Podos idolatram pés e ponto. A “pouca coisa em comum” vem do fato da Podolatria ter uma fronteira com o BDSM. Uma região de contato onde aparece a relação de poder que é o maior sinal da ocorrência do BDSM. Assim como existem Podos puros que se ajoelham apenas para ficarem mais próximos do seu objeto de interesse, existem os que transitam também pelo BDSM, adotando posturas de submissos e até, como observei depois, Dominadores.

Observei que isso abria possibilidades para outras combinações, algumas até bem pitorescas, como a submissa no BDSM que é Deusa na Podolatria ou Lolita no Age play.

E não são apenas as pessoas que transitam entre os universos. Algo comum são práticas nativas de um Universo usadas em outro. Pessoalmente, por exemplo, gosto que idolatrem meus pés, atitude importada diretamente do Universo da Podolatria. Pegar emprestado práticas de outros Universos independentes é algo bem comum e temos alguns bons exemplos disso no BDSM. Duchas Douradas, Imobilizações e Spanking são práticas de outros Universos independentes, que são amplamente utilizadas dentro do BDSM.

Fiquei muito feliz em ter chegado a estas conclusões vendo quase todas as peças se encaixando perfeitamente. Quanto mais a minha mente se abria, mais coisas se descortinavam e mais ficava evidente que tudo estava conectado. Felicidade essa que durou pouco. Ainda faltava algo. Os adultos não se divertiam no BDSM como num parque, ou seja, de forma aleatória e desorganizada, pois a felicidade caótica dos parques de diversão não condizia com a plenitude do Universo BDSM.


O QUE VEM ALÉM DO PARQUE


O modelo que tinha criado anteriormente não funcionava mais para descrever o BDSM de forma completa, bem como não explicava as distorções e a ocorrência de tantas pessoas “estranhas” nesse Universo circulando de forma livre, leve e solta. Doentes, curiosos e esquisitos dos mais variados tipos provocando lambanças aos montes e inundando este Universo, fazendo com que os verdadeiros se recolhessem indignados. E mais, não explicava como tudo se conectava.

A resposta desta vez estava tão perto dos meus olhos que se comportava como vento. Eu ouvia, sentia e não enxergava... mas eu sabia que estava lá... em algum lugar.

Acompanhando o processo desde o seu início, vi que havia uma rotina, um processo genérico que servia de eixo básico e principal para as inúmeras variantes no caminho de saída do Mundo Baunilha para além do horizonte. E tal rotina era a de que, em algum momento de sua existência, determinadas pessoas que atingiam certo grau de elevação intelecto-cultural, começavam a conviver com algum tipo de insatisfação em relação ao seu estágio atual de sexualidade, isto quando existia alguma sexualidade. Algo que depois viria a perceber em quase todos os aspectos de nossas vidas.




De repente, tudo ficava meio morno, meio igual. Aquela rotina das “preliminares + sexo + nada” não satisfazia mais e as meias sensações só aumentam o vazio. Filmes, livros, fotos, histórias dos amigos e outras coisas picantes mexiam com o imaginário e aparecia uma luz no fim do túnel. Mais ainda... no fim desse túnel lampejava todo um jogo de luzes da chamada Camada dos Fetiches.


ORDEM E CAOS - A CAMADA DOS FETICHES


A verdade é que as pessoas iniciando o trânsito entre os universos não iam direto do Mundo Baunilha para o Universo BDSM ou qualquer outro, pois chegavam a uma camada intermediária entre o Mundo Baunilha e o Universo BDSM que faltava no meu modelo.

Essa camada é primeiro lugar encontrado logo depois que o Mundo Baunilha não oferece mais um estado de satisfação completa, sendo visto mais claramente por quem já busca algo mais no "algo mais" das camadas superiores do próprio Mundo Baunilha, como casamento aberto e o Swing. É um lugar delicioso, livre, libertino, intenso e caótico.

Reinam por ali, as algemas forradas de pelúcia, tapinhas que não doem, roupinhas fashion, couros, látex, corsets, botas, saltos e, entre outras tantas coisas, as fantasias de médico, enfermeira e empregadinha.

Na Camada dos Fetiches as pessoas se soltam por completo, pois experimentam pela primeira vez a sensação da liberdade do "poder ser o que não é" no Mundo Baunilha e toda a intensidade que brota disso. O caos acontece porque as pessoas chegam encenando belíssimos personagens, alguns muito bem elaborados, mas ainda trazem em si, bem arraigados os valores do mundo baunilha..

É bom lembrar que falo aqui apenas de valores referentes aos relacionamentos e que as relações do Mundo Baunilha dependem de forma quase obrigatória, da utilização de artifícios como hipocrisia, mentira e conformismo, entre outras, para que se mantenha um mínimo de equilíbrio e mantenha o relacionamento com um mínimo de estabilidade. Sem isso, estas relações invariavelmente colapsam. E colapsam por não levarem em consideração a natureza mais básica dos seres humanos.

O caos é consequência direta da colisão desses valores distorcidos do Mundo Baunilha com a liberdade extrema encontrada na Camada dos Fetiches, somada à total incapacidade de lidar com a liberdade. Assim os personagens são vividos intensamente e as fantasias voltam para o armário depois da festa.

A Camada dos Fetiches é a película de contato entre o Mundo Baunilha e o Universo BDSM e outros universos. É o verdadeiro Parque de Diversões ou, pelo menos, a área do Parque com os brinquedos menos radicais. O Universo BDSM é algo muito maior e que faz a diferença, é justamente a existência de uma ordem que emerge deste caos da Camada dos Fetiches. O Universo BDSM é um lugar onde as coisas só funcionam com a verdade absoluta sendo vivida, não cabendo aqueles “artifícios” que mantém as relações do Mundo Baunilha em equilíbrio. É a região do Parque onde ficam as Montanhas Russas.

Uma das principais características fundamentais do BDSM é a existência obrigatória da ordem e da hierarquia onde alguém sempre está no comando. A parte que Domina exerce poder sobre a parte que se submete, que pelo seu lado se entrega e confia no Dominante. A verdade nisso é diretamente proporcional a quão puro é o néctar que se quer beber de tudo isso.




Posso citar vários bons exemplos que vão deixar bem claro o modelo que proponho. Um dos bons é o da Enfermeira e do Paciente. Se os dois simulam os cuidados médicos com muita sensualidade e safadeza, é Fetiche. Se a Enfermeira prende o Paciente numa cama de contenção exercendo poder e controle sobre ele, é BDSM. Outros bons exemplos são o da Freira e o Monge, Aluna e Professor, Encanador e Cliente e por aí vai. Transar com as roupinhas e brinquedinhos é Fetiche... controlando o parceiro é BDSM... onde existe hierarquia existe BDSM.


DISTORÇÕES E VALORES


Numa rápida recapitulação, o que aconteceu é que a cada vez que tentava ver mais longe, as respostas sempre apontavam para mais e mais perto. E o final dessa busca foi mais do que perto, foi dentro de mim. Depois de colocar a variável dos Fetiches que faltava na minha equação, tudo começou a fazer sentido. Tudo se encaixava perfeitamente e todos os distúrbios estavam explicados.

Enfim, descobri o porquê de tantas pessoas se machucando no processo e aquele festival de gente estranha se achando BDSM, não passava de personagens da Camada dos Fetiches, que percebendo a existência do Universo BDSM e de outros adjacentes, vinham na direção dos verdadeiros, acreditando que seus disfarces iriam garantir a sua aceitação.

Ao chegarem, se agregam a uma massa disforme e incoerente de pessoas que não fazem a menor ideia de como os Universos superiores funcionam, fazendo o melhor que podem com os valores do Mundo Baunilha que possuem, formando algo que chamo de “Pseudo Meio BDSM” ou "Limbo". Região que fica a margem do onde as melhores pessoas de reúnem.




Não percebendo que os valores são diferentes, eles tentam “abaunilhar” o Universo BDSM, distorcendo a realidade de todas as maneiras para que esta se encaixe nos seus valores antigos. Nesse momento, atitudes como “quero um Dominante só para mim”, ou “faço qualquer coisa para levar ela pra cama” dentre outras, ocorrem. Pois estas pessoas “sem noção” simplesmente não entendem a coisa mais básica: o fato de que os valores de cada um dos Universos diferem, e às vezes por completo, uns dos outros.

Cada Universo tem seus próprios valores, particularidades e efeitos. O BDSM, por exemplo, ocorre com a existência de hierarquia a ordem. Sem isso, é alguma outra relação que já tem nome e existe em outro Universo.


PARA DENTRO E PARA O ALTO





De fato, a maior das minhas constatações é a que não existe um parque ou lugar específico para se divertir. Não como lugares geograficamente mensuráveis, mas o termo “Universo”, mas cabe bem para se descrever estas novas formas de se relacionar afetivamente, onde tudo é abstrato e com fronteiras muito tênues, onde além de extensão, também ocorre uma faixa onde as características desses Universos se misturam.

Esses Universos estão dentro de nós, dentro das nossas cabeças e vão se materializar na medida em que, de forma consciente, desejemos isso

Uns em Universos específicos e outros em vários, as pessoas elevadas vão onde querem e vivem como querem. Mundo baunilha de "Matrix" incluído. Os elevados, ainda citando o exemplo de Matrix, são os que escolhem a pílula azul, enxergando a verdade como ela é. Assim têm o poder de transitar por onde querem. Bom lembrar que esse "enxergar" é algo que vai além dos olhos, pois enxergamos com o cérebro e por isso os sonhos são tão reais.

A pessoa elevada é aquela que fechou o círculo. Que voltou ao princípio, dando o primeiro passo para a sabedoria, que é a real conclusão de que não se sabe nada. O termo elevado é muito bom, pois de pontos mais altos podemos ver além do horizonte. E o que existe além do horizonte baunilha é o que a vida tem de melhor a oferecer. Mais ainda, conforme vamos nos elevando, os nossos horizontes se expandem mais, e percebemos que existe muito mais além.

Do Universo Baunilha para o que existe além, é uma viagem interior onde cada um faz o seu caminho. Mais fácil para uns, mais difícil para outros, a melhor parte é tudo o que acontece nesse caminho. Acredito que não seja um caminho com um destino específico, afinal de contas, somos seres em constante mutação e evolução. Quanto mais crescemos e nos elevamos, mais horizontes aparecem para serem explorados.

Até certo ponto ainda é uma brincadeira... é um parque... para a maioria...  mas para alguns, o Parque pode ser uma opção de moradia.


GLADIUS MAXIMUS

Primeira versão publicada em 28/10/2010
Revisado e atualizado em 22/11/14
Revisado e atualizado em 04/09/16

Universo BDSM 3 - Dimensões




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22.7.16

Meus problemas com a proximidade das pessoas



Senhor, o acompanho há bastante tempo, e sempre me questionei sobre o fato do Senhor ter problemas com relacionamentos, e com a proximidade das pessoas. Como explica isso? É algum trauma, fobia? Ou apenas insegurança?


Não é trauma e muito menos insegurança... aliás, imaginando aqui como seria um Dominador com problemas de insegurança (um Christian Grey talvez...).

A resposta é bem simples e se refere a um problema que assola a humanidade desde sempre: a dificuldade na escolha de com "quem" vamos nos relacionar.

Somando isso ao fato de que este mundo está cheio de gente vazia e que os meus relacionamentos afetivos se concentram em uma área bem específica de um grande todo, a questão dos problemas se limita à um caso simples de "oferta e procura".

Existem poucas pessoas que reúnam qualidade mínima com alinhamento afetivo para me alimentar.

Ainda tem o fato de que estou ficando mais seletivo (e ranzinza) com a idade... aí a coisa vai se complicando.

Mas poderia ser pior. No lugar do "poucas pessoas" poderia ser um "nenhuma pessoa". 

A parte boa que volta e meia aparecem na minha vida algumas pessoas com potencial suficiente para que eu permita aproximação e dentre estas, desponta uma jóia que me faz manter a esperança no ser humano.

Mas no fim vale o dito popular: "antes só do que mal acompanhado".


GLADIUS MAXIMUS
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9.7.16

Bondage Meditativo


Questionário para montagem de matéria que será publicada no UOL sobre Bondage Meditativo.

*Pode nos explicar como funciona o bondage? É sempre um dominador e o outro dominado? Esta prática envolve sentir dor, ou depende de cada um?

Existe uma coisa que deve ser ficar bem clara: Confinamento com cordas é Bondage, mas Bondage não se limita a apenas isso. "Bondage" pela tradução literal significa basicamente "Escravização" e dentro do Universo BDSM, "Confinamento". 

Confinamento que a parte que Domina impõe a parte que se submete no sentido de enfatizar a diferença hierárquica de poder através do controle de um sobre o outro. Este confinamento pode ser efetivado de diversas maneiras. Além das cordas incluídas, uma parte pode imobilizar a outra com correntes, algemas, braceletes e tornozeleiras de couro, equipamento de contenção hospitalar, jaulas, filmes de PVC culinário e até com as próprias mãos.

Bondage no BDSM é o estado de Domínio físico que uma parte impõe a outra. Sempre com uma parte Dominando a outra no BDSM, mas o Bondage como técnica pura e simples pode ser praticado por parceiros sem relação de Domínio.

A prática do Bondage em si não envolve prazer ou dor além dos que o próprio confinamento, mas pode sem problema algum ser combinada com outras técnicas e procedimentos que venham a causar estes efeitos. Quais técnicas e procedimentos e o quanto de intensidades serão impostos, é o que diferenciará o processo, dependendo de cada um.


*No caso do bondage meditativo, o par amarra o outro para ele se sentir seguro, algo parecido como quando as mães envolvem o bebê em uma manta. Isso, de fato, pode melhorar o relacionamento e o sexo?

No BDSM existe um efeito que chamo de "Escravidão que Liberta". Para se entender isso, precisamos perceber o quanto temos de travas psicológicas e o quanto elas nos afetam e limitam.

Ocorre de forma subconsciente um "não posso me debater ou gritar o quanto gosto ou preciso para atingir níveis elevados de prazer, por isso vou machucar ou assustar meu parceiro".

E essa trava psicológica sabota de forma muito eficiente nossa capacidade tanto de percepção quando te relaxamento.

Quando a parte que se submete está confinada (e controlada), por qualquer coisa que imponha limites físicos e reais, ela fica livre para colidir com estes limites que vão conter as suas explosões livres da trava psicológica. Ela pode se debater e gritar a vontade, pois cordas (ou qualquer outro aparato) e mordaças (dos mais variados tipos) vão deixar bem evidentes onde sua liberdade termina.

Existe sim certo conforto no confinamento, afinal de contas nos formamos no ambiente de confinamento do útero materno. E desde sempre a prática de confinar o bebe o acalma, prática que caiu em desuso no final do século passado e que agora volta com a força do óbvio. Na utilização principalmente de Slings.

Este conforto advindo do confinamento pode colaborar em muito com todas as sensações geradas por qualquer tipo de interação, que podem ser tanto dentro do BDSM quanto de cunho sexual e afetivo.


*No bondage “normal”, por estar amarrado, passa-se também uma ideia de segurança? Ou apenas de dominação?

O Bondage "normal" é apenas uma prática que pode ter muitas variantes técnicas. O fato é que uma parte está se deixando imobilizar por outra e ficando, consequentemente, indefesa para esta. Para este tipo de prática, independente de ter algum ingrediente de dominação, se faz necessário que a parte que se deixa imobilizar tenha confiança absoluta em seu parceiro, logo a ideia de segurança é inerente ao processo.


*Você acredita que o bondage meditativo pode ser uma forma de entrar em contato com sexualidade num nível mais profundo?

No BDSM, o principal órgão sexual é o cérebro e tudo o que acontece neste universo tem a ver com estados de percepção aguçados, alta intensidade em tudo e contato com a sua própria natureza e com a sua sexualidade em níveis profundos.

Buscamos a plenitude, e o Bondage é um instrumento eficiente para tudo isso. Se o Bondage funciona bem para o BDSM, deve funcionar também nessa forma meditativa e sem relação de poder para quem quer apenas meditar ou atingir níveis diferentes e mais profundos de prazer.


*Para você, no que o bondage pode trazer de benefícios para o relacionamento do casal?

Casais podem sempre se beneficiar de práticas e técnicas de outros universos de relações afetivas. O Bondage em especial é uma prática simples de ser aprendida e se executada com o devido cuidado e atenção não oferece riscos.

Tanto nessa nova forma meditativa, quanto na "normal" para quem gosta de apimentar a relação, sem dúvida os benefícios compensarão de longe as dificuldades da sua curva de aprendizagem.

GLADIUS MAXIMUS

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7.7.16

Quanta voz uma posse tem?


Este assunto faz parte daqueles que nem deveriam ser comentados por se tratar de algo fundamental e o fundamento está em que é a parte que Domina que define as regras e também toda a dinâmica da relação BDSM.

Afinal de contas, se é a parte que Domina, a lógica é que desse controle se alimente a parte que se submete.

Partindo desta premissa a resposta fica fácil. A parte que se submete poderá falar o quanto o seu proprietário definir que possa e deverá falar tudo o que precise no que tange aos aspectos do S.S.C. (Sanidade, Segurança e Consensualidade), incluído nisso o seu direito inalienável de proferir a Safeword e também de decretar o fim da relação a partir do corte do poder que a parte que Domina tem sobre si.

Independente do quanto o Dominante permita que sua posse se manifeste, cabe a ele a "última palavra", alinhado ou não a posição de quem se submete.

Às duas partes podem independente de qualquer outra coisa, dar fim a relação em caso de desalinhamento intolerável.

Pessoalmente gosto de dobrar mulheres fortes, inteligentes cultas e poderosas. Faço questão que minhas posses tenham opinião.

Gosto da dobra completa, incluindo a dobra intelectual.

Não levar em consideração o que uma mulher inteligente e culta tem a dizer, é minar a relação na sua base hierárquica. Que tipo de respeito hierárquico deveria, uma fêmea poderosa ao Dominante que teimasse em fazer algo errado depois de ser avisado por ela?

Foram incontáveis as vezes que mudei de direção a partir da opinião de uma posse e não vejo problema algum em me curvar diante do bom senso. 

Se o Dominante insiste em uma posição contrária ao pensamento das pessoas que o servem, de uma forma ou de outra, arcarão com as consequências.

Agora cá entre nós acho, além de um enorme desperdício, algo meio idiota ter posses e não fazer uso de todo o seu potencial servil.  Abrir mão da inteligência de alguém que me serve não é algo inteligente.

GLADIUS MAXIMUS


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Blog sobre comportamento, sexualidade e estilo de vida BDSM > +18 < dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal. OBS: quando falo de Dominadores, submissas e relações... vale para todos os gêneros e combinações. O que importa em uma relação BDSM é a posição hierárquica da parte (dominante ou submissa).

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