28.3.09

Coleiras – A Dança

Uma coleira real tem duas utilidades. A primeira como marca de posse (A criatura que usa coleira tem Dono) e a segunda é o uso prático (guiar e “segurar” a fera).

A coleira virtual é apenas a junção do nome ou iniciais do Dono junto ao nickname da sua posse e tem a mesma finalidade do primeiro uso da coleira real, mostrar que a criatura tem Dono e quem é. Seu uso se limita ao ambiente virtual e é largamente utilizada nas salas de bate-papo de fetiche e SM e agora no Orkut e outros sites de relacionamento.


Sua origem veio de uma experiência nos primórdios das salas de bate-papo, onde o Mestre Klaus da cidade de Santos colocou seu nome ligado a duas de suas submissas e começaram interagir assim na sala. O objetivo ali era de se fazer, cada um, um relatório secreto e depois todos lerem os dos outros e debaterem sobre a experiência. A idéia pegou e acabou virando de domínio público. Klaus hoje de rir quando vê a sua idéia tão deturpada e banalizada por alguns.

É triste que a maioria das posses não compreenda a importância nem a extensão do que é pertencer a alguém. E como alguns pseudo-donos acontece o mesmo só que os mesmos ainda não percebem o tamanho da responsabilidade de se possuir alguém.

Talvez o fato de um grande número de pessoas pouco preparadas para o BDSM cismar em se achar conhecedoras desse Universo seja o que provoque esses desvios. Simplesmente acham que basta um pouco de teoria e o conhecimento de algumas práticas para se tornarem Donos ou posses de verdade.

O que é ignorado e o fato que as relações Dono/posse verdadeiras são baseadas em um elo, uma conexão verdadeira e isso é algo que só acontece com o tempo e vivência.

A coleira foi tão banalizada que se criou o termo “Dança das Coleiras” para descrever a atitude de algumas posses que colocam coleiras e as mantém por pouco tempo e passado não mais do que alguns dias, já estão portando outra.

Parece-me que o pseudo-dono que tem problemas de auto-afirmação e insegurança, trata logo de convencer a uma posse novata a usar a sua marca, apenas no sentido de se reservar e garantir rapidamente a “pseudo-posse“ para si, afastando a possibilidade que essa posse tenha acesso a um Dono verdadeiro ou a informações suficientes para fazer a mascara desse pseudo-dono cair.

Como essa não é uma relação baseada em posse verdadeira, a posse primeiro aprende sobre relações BDSM de forma errônea e depois vê esta relação que vive entrar em colapso rapidamente, pois não é baseada justamente nessa posse verdadeira. O processo bizarro da dança das coleiras começa aí para a posse ou o que é pior, fica traumatizada por ter se entregado de verdade a um Dono de mentira e sofrido as conseqüências disso, se afastando em definitivo sem ter tido a chance de conhecer uma verdadeira relação BDSM.

Então é fundamental entender que da mesma forma que é muito arriscado “casar” com um desconhecido no mundo Baunilha, é uma atitude absurdamente irresponsável se encoleirar ou se deixar encoleirar em uma relação com alguém que se conheceu a poucos dias em uma sala de bate-papo.

Um Dono experiente e responsável jamais colocaria uma coleira em alguém de imediato, pois sabe de todas as responsabilidades inerentes a isso. Ele sabe também que uma coleira prende mais ao Dono, pois esse tem que conduzir, doutrinar, treinar e cuidar da sua posse. Ele sabe que essas relações são bem mais do que spanking e uso sexual.

Então só resta deixar uma mensagem às posses novatas. Não percam a perspectiva de que o Universo BDSM é maravilhoso, mas esconde trastes e entre estes alguns particularmente perigosos. Também não deve esquecer que depois que estiver a mercê de um traste desses pouca coisa vai restar a se fazer além de rezar mentalmente, pois de mordaça vai ficar complicado gritar pelo auxílio de Deus ou de quem quer que seja.

GLADIUS MAXIMUS


► Coleiras – Dança
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5 comentários:

  1. Meus parabens pelo belo texto, que relamente mostra a ralidade e o que ta acontecendo no BDSM, este mundo maravilho......

    Grande Abraco

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  2. Anônimo19.4.09

    Um texto que descreve bem uma realidade vista cada vez mais com frequencia no meio.
    Coleiras parece ter virado objeto de coleção, quem tem mais.
    Muitas nem chegam a serem consumadas, basta que se tenha iniciais para agregar oa nome.
    Devolve-se hoje, depois de amanha ja se tem novo dono, nova sub...
    Depois reclama-se de abusos, decepções.

    Denise

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  3. Anônimo18.5.14

    em relação a ultima frase do post, sempre me perguntei se algum Dominador faria uma cena em que a posse esteja amordaçada e amarrada simultaneamente. Se isso acontecer ela não tem como usar a safe word, eu sei que não é o objetivo de nenhuma das partes usá-la, mas mesmo assim é importante ter esse recurso. Como se faz nesse caso?

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    Respostas
    1. Na realidade, a safe word é um sinal sonoro pré combinado no sentido de possibilitar que a parte que está recebendo uma determinada técnica, avisar a quem está executando a técnica que, seja lá pelo motivo que for, a atividade tem que ser interrompida.

      E se a tal técnica envolver algo que impossibilite a "vítima" a proferir a safe word, existem forma alternativas desse "aviso" ser viabilizado.

      Por exemplo, ainda não vi mordaças completamente eficientes, ou seja, que impeçam a emissão de qualquer tipo de som. Elas são feitas para impedir que se fale, não que se emita sons. Então nesse caso, pode-se combinar uma safe especial de "três urros específicos seguidos".

      Na hipótese de que a técnica impeça qualquer tipo de vocalização, alguma maneira de permitir para a parte que se submete avise que algo vai mal, como deixa que a parte segure algum objeto que quando solto sirva no lugar da safe.

      Mas tudo isso ainda não é o bastante. Um Dominante é responsável pelos seus parceiros. Então, o próprio bom senso, concentração e sensibilidade devem estar focado na ação, para que perceba o limite que as vezes nem o próprio parceiro conhece.

      Vi um caso no documentário "Mil formas de morrer" que foi uma perfeita representação disso. Uma "Domme", vestiu o seu parceiro com uma roupa de látex que o cobria dos pés a cabeça.

      E o amordaçou... e o amarrou... e o espancou.

      E o moço era alérgico a látex e nem sabia disso.

      E ele urrava... e ela batia mais achando que ele estava "no clima".

      Ela gozou... ele morreu.

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  4. Anônimo30.1.15

    Muito bom! Parabéns pelo o artigo.

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