Ambientes Temáticos BDSM

Cada dominador tem sua liturgia e preferências, e cabe ao sub ter bom senso. Em sua opinião, o que um sub pode ou não fazer em público? Considere como público os ambientes com pessoas do universo BDSM. Desconsidere regras de etiqueta e educação normal.

Um submisso (menino ou menina) deve fazer exatamente o que o seu proprietário ordena ou deseja. Seja lá em que local for. Contudo, o Dominante tem que ter o bom senso para medir o grau de exposição que seu objeto e/ou ambiente têm condições de suportar.

Poderia ser feita a seguinte pergunta: “mas se o meu proprietário não tiver o bom senso para medir o grau de exposição adequada?”. A resposta vale para este caso e para qualquer outro de exercício de poder: “Se acha que seu proprietário não reúne as condições necessárias para cuidar e guiar você... procure um que possa reuni-las”.

Acredito que uma das melhores coisas que o meio BDSM proporciona é justamente a oportunidade de vivenciarmos nossa natureza Dominante ou submissa diante de pessoas que, em tese, não irão se escandalizar com o nosso comportamento.

Freqüentei muitas festas, eventos e reuniões com pessoas do universo BDSM e nesses momentos pude observar na maioria dos presentes uma completa tolerância ao que é dito “diferente”. Aliás, é muito comum em festas SM ver grupos de fetichistas diversos circulando e interagindo sem ninguém se sentir incomodado.

Quanto aos ambientes temáticos, considero como tais, qualquer lugar que possa reunir pessoas que compartilham do universo BDSM e adjacências, independente do formato. Ou seja, pode ser uma balada, uma festa formal, uma reunião litúrgica (seguindo a liturgia específica do grupo reunido) ou mesmo um churrasco.

São ambientes, portanto, em que podemos viver de acordo com a nossa verdadeira natureza. E sem dúvida, é muito bom poder ver submissos servindo e Dominantes reinando. Nada mais prazeroso para um adepto do observar e se deliciar com o advento das pequenas “bolhas dimensionais” ocorrendo aqui e ali. No entanto, mesmo em festas e eventos temáticos, BDSM de verdade ocorre de forma rara e esparsa.

Quanto ao que pode ou não pode, depende não só da vontade do Dono/a, mas também do responsável pela reunião. Então, se pretende fazer algo de extravagante, é de bom tom trazê-lo ao conhecimento do dono da festa.

Não obstante, qualquer situação que se apresente demandará por algum tipo de etiqueta. E isso é algo que não deve ser desconsiderado, embora não precise se transformar em uma obsessão. Ou seja, na maioria dos casos, basta àquela educação básica, aprendida lá no “berço” com o papai e a mamãe, para se evitar uma situação crítica.

Vi submissos servindo aos seus Proprietários completamente nus em certas reuniões. Já vi cenas de spanking provocando poças de sangue ou sendo levadas às “raias do exagero” a primeira vista.

Já presenciei uma cena de spanking aparentemente insano em uma festa, com várias pessoas chocadas e indignadas por sua aparência não consensual. Enquanto a cena rolava, o Proprietário seguia aparentemente indiferente aos apelos de sua escrava que dizia: “pára, pára, não agüento mais”... isso tudo com uma carinha aparentemente desesperada. E o pior... vi vários ditos experientes, se deixando levar pelas aparências... chegando ao limite de interromper a cena. O que os ditos experientes esquecem é o básico do básico: a safeword.

Creio que se alguém tem o direito de interromper uma cena é o dono da festa. O que pode e o que não pode é algo bastante subjetivo e ninguém melhor para medir isso do que o responsável pela organização e pelas regras básicas do evento. Se é o bom senso e as regras do responsável por uma festa baunilha que definem o  “quão bêbado” uma pessoa pode ficar antes de ser convidada a se retirar, é também o bom senso do organizador de uma festa BDSM que definirá se uma determinada cena deve ou não ser interrompida. 

Pessoalmente, adoro ouvir os gritos desesperados. A safeword existe exatamente para isso. Ela pode ser “piedade” ou “misericórdia” para os mais conservadores, ou, como no meu caso, uma palavra totalmente fora do contexto.. para deixar bem claro que a brincadeira não está mais divertida ou prazerosa. Cá para nós... um expressão de desespero acompanhada de uns “pára”,  alguns “chega” e outros “não agüento mais” com certeza torna qualquer interação BDSM bem mais intensa.

Já tive na minha mesa três submissas amigas se alternando para saborearem o peso da minha mão em seus rostos e com certeza isso chocou alguns. Porém, entendo que o que é pretendido em termos de atividade deve ser submetido à apreciação da maioria... se a maioria não se incomodar, é válido. A minoria pode, na condição de “incomodado”, se mudar.

Confesso que não consigo assistir uma cena inundada de sangue, ou de spanking insano, puro e sem contexto. Gostei de ver um Dom amigo colocando suas duas escravas no chão, de quatro, para comerem o bolo de aniversário de uma delas (mais ainda, quando gostou da minha sugestão de fazer uma limpar a boca da outra com a língua). Não gostei de ver, na mesma festa, um outro que colocou a escrava dele para fazer o mesmo e ao invés de saborear o momento de submissão da parceira, ficou olhando em volta o efeito que estava causando.

Daí vem a possibilidade de se estender a sua vida BDSM para qualquer lugar, sem que os despreparados se sintam de alguma forma ultrajados, afinal, para eles nada estará acontecendo... Um Dominante pode levar seu bottom para passear com um belo shibari de torso por baixo da roupa ou fazê-lo andar com plugs, clamps e vibradores. Ele vai se divertir sadicamente sem que ninguém possa ver a pequena bolha BDSM formada ali.

Acredito que o bom senso deve sempre nortear qualquer atitude dentro do Universo BDSM (e dos outros também). Sendo assim, as atividades aqui praticadas podem ser estendidas para qualquer universo ou situação. O grande segredo é não chocar os despreparados que estão por perto.

Ambientes Temáticos BDSM Ambientes Temáticos BDSM Reviewed by GLADIUS MAXIMUS on junho 20, 2011 Rating: 5

6 comentários

  1. Anônimo20.6.11

    Parabens por suas colocações Senhor, bem apropriadas.

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  2. Bom demais 'ler você'.

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  3. Anônimo21.9.12

    Nossa, como tudo é novidade, confesso que sinto uma aversão ao saber que as coisas podem chegar tão longe assim. Esse cara q só olhou em volta e não para submissa, por puro exibisionismo mostra até pra mim - leiga no assunto - que é um cara nada preparado (mente pequena). Agora sobre andar com o brinquedinho na rua sem ninguém além do dominador e submissa me fez entender um dos trechos do 50 tons de cinza, acontece isso, e quando li, não tinha entendido bem o porque. Bjs A. Pacheco

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  4. Esse mundo é totalmente desconhecido para mim. Passei a ter curiosidades a partir da leitura da trilogia dos "50 tons". Estou curtindo as informações do seu Blog. Porém, perdoe-me a ignorância (anteriormente já explicada), mas fiquei intrigada com suas afirmativas, as quais considerei contraditórias (?), a julgar pelas tantas vezes que já li em outros post que a relação BDSM é consensual. Se assim o for, por que acontece o "spanking insano" ao ponto de chocar até as pessoas "do meio". Spanking que resulta em "poças de sangue"?... chama-se de isso de consenso?... Se existem os sem noção nesse meio, então como acreditar que as relações são seguras?... Agradeço se responder ao meu comentário, Senhor.
    Ana R.

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    1. O consenso existe apenas entre as pessoas que estão interagindo. Quem assiste não faz parte... se o ambiente é adequado, a velha máxima "e os incomodados que se mudem", cabe como uma luva.

      Quanto às relações serem seguras, acredito que nenhum jogador de futebol entre em campo acreditando que vai sair de maca para um hospital... mas acontece.

      O que vale é saber escolher bem o parceiro, deixar bem claros os limites e contar um pouco com a sorte para que nenhuma fatalidade aconteça, afinal de contas, muita gente já saiu do motel direto para o necrotério... e olha que nada mais que uma transa normal aconteceu lá.

      Voltando às "poças de sangue", só tenho a dizer que pessoalmente acho que o lugar do sangue e dentro do corpo. Não gosto de ver espetáculos sanguinolentos provocados por spanking com ralador de queijo... o que não quer dizer que seja algo absurdo.

      Absurdo é se fazer algo chocante em locais impróprios onde se encontrem pessoas que não são obrigadas a serem expostas a coisas que não foram preparadas ou no mínimo não queiram ver.

      É bom lembrar sempre que os nosso direitos terminam quando começam os direitos dos que nos cercam. Não é só por que a seu parceiro gosta de levar uns tapas na cara que isso pode acontecer na praça de alimentação de um shopping.

      Isso vale para fumaça de cigarro e para som alto. Não temos o direito de incomodar ninguém. Mas se a área é de fumantes... os não fumantes que se retirem.

      Se o jogo de quem faz a cena envolve sangue ou qualquer outra coisa acima do meu nível de tolerância…

      eu apenas me retiro.

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  5. Anônimo20.9.16

    Boa noite Senhor. É sempre um aprendizado ler suas ideias. Sou iniciante no bdsm, tive apenas um mentor o qual seguia uma vertente muito soft, quase bau! Ler essa cumplicidade e força na relação D/s, que ela existe,é muito interessante. Espero encontrar um Dom assim...um dia...Quem sabe. Bj

    Cinnamon Brat BBW

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