Lolitas

BDSM, SM, Sadomasoquismo, dominação, submissão, dominador, submissa, escrava, Fetiches, Etica, Valores, Posturas, Lolitas
Eventualmente me perguntam por que trato as mulheres a minha volta por meninas. Invariavelmente, respondo que todas as mulheres que gosto para mim são meninas e as mais próximas, minhas meninas. Entre elas, minhas já famosas tias-avós octogenárias, fãs incondicionais e deliciosamente jovens de espírito.

Creio que todas as mulheres (e alguns homens) guardam dentro de si aquela menina... sim... aquela... a pré-adolescente que começa a se deslumbrar com os efeitos que suas curvas começam a fazer nos homens mais velhos.


A garotinha sacaninha, que tem o seu corpinho turbinado por um novo design, somado a um festival de hormônios, e agora lida com um novo poder que é o seduzir apenas com a presença.

Isso não acaba e todas sem exceção, não importando a idade, levam esta menininha dentro de si. Esta se manifesta quando acha alguma brecha na armadura construída para sobreviver no mundo selvagem baunilha e a manifestação ocorre em maior ou menor grau, dependendo de como a vida engrossou a armadura.

Mas menininha está lá.

E por uma pequena rachadura essa essência flui e ri. Uma manifestação alegre e feliz da menina boneca tão bem guardada, agora solta e livre para brincar.

Quando, depois de uma boa transição, a mulher encontra com a sua verdadeira natureza, também encontra com a sua menininha interior... sua lolita.

O termo lolita, usado para descrever todo um comportamento feminino muito comum, nasceu do romance de mesmo nome escrito por Vladimir Nabokov começado em 1949, mas só foi publicado em 1955, por causa da resistência das editoras em publicar o romance de um homem de meia idade com uma menina de 12 anos. Este romance foi levado para as telas do cinema primeiro em 1962, dirigido por Stanley Kubrick e tendo como protagonistas, James Mason como Humbert Humbert, Shelley Winters como Charlotte Haze, Peter Sellers como Clare Quilty e Sue Lyon como Dolores “Lolita“ Haze e depois com algumas diferenças em 1997, dirigido por Adrian Lyne e tendo como protagonistas, Jeremy Irons como Humbert Humbert, Melanie Griffith como Charlotte Haze, Frank Langella como Clare Quilty e Dominique Swain como Lolita.


Os filmes diferem entre si muito por causa da época em que foram produzidos, principalmente, com a evolução em termos de sexualidade trazidas pelos novos tempos. Mas fora isso e os desvios naturais que uma adaptação de um livro para o roteiro de filme, as versões se mantém razoavelmente fiéis ao romance.


Natural que uma história com esta intensidade fosse usada para rotular algo que se tornou um dos universos mágicos da sexualidade humana. Um que faz fronteira com o BDSM e é composto por pessoas com a alma de meninas de 12 a 14 anos, não importando a realidade ou o gênero.

Acho importante para um Dominante levar em conta o coeficiente de “lolitismo” que seu parceiro(a), capitalizando em cima disso para alavancar o prazer, e por intensificar o vício e, consequentemente, aumentando o elo que une Dominante e dominado. E, para continuar com os neologismos, o termo Lolita entre os “do ramo”, deu origem ao verbo “lolitar” que seria a atitude de provocar um parceiro mais velho sem que este quebre a barreira invisível que separa as partes.

Faz parte do meu estilo pessoal mapear, sistematicamente, o prazer da parceira com quem estou interagindo. Sempre levei em consideração este coeficiente que a princípio usava como guia no sentido de despir a parceira da sua armadura. A menininha sempre foi o meu alvo e desmontar a armadura a minha especialidade (na verdade uma delas, pois também sou bom em banana flambada, miojo e lasanha de microondas). 

As possibilidades se expandiram quando fui descaradamente “lolitado” em uma festa. Esse delicioso evento eu descrevo, em detalhes, no conto Lolita. Em resumo, ela se aproximou através de um amigo comum e falou que me conhecia de nome e que lia o meu Blog. E começou aí um jogo muito interessante, que culminou em uma grande amizade por uma pessoa que hoje faz parte da minha Casa e que trouxe muita luz sobre este comportamento intenso. 


Para as lolitas ocorre uma volta no tempo, não tão radical quanto a que acontece no infantilismo, que leva os praticantes a uma condição de bebes com fraldas, mamadeiras e chupetinhas incluídas no pacote. As lolitas curtem vestidinhos curtinhos, chamar a atenção de forma inocente e eventualmente uma chupetinha (a mesma dos infantilistas).

A dinâmica está no exercício de provocação e sedução da parte delas e na “indiferença” do parceiro mais velho, deixando que a lolita se sinta segura para poder exercitar sua natureza. Mas elas são criaturas frágeis e precisam de muita segurança para sair das armaduras e “brincar”.

Na outra ponta, o parceiro da lolita recebe em troca da sua atitude de porto seguro dela, o prazer intenso de ser seduzido e ser desejado. Sei que quando uma mulher vai para rua e se chegando à esquina não recebeu pelo menos uma cantada ou olhada sedenta, tem vontade de voltar para casa para ver se algo está errado. Eu pelo contrário, se recebo qualquer cantada ou olhada na rua, dada a extrema raridade, volto para casa para ver que está diferente (obviamente não falo sobre todos os homens, falo apenas por mim).

O importante aqui não é o efeito da sedução da lolita no seu parceiro, pois massagem no ego faz bem a qualquer um e sim como a “vítima” lida com isto. E duas coisas podem acontecer. O parceiro escolhido por ela entende o que acontece, enxerga a lolita e entra no jogo ou... é  apenas um dos subtipos dos “sem noção”, um babão, que no fim, desperta nela seu o lado mais sádico e perverso. Com os babões o jogo da lolita é diferente. Ela os mantém perto o suficiente para que vejam bem o que ela faz mas não tão perto para que façam parte do melhor da “festa”.

Entendi isso rápido na festa... muito babões a perseguindo e ela flutuando entre eles. Ela vinha a mim para conversar e eu era o único que só conversava, pois já tinha entendido como aquilo funcionava. Senti o que o “coroa” do filme Lolita sentia na história e incluí este jogo no meu leque de possibilidades.

De qualquer forma, “lolitar” não é uma atitude restrita às meninas apenas e repito que vale para qualquer combinação de idades e de gêneros.. O jogo se resume a uma parte se fazer de jovem e sacaninha e a outra se fazer de desentendido “pero no mucho”.

Eu recomendo para todos sem maiores contra-indicações e o maior efeito colateral é o de querer adotar a lolita, como eu fiz com a minha. 

GLADIUS MAXIMUS


► Lolitas ]




20 comentários:

  1. Acho que as Lolitas têm a doce ingenuidade da menina, o desejo de mulher e a malícia despudorada de uma fêmea...
    Toda a mulher tem sim uma Lolita dentro de si, mas muitas vezes bloqueada pelos padrões de comportamento definidos pelo mundo baunilha. Algumas almas Lolitas conseguem sobressair e vir à tona, revelando novos mundos e possibilidades.

    Senhor, amo seus textos. Suas palavras alcançam o que há muito está guardado.

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  2. Adorei o texto, inclusive a minha cara de doce rs na foto s2

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  3. Seus textos são claros e concisos, Senhor... Adoro ler o que escreve.Na maioria das vezes, leio mais de uma vez... rs

    Parabéns!

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  4. Adorei seu texto Senhor, e me sinto Lolita até hoje, pois adoro quando despertam este meu lado,rsrs.
    Parabéns.

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  5. Em cada texto encontro um pouco de mim... Mas, sinceramente não sei até que ponto isso é bom.
    Não me acho diferente de nenhuma mulher e mesmo assim me sinto fora dos padrões....
    Gostei muito da parte em que diz: "De qualquer forma, “lolitar” não é uma atitude restrita às meninas apenas e repito que vale para qualquer combinação de idades e de gêneros.".

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  6. Anônimo12.12.12

    Nobre Colega, seu blog é maravilhoso e a forma como escreve idem, mas o caso das "Lolitas", atrevo a dizer elas não são de forma alguma meninas indefesas que buscam um porto seguro. Elas são aquelas que tem plena consciência de seu poder, de tal forma que aqueles que a cercam não a estimulam e os que parecem indiferentes, lhe são os desafios. São as mulheres que vêem de forma clara o quanto são capazes de hipnotizar e dominar um homem, e esse jogo só lhe é atraente se não for feito com os tais "babões", senão tudo se torna fácil e desestimulante. O próprio filme retrata se formos analisar bem, uma dominação masculina e não uma menina indefesa que era dominada ou desprotegida. Ela usa sua "fragilidade" e "ingênuidade falsa" como uma arma para a dominação. A fragilidade de uma "Lolita" está na postura que ela adota de fazer o homem se sentir como seu protetor, sendo que o poder e as rédeas, na verdade, estão nas mãos dela. "Lolitas" são as verdadeiras Dommes.
    Parabéns pelo blog. M. M.

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  7. Anônimo2.2.13

    Depois de ler esse texto, consegui entender um pouco do que eu sou. Existe uma Lolita em mim! =)

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  8. Vanessa4.3.13

    Parabéns,blog sensacional!
    Solucionei várias das minhas dúvidas e lolitar é uma delícia!

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  9. Massa o texto, já vi isso acontecer em contextos baunilhas!

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  10. Adoro miojo e lasanha de microndas
    =)

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  11. Adorei....lolitar....fantástico como sempre com as palavras....sua eterna fã.....

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  12. Anônimo20.12.13

    lolitas sao mulheres em corpo de meninas...ou ate msm em corpo de mulher mas cm o unico intuito provocar...e sinceramente a maioria ...aaa dao conta.adoram ser subjugadas.

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  13. Anônimo21.12.13

    Acho que o interesse pelas lolitas por alguns Dominadores aumentam com a idade, apartir dos 40 anos fica mais evidente o gosto por este jogo. Gosto de tentar perceber de onde surgi estes desejos e logo lembrei das "primas lolitas" ou na "vizinha lolita" muitos homens quando estão na puberdade tem suas primeiras fantasias/experiências sexuais apartir delas e guardam estas vivencias de forma especial e prazerosa ao longo de suas vidas, envelhecer é também voltar a ser o menino (a) dentro de nós. O que tras este comportamento para cena do BDSM é a hierarquia presente.

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  14. sua menina pm9.1.14

    Como sempre perfeito nas palavras e atitudes.

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  15. Anônimo21.5.14

    Eu sou uma Lolita ;) Tenho que me descobrir mais...

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  16. Anônimo7.8.14

    Eu sou uma lolita,e sou uma sub-escrava ainda sou colegial no entanto descobri minha identidade como sub aos 12 anos,estou terminando os estudos,bom resumindo adorei o post o texto sou nova no blog e adorei... Senhor está de Parabéns em breve se possível pretendo fazer um blog tbm pra mostrar como vai minha evolução como sub... eu me inspirei no seu muito bom o blog sr.. Eu sou lolita,uma sub escrava e ainda uma pet hahaha au au auuu auuu au au .... Obrigadinho ótimo blog sr... Lendo vendo e amando... Latidos e lambidas [{wyla de Sade}] DS...

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  17. Mylla4.10.14

    Sempre tive desejos ,vontades e uma perversão
    sexual que reprimia por todos julgar errado......mas agora quero libertar essa lolita dentro de mim......
    Tenho muito o que descobrir de mim mesma!!!!!!!
    Amei o blog.....

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  18. Finalmente alguém que falou com propriedade sobre a complexidade das Lolitas! Normalmente, os BDSMers utilizam a subcategoria Lolita como um sinônimo de middle, que é muito errado! Obrigada pelas suas palavras maravilhosas. :)

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  19. Anônimo19.4.16

    Não sou do meio BDSM, mas tenho muita curiosidade e, por sorte, encontrei o seu blog. Até então os 3 textos que li me foi completamente claro. Esse me deixou intrigada.
    De antemão, Desculpa desde já se o que escreverei a seguir seja totalmente nada a ver, se interpretei de maneira totalmente equivocada.

    Entendi, em termos simples, o texto assim: " 'Lolita'como algo interno, independentemente da idade. Que com a puberdade, em qualquer gênero, há uma descoberta do seu poder de sedução e atração exercidos no outro. Um momento em que cada ser está descobrindo, conhecendo e procurando entender a sua sexualidade. Contudo, vejo que o texto é concordante com o ato sexual, de acordo com a forma de cada um, de pessoas mais velhas com pessoas menores independentemente da idade. " Entendi corretamente?

    Há várias pessoas no mundo e cada cabeça é um, só quero entender melhor tua posição a cerca e saber se essa visão tem a ver com o BDSM real e correeto ao qual você prega. Olha, não quero nada que se limite à dizer "isso é do mundo baunilha", por gentileza, uma vez que vejo esse texto como mais declaração pessoal, não sei. Enfim, eu realmente não entendi direito.

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    1. Vamos por partes...

      A Lolita e sua essência é um comportamento que independe se sexo e da idade (e possivelmente até de gênero ou alinhamento sexual).

      Este comportamento pertence a um universo paralelo chamado Age Play, onde interagem especificamente pessoas que curtem a diferença de idade. Isso pode ser de forma figurativa e também literal. O comportamento da "parte jovem" vai desde bebe, passando por todas as fases da infância e chegando até a do adolescente.

      A Lolita não é um comportamento que pertence ao BDSM, lembrando que BDSM é formado de Hierarquia e verdade... e só. O Age Play faz fronteira com o BDSM quando na interação ocorre a hierarquia.

      Sua colocação não ficou bem clara quando diz que "o texto é concordante com o ato sexual, de acordo com a forma de cada um, de pessoas mais velhas com pessoas menores independentemente da idade". Se estes "menores" se referem a menores de idade (menor de 18 anos no Brasil), se equivocou. Em nenhum momento faço apologia e nem ao menos concordo com que menores de idade interajam com adultos, seja lá em que universo de relacionamentos afetivos for.

      Mas se essa colocação se refere à interação de pessoas mais velhas com pessoas mais novas (maiores de 18), o texto não é concordante e nem discordante, pois este jogo é psicológico e de comportamento, sendo a idade cronológica irrelevante.

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