14.11.12

Minhas histórias - Lolita


As festas temáticas dentro do BDSM têm uma característica que, particularmente, gosto. O fato de este Universo ser baseado em hierarquia e verdade termina sendo também uma dimensão de tolerância e aceitação do “diferente”.

Os mais variados tipos dos Universos adjacentes tendem a se sentir a vontade para viverem suas respectivas naturezas num lugar onde realmente ninguém se sente nem ofendido e nem ultrajado.


E lá estava eu, no mezanino que da uma boa visão da pista de dança e das mesas. Apoiado de cotovelos num corrimão tubular de metal fazendo uma
das coisas que mais gosto de fazer... observar.


Observar para mim é algo natural. Não sou bom em reconhecer pessoas por instinto então, sistematicamente, observo o cenário checando se as ideias correspondem aos fatos. Somando isso a um lado meu todo voyer, mais a sensibilidade natural do designer (minha profissão) e a curiosidade instintiva sobre o comportamento humano, termino sendo um obsessivo devorador de informações visuais.

A festa rolando intensa e abaixo de mim um rol imenso de entes humanos que deixaram seus personagens baunilha na chapelaria da festa. A maioria apenas saindo de um personagem para interpretar outro.

Entre eles, flutuando em meio à multidão de um lado para o outro, um pequeno ponto de luz. De repente não conseguia mais tirar os olhos dela e comecei a observar os detalhes para tentar entender o porquê.

Duas coisas me chamaram a atenção a princípio. De um lado um efeito devastador que a simples presença dela causava na vizinhança imediata a ela e, de outro, uma aparente completa indiferença da parte dela em relação aos danos causados por este efeito.

Um velho amigo se aproxima e ao meu lado também se posiciona de cotovelos no corrimão tubular e comenta, “que menina linda”. Nesse momento percebi que o efeito causado por ela não era apenas local.

Coxas grossas, cintura fina, carinha de anjo, ou seja, nada de tão especial assim, numa primeira avaliação, era apenas uma mulher linda, algo que basicamente não me chamaria à atenção, pois para chamar a minha atenção a fêmea tem que ser muito  mais do que linda... e ela esta estava chamando a minha... e de toda a festa.

Ela ia de um lado para o outro flutuando e o caminho se abria para ela. Mulheres incomodadas, homens se virando para olhar e ainda um pequeno séquito de babões para os quais ela dedicava o melhor de sua indiferença.

Uma menina linda como aquela, circulando entre todos, parando para conversar a cada passo e aparentemente desacompanhada. Realmente, um espécime novo que merecia ser observado um pouco mais de  perto. Um tipo de personagem que tinha visto em ação em um filme, que em parte mexeu comigo, quando assisti na década de noventa, e que tinha o nome de “lolita”.

Desci para o meio da arena e me posicionei bem no centro do salão. Depois de vários amigos que me abordaram para cumprimentar, um deles parou e o papo se estendeu um pouco. Do nada entra em cena ela... a lolita... derrubando por completo o raciocínio da pessoa que falava comigo.

Ele era um conhecido dela que se aproveitou disso para uma abordagem espetacular. Com o meu amigo emudecido ela me olha direto nos olhos e com uma carinha de anjo dispara. Você é o GLADIUS? 

Ok... a menina me impressionou com a abordagem franca e direta. Não consegui deter um sorrisinho e respondi que sim. Ela abriu um enorme sorriso que iluminou um rosto perfeito, daqueles que nasceram para serem fotografados,  e também iluminou a minha a noite.

Parecia uma criança... tanto no jeito de falar, quanto no comportamento. Tudo isso dentro de um belo corpo de fêmea. Naquele instante, cenas do filme lolita começaram a passar na minha mente. Ela sabia o que estava fazendo e começou a falar do meu Blog e de que gostava do que eu escrevia.

Assim, o jogo da lolita comigo começou. Enquanto eu começava a mapear o que aquele ser reluzente, fiz o que faço de melhor.... comecei a jogar também com ela.

Acho que ela se sentiu à vontade para jogar comigo, por causa de dois comportamentos que são um padrão. Para começar, não me intimido com nenhum tipo de criatura. Também não é um hábito de minha parte “atacar” ou no mínimo exercer qualquer tipo de pressão sobre uma mulher. Resumindo, eu não me abalo e nem disparo cantadas.

O assunto sobre os textos do Blog se estendeu para filosofia BDSM e eu me sentia comentando uma aula com uma aluninha muito interessada. Daquelas mais interessadas mais no professor do que na aula.

Não gosto de ficar em pé durante muito tempo e disse a ela que iria sentar. Fui para o palco e lá sentei na beirada. Ela veio e se sentou ao meu lado... colada no meu corpo. Na hora eu senti a eletricidade e a intensidade daquele pequeno ato de transgressão. Ela cruzou um limite, porque sabia que eu não iria reagir ou misturar as coisas... estávamos jogando... a intensidade aumentando... e ela se sentindo cada vez mais a vontade para me “lolitar”... e lolitou.

Às vezes um dos personagens que ela atraia se a atrevia a tentar entrar no jogo... mas o  que estes não entendiam é que este não  é um jogo para personagens. Assim, como o BDSM verdadeiro, o jogo das lolitas é para gente grande. 

Eu me sentindo cada vez mais velho e ela... mais nova.

Ela se completando trazendo a sua menininha a tona e eu me completando em dar a segurança e a base para que tudo isso acontecesse. Sentia um misto de êxtase e satisfação em ter sido escolhido para estar naquele jogo.

Então no momento certo a liberei... não  queria que a conversa se tornasse enfadonha e cansasse a criança que conversava comigo. Levantei pedindo licença e me fui. Olhei para traz e pisquei para ela ainda sentadinha no palco. Ela me devolveu a piscadela com o sorrisinho mais maroto e sacana que já tinha visto.

A festa seguiu... papeei com várias pessoas... subi no palco para dar dicas de chicote longo para duas iniciantes... ela seguiu flutuando pela festa.... ela e seu séquito de personagens babões. 

Eventualmente nossos olhares se cruzavam...  trocavamos sorrisos discretos, marotos e cheios de cumplicidade... era o jogo continuando... algo que ninguém mais estava vendo acontecer.

Já no final da festa,  fui para um sofá de canto. Ele fica numa espécie de degrau que o deixa mais alto, fazendo com que seja um posto de observação  privilegiado. E lá descansei enquanto a lolita parecia estar em todos os lugares para onde eu olhava.

Por algum motivo para mim desconhecido naquele momento, ela começou a provocar a todos que podia. Chegando, agarrando e beijando na boca. Fez isso com meninos e meninas. Mas não com os babões... que se limitavam a segui-la de perto. Era como se ela quisesse mostrar para os babões quem mandava ali.

Mas uma coisa estava bem fora do que ela estava acostumada. Eu. 

O único que em muito tempo não se curvou diante dela. Que não quis corromper a “menininha”.

De repente e do nada surge a molequinha sentada no braço do sofá e com o corpo voltado para mim. Se debruça e começa um papinho com amenidades diversas... o objetivo dela ali não era conversar... era viver a sua lolita... e o meu... degustar toda uma nova gama sensações e possibilidades.

Então se afastou para mais uma rodada de desbunde geral e humilhação imposta aos babões e depois voltou.

Voltou para o grande desfecho... e que desfecho. 

Voltou para o braço do sofá e me olhou direto nos olhos. Nesse momento eu falei que me preparava para ir embora e ela se atirou na minha direção montando na minha coxa e ficando bem de frente ... de pernas bem abertas e quase me encoxando. 

Parou com a boca a milímetros da minha.

Era seu último e derradeiro teste. De minha parte, mantive a bola em jogo, me fazendo de indiferente e deixando que ela se extasiasse com a sua menininha totalmente desnudada e segura no meu colo.

Senti a tensão chegar no limite... senti a respiração e a satisfação quase orgástica da parte dela. Falei pra ela em tom de brincadeira... foi bom para você? Ela entendeu e sorriu. E de repente este Dominador que vos fala, acostumado a escravizar, usar e abusar impiedosamente de algumas fêmeas especiais, sentiu vontade de algo diferente. 

Olhando para aqueles rosto angelical tive a vontade de no lugar de escravizar, criar uma lolita de estimação. Um tipo de mulher que não seria feliz como escrava, que não é em nada submissa, que se presa, perderia o seu brilho e felicidade. 

Uma lolita nasceu para ser livre e só um moleque idiota tentaria aprisionar um ser que ama flutuar e provocar. Que é perfeito do jeito que é e que sempre que alguém tentar pegar, como o ar, vai escapar entre os dedos.

Eu com a minha boca a milímetros da dela falei... vc se aproximou... sabe o meu nome... e com certeza, se quiser, vai saber como me achar. A segurei de forma firme pela cabeça e dei um beijo paternal na sua testa.

Fim do jogo. Resultado... um delicioso empate.

Ela sorriu, acariciou meu rosto com o dela como se fosse uma gatinha manhosa e se afastou.

Me despedi dos amigos e me fui.

Na mesma madrugada ela me achou... 

e ganhou um “Tio” (maneira preferida por ela para se referir a mim)

e eu...

uma lolita de estimação.




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11 comentários:

  1. Me deixaste sem palavras com esta história...talvez por me reconhecer em alguma parte dela ou por simplesmente recordar o tempo em que Lolita fui... um tempo em que a presença marcava, um olhar queimava e um toque era como um chicote açoitando a pele.

    Bem, abstenho-me de falar do passado e volto a elogiar seu texto e a capacidade dar singularidade à situação que às vezes nos passa desapercebida, fazendo de um simples momento, O MOMENTO quase mágico para quem consegue voar em tuas palavras.

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  2. Fico agradecida com o conto tio, e sabe que nada mais é do que um encanto ser sua lolita. Não tenho explicações para explicar o quanto você tem sido um.... tio para mim! HAHA S2 lovely family!

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  3. Anônimo30.11.12

    Adorei a parte que diz que nao seria feliz como escrava...Lolitar sim...

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  4. Adoreiiii! Queria ler mais destes....

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  5. Anônimo2.2.13

    Adorei o texto!

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  6. Sagaz e preciso = perfeito!

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  7. Anônimo13.4.13

    amei o texto... achei super interessante a sua abordagem...e é certo q toda mulher tem um pouco de lolita... e eu que entrei no seu blog esperando aprender sobre o bdsm,acabei aprendendo ainda mais sobre mim... :) no entanto era melhor quando existia a doce ilusão de querer ser sub. infelizmente agora eu sei q dificilmente vou axar alguem q me complete pq na verdade eu nasci pra ser livre... mas adorei o blog. muito bom !

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  8. ANDREIA15.7.13

    TEXTO MARAVILHOSO,TAMBEM SOU UMA OBSERVADORA NATA. CONSIGO ENTENDER COMO NINGUEM ESSA SINGULARIDADE SUA. SIMPLESMENTE PETRIFIQUEI COM A HISTORIA, ME DEIXOU SEM FOLEGO!

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  9. Anônimo15.3.14

    Estou encantada.. Parece mais um trecho de um longo livro a uma linda historia.. E lolitar, eh, nao sei explicar...

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  10. Devo ter sido Lolita!! Mas, no meu caso, nem dava bola para nada, muitas vezes, nem percebia. Devido a aparência de mais nova, sempre enganei os afoitos "tios". Na verdade, a arte de provocar, ser "predadora" como eu denominei, sempre fez minha cabeça. A propósito, estou gostando muito dos seus textos. Escreva mais, sempre.

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  11. Anônimo21.12.14

    Boa noite caro Gladius...Sou uma dominatrix atuante na zona sul do Rio. Meu nome é Lady Nyx...Homens como vc reconheço logo. Um lobo conhece o outro, a tal Lolita é uma menina simples e linda. Adoraria domina-lá, já que em meu acervo a submissos e submissas, trabalho com uma vasta clientela. Bom a questão da observação não é comigo. Quando eu chego nas noites, eles já sabem quem eu sou e vem. A diferença de um dom e uma domme é que o homem vai atrás e a mulher atrai sua presa. Hoje me encontro a 12 anos nesta profisso nortuna. De dia empresaria de noite Lady Nyx. Tive o prazer de conhecer Dom Jonas em São Paulo...Mas acabei tendo uma rincha por uma submissa que roubei dele rsrsrs. Como ele no chicotinho rs. Bom bjs e bye

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