Deficientes Físicos no BDSM


Comentário publicado no post   “BDSM: Dominador Ideal

Geniosa disse... Sr.Gladius 
Como percebi que e muito claro e objetivo em tudo que escreve, será que poderia fazer a gentileza de responder uma pergunta que e importante pra mim, se uma deficiente física nao cadeirante como eu pode entrar nesse universo a parte ou se o "pre - conceito" tb existe como no resto da sociedade impossibilitando a realização de desejos.Isso pode virar um post se desejar.

Particularmente, não gosto deste termo, prefiro chamá-los de pessoas com necessidades especiais por ser politicamente correto e, esteticamente menos agressivo.

A realidade curta e grossa é que, de uma forma ou de outra, são pessoas segregadas e sofrem muito com a discriminação. Talvez, pelo fato do ser humano ter uma tendência de buscar o perfeito, o equilibrado, o saudável, estas pessoas que geralmente tem as suas deficiências bem visíveis, são colocadas a margem de uma sociedade dita “normal”. 

Coisas como rampas e elevadores para cadeirantes e rotulagem alternativa em braile para deficientes visuais, são sinais de que a sociedade começa a dar um mínimo de condições para que estas pessoas tenham uma melhor qualidade de vida... mas isso é recente.

Uma coisa que sempre percebi desde que comecei a circular pelos “meios” BDSM, é a completa aceitação do “diferente” (pelo menos de forma visível). Isto é notório, e evidente nos eventos onde tribos de Universos paralelos ao do BDSM como das Cross Dressers (meninos que gostam de se vestir como meninas), Podólatras (pessoas que curtem os pés de outras pessoas) entre outras, se sentem completamente à vontade para viverem suas naturezas e fantasias.

Uma festa BDSM é simplesmente o lugar onde existe uma maior tolerância em relação às coisas ditas, “não normais”, o que sempre me leva a pensar no que, afinal de contas, é normal.

As diferenças entre deficientes físicos e pessoas “normais” vão se encontrar nos limites específicos que cada deficiência promove para o seu portador. E mais, todos têm algum limite, sendo às vezes físico e outras psicológico. Algumas pessoas não curtem sexo anal, outras não podem nem ver uma agulha hipodérmica e existem até pessoas com problemas de claustrofobia, inviabilizando brincadeiras de confinamento ou mumificação. 

O limite do deficiente vai estar justamente nas questões práticas onde a sua deficiência específica interfere. Mas é apenas um detalhe impeditivo que pode ser superado com paciência, criatividade e boa vontade. Um bom exemplo disso é uma amiga submissa que nasceu sem o braço direito. Além de dificultar um pouco nas brincadeiras com algemas ou imobilizações com cordas, não há nada que a desabone como escrava.

Ela leva tudo absolutamente numa boa pelo por ter nascido com a deficiência e não ter perdido o membro já crescida. Ela cresceu com essa realidade, então para ela é absolutamente normal.  Coincidentemente para pessoas com esse tipo de deficiência, existe um universo, muito difundido na Europa, chamado “Amputee”, onde todo o fetiche está justamente focado em pessoas com ausência de algum membro.

As deficiências físicas não são o problema... o problema está na cabeça das pessoas onde as reais limitações se encontram, tanto as que têm deficiências quanto as que não tem. Se assim fosse, eu não teria presenciado um Dominador paraplégico desfilando com suas três escravas, todos felizes da vida em uma festa BDSM... e não chocando ninguém com isso (pelo menos não aparentemente).

Mas existem sim certas deficiências que não podem transitar pelo universo BDSM. Para começar pessoas portadoras de deficiência mental, com problemas psicológicos, psiquiátricos ou qualquer coisa que comprometa a sua capacidade de discernimento entre o que é certo ou errado, não devem ser aceitas para qualquer tipo de atividade BDSM. Para os riscos e a intensidade envolvidos em uma interação deste tipo, é absolutamente necessário o completo entendimento da natureza de todas as atividades ali praticadas e as possíveis conseqüências desse ato.

Completamente deslocados são os portadores de SDVE (Síndrome da Deficiência de Valores Elevados - Acabei de inventar isso agora), ou seja, o grupo de pessoas que não entenderam que os valores do BDSM são outros bem diferentes dos que foram aprendidos no Mundo Baunilha. 

Nem preciso falar que os portadores de deficiência de caráter, honestidade, e ética, também devem ser mantidos longe deste universo onde reinam o bom senso, a verdade e a tolerância. 

Honestamente, estes devem ser mantidos fora de qualquer universo.

Enfim, o BDSM é um universo onde o principal órgão sexual estimulado é o cérebro, portanto pessoas que tem deficiências físicas não só têm plenas condições de transitar por ele, como também têm a total condição de obter, não só todo tipo de prazer, como também um nível de aceitação pouco comum nos outros universos da interação humana. Universos estes que precisam com urgência redefinir o que é normal.


10 comentários:

  1. Obrigada pela abordagem, mais uma vez parabenizo, um beijo grande da tua fã rs.
    Dida

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  2. Muito bom..Deixando preconceito longe do nosso universo. BDSM tem lugar pra todos desde que sejam obedecidas a ética, honestidade e acima de tudo o SSC.

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  3. geniosa24.9.12

    Obrigada pelo post, bem ao estilo GLADIUS: verdadeiro e direto,qualidades que passei a encontrar em cada um de seus textos desde que encontrei seu blog.Gosto de pessoas assim, auttênticas,que nos sacodem e fazem pensar sob diferentes ângulos.
    Um grande beijo

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  4. Anônimo25.9.12

    Perfeita postagem!

    Não há o que se questionar em suas palavras, o BDSM não é o lugar para os ditos "normais" não pode haver nele nenhum tipo de preconceito apenas o respeito pelo gosto de cada um entre os praticantes e a consensualidade.

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  5. Muito bom este post assim como outros que tenho lido por aqui. Sou autor de Contos Eróticos, eu sempre procurei bastante sobre o universo BDSM, e te falo que o teu blog é um dos melhores neste assunto.

    Sou um Dominador, realizo jogos BDSM com minha atual namorada, parceira e escrava. Sou novo no assunto mas o fato é que uma vez dentro deste mundo dificilmente você quer sair.

    Parabéns e o teu blog esta na lista de blogs que eu recomendo. Se tiver curiosidade é só acessar senhordoscontos.blogspot.com

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  6. Saudações, Senhor Gladius!

    Retomando hoje minha vida blogueira, não podia deixar de vir porque aqui é certo encontrar bons e interessantes textos, como este.
    Parabéns e sucesso sempre, Senhor.

    Abraço respeitoso

    Amar Yasmine

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  7. Anônimo8.10.12

    Como disse Mario Quintana:
    'Deficiente é aquele que não consegue modificar a vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino...'

    Mais uma vez, parabéns!!

    Será que um dia vc vai escrever algo que eu não goste??? Beijos, beijos, beijos.

    Bell

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  8. Anônimo6.3.14

    Bom dia!
    Saudações, Sr Gladius Maximus!
    Depois de dois casamentos baunilhas, diga-se fracassados, resolvi assumir meu lado BDSM como DOM que havia deixado de lado há alguns anos. Ao retornar ao ambiente BDSM vi muitas coisas diferentes acontecendo; tive que re-aprender alguns "comportamentos" e conceitos.
    Porém em minha volta como DOM tive uma experiência singular com uma deficiente física, e posso garantir que ela seria capaz de muito mais! Como o Sr bem disse, BDSM está centrado no dito "não-normal" e devemos aceitar e respeitar estas pessoas que já sofrem pre-conceitos da "sociedade" hipócrita e dita como "correta"!

    Abraços! e continue com o bom trabalho!

    DOM Prince!

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  9. Admiro seu trabalho, Senhor, perfeito. Meus respeitos. Negrasonia.

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  10. Apreciando seu trabalho, Senhor, perfeito. Meus respeitos.

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