Subspace e Domspace no BDSM

“Subspace“ é uma palavra que deriva de “hyperspace” (ou hiperespaço). 

E quando falamos de hiperespaço estamos nos referindo ao espaço hipotético de mais de três dimensões, que foi emprestado para a ficção científica a fim de descrever o “espaço” que uma nave está enquanto percorre enormes distâncias através de um “worm hole” (buraco de minhoca ou verme – termo científico) ou dobra espacial (termo usado em Star Trek – Jornada nas Estrelas).

Assim, se o hiperespaço é um lugar hipotético, que vai além do espaço mensurável, “subspace” é o momento em que o bottom (submisso) tem a sua consciência levada para outro plano ou dimensão em função de um contexto BDSM bem construído e das descargas de adrenalina e endorfinas despejadas em seu organismo, conseqüentes da intensidade e profundidade da situação.

“Subspace”, portanto, é o estado para onde a consciência do submisso vai quando a entrega do seu corpo e mente são completas, ou seja, ele perde o controle sobre si mesmo. 

“Domspace” por analogia, e dentro dos conceitos normalmente utilizados no meio BDSM, ocorreria quando o Top não tivesse controle nem sobre a situação, nem sobre si mesmo, algo que simplesmente não pode existir.

É comum se confundir o estado de plenitude com o de perda de controle e existe de fato um momento onde o Dominante, tendo vários fatores e condições alinhadas, traz para fora toda a sua natureza de fera, com direito também à adrenalina e às endorfinas. Uma condição fantástica de prazer extremo só experimentada por poucos privilegiados... neste caso, poderia até chamar tal condição de “Domspace” o que seria até um bom nome. Mas mesmo nela, não cabe perda de controle.

E em minha opinião a razão é muito simples... não existe esta opção para um Dominador. Perder o controle sobre si, sobre seu(s) parceiro(s) ou sobre a situação é algo simplesmente inaceitável. Basta um segundo de perda de controle... e a “brincadeira” pode terminar muito mal.

Então, fica aqui a minha definição para a palavra: 

Domspace: condição onde o Top, tendo vários fatores e condições alinhados, traz à tona toda a sua natureza de dominante. É um estado em que o Top e seu parceiro alcançam uma conexão perfeita, ainda que esta ocorra por um breve momento. É um estado de fluxo, onde a concentração é tão grande que existe sim uma desconexão com tudo aquilo que está fora do foco. Tudo (e todos fora do eixo de atenção do Dominante) simplesmente desaparece. Tudo apenas flui, sem que em nenhum momento o Dominante perca a razão e o controle sobre toda a situação. 

Falando da minha própria experiência, em algumas oportunidades aconteceram pequenos acidentes de percurso bem no auge do estado de fluxo. Desde uma chicotada que pegou no lugar errado, tornando a interação nem um pouco prazerosa, indo até o limite da parceira em crise de hipoglicemia. Perdi a conta das vezes que parei as atividades, pelo simples fato de que, se dependesse da parceira em subspace, a sessão iria parar mesmo no hospital. 

Contudo, em todos os casos tive a oportunidade de experimentar e comprovar que esse estado de fluxo, de atenção e foco completos, também atua diretamente em relação à segurança. Não danificar o brinquedo é uma cláusula pétrea e qualquer coisa que aconteça de errado com a parceira faz com que este fluxo se desestabilize. 

E tudo pára... 

instantaneamente.

Resumindo, “Domspace” e “Subspace” são estados completamente diferentes, que às vezes ocorrem em um mesmo momento onde o “Subspace” é a perda de contato com a realidade da parte que se submete e o “Domspace” é um estado de fluxo em que o Dominante não perde a consciência plena do que faz nunca e que a perda do controle simplesmente não existe. 



4 comentários:

  1. Para chegar ao ponto de saber o 'momento exato' de parar, acredito eu que...só com muitos anos de pratica, sensibilidade aguçada e RESPEITO ao parceiro.
    A posição de DOM realmente é infinitamente mais difícil, vendo por esse ângulo, ja que está lidando com vidas totalmente entregues e tem, q em segundos...decidir entre o prazer extremo e a segurança.
    Ja aproveitando a deixa, fica aqui uma questão.
    É comum uma sessão entre pessoas inexperientes ir parar no hospital?

    BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!

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  2. Anônimo7.5.11

    medo imensamente grande de um descontrole "DOMspacial", pq tudo que queremos num momento de entrega plena é um porto seguro, passar por este risco danificaria o brinquedo de forma extrema...Ótimo texto Senhor... bjs

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  3. Tá aí uma boa pergunta. Não existe nenhum tipo de pesquisa ou estatística sobre o assunto. Mas pensando bem, em qualquer atividade um pouco mais radical a experiência sempre conta a favor da segurança, mas mesmo assim, volta e meia coisas banais como futebol ou uma simples aula de artes marciais não terminam bem.

    A dica é ir devagar e estudar muito um determinado assunto antes de começar a praticar e quando resolver começar... ir devagar.

    GLADIUS

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  4. Eu experimentei subspace em minha iniciação. Perdi total controle sobre mim mesma, me tornei uma marionete nas mãos do Dominador. Meu Dono atual já tem a opinião de que isso não é tão saudável, pois eu poderia acabar deixando passar dos meus limites sem perceber e me machucar ou ter algum dano causado no meu corpo.

    Gostei muito de sua definição. A perda do controle é prazerosa para o bottom. O controle total e absoluto por sua vez é o que realiza um Dominante.

    Saudações, Senhor

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