9.7.16

Bondage meditativo: os benefícios para o sexo e os relacionamentos


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Questionário para montagem de matéria publicada no "UOL Estilo de Vida" sobre Bondage Meditativo (Meditar com o corpo amarrado é fetiche que promete mais intimidade na cama...)

*Pode nos explicar como funciona o bondage? É sempre um dominador e o outro dominado? Esta prática envolve sentir dor, ou depende de cada um?


Existe uma coisa que deve ser ficar bem clara: Confinamento com cordas é Bondage, mas Bondage não se limita a apenas isso. "Bondage" pela tradução literal significa basicamente "Escravização" e dentro do Universo BDSM, "Confinamento". 

Confinamento que a parte que Domina impõe a parte que se submete, no sentido de enfatizar a diferença hierárquica de poder, através do controle de um sobre o outro. Este confinamento pode ser efetivado de diversas maneiras.

Além das cordas incluídas, uma parte pode imobilizar a outra com correntes, algemas, braceletes e tornozeleiras de couro, equipamento de contenção hospitalar, jaulas, filmes de PVC culinário e até com as próprias mãos.

Bondage no BDSM é o estado de Domínio físico que uma parte impõe a outra. Sempre com uma parte Dominando a outra, mas o Bondage como técnica pura e simples pode ser praticado por parceiros sem relação de Domínio.

A prática do Bondage em si não envolve prazer ou dor além do próprio confinamento, mas pode sem problema algum ser combinada com outras técnicas e procedimentos que venham a causar estes efeitos. Quais técnicas e procedimentos e o quanto de intensidades serão impostos, é o que diferenciará o processo, dependendo de cada um.


*No caso do bondage meditativo, o par amarra o outro para ele se sentir seguro, algo parecido como quando as mães envolvem o bebê em uma manta. Isso, de fato, pode melhorar o relacionamento e o sexo?


No BDSM existe um efeito que chamo de "Escravidão que Liberta". Para se entender isso, precisamos perceber o quanto temos de travas psicológicas e o quanto elas nos afetam e limitam.

Ocorre de forma subconsciente um "não posso me debater ou gritar o quanto gosto ou preciso para atingir níveis elevados de prazer, por isso vou machucar ou assustar meu parceiro".

E essa trava psicológica sabota de forma muito eficiente nossa capacidade tanto de percepção quando te relaxamento.

Quando a parte que se submete está confinada (e controlada), por qualquer coisa que imponha limites físicos e reais, ela fica livre para colidir com estes limites. Ela pode se debater e gritar a vontade, pois cordas (ou qualquer outro aparato) e mordaças (dos mais variados tipos) vão deixar bem evidentes onde sua liberdade termina.

Existe sim certo conforto no confinamento, afinal de contas, nos formamos no ambiente de confinamento do útero materno. E desde sempre, a prática de confinar o bebê o acalma. Prática que caiu em desuso no final do século passado e que agora volta com a força do óbvio, na utilização principalmente de Slings (porta bebes ou bebe bags).

Este conforto advindo do confinamento pode colaborar em muito com todas as sensações geradas por qualquer tipo de interação, que podem ser tanto dentro do BDSM quanto de cunho sexual e afetivo.


*No bondage “normal”, por estar amarrado, passa-se também uma ideia de segurança? Ou apenas de dominação?


O Bondage "normal" é apenas uma prática que pode ter muitas variantes técnicas. O fato é que uma parte está se deixando imobilizar por outra e ficando, consequentemente, indefesa para esta. Para este tipo de prática, independente de ter algum ingrediente de dominação, se faz necessário que a parte que se deixa imobilizar tenha confiança absoluta em seu parceiro, logo a ideia de segurança é inerente ao processo.


*Você acredita que o bondage meditativo pode ser uma forma de entrar em contato com sexualidade num nível mais profundo?


No BDSM, o principal órgão sexual é o cérebro e tudo o que acontece neste universo tem a ver com estados de percepção aguçados, alta intensidade em tudo e contato com a sua própria natureza e com a sua sexualidade em níveis profundos.
Buscamos a plenitude, e o Bondage é um instrumento eficiente para tudo isso. Se o Bondage funciona bem para o BDSM, deve funcionar também nessa forma meditativa e sem relação de poder, para quem quer apenas meditar ou atingir níveis diferentes e mais profundos de prazer.

*Para você, no que o bondage pode trazer de benefícios para o relacionamento do casal?


Casais podem sempre se beneficiar de práticas e técnicas de outros universos de relações afetivas. O Bondage em especial é uma prática simples de ser aprendida e se executada com o devido cuidado e atenção não oferece riscos.

Tanto nessa nova forma meditativa quanto na "normal", para quem gosta de apimentar a relação, sem dúvida, os benefícios compensarão de longe as dificuldades da sua curva de aprendizagem.


GLADIUS MAXIMUS

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3 comentários:

  1. Boa noite, muito interessante essa técnica e um texto delicioso de se ler, como sempre! Parabéns!

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  2. Amei!

    Muito esclarecedor,

    Sdds

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  3. Estar imobilizada me remete a sensações extremas e deliciosas de verdadeira entrega ao Dono. A restrição de movimentos é libertadora, pois à medida que o Dono manipula meu corpo assim ou apenas me observa é como se eu me soltasse das amarras psicológicas de uma educação moral recebida na adolescência, por exemplo. E nesse momento estou literalmente entregue às vontades dele. Simplesmente demais! Amo! E mais... porque sei que quando o Dono faz isso comigo sente enorme prazer e eu nasci pra isso...ser objeto de seu prazer sempre. Entretanto, sempre me pergunto : quem sente mais prazer? O Dono ou a posse?

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