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29.5.15

BDSM e o diferente

“Olá Gladius, tudo bem ? Pairava no "pai" (de santo haha) Google e acabei pousando aqui, e confesso que seu blog foi muito instrutivo para mim, que sou completamente pedestre nesse universo que é o BDSM (fui instigado a saber mais sobre pela minha tão adorada mesmo que de leitura rasa e primária, trilogia 50 tons de cinza). Seria muita petulância ou abuso de minha parte pedir para que disserte mais sobre o BDSM em relação à 2 (ou mais) "iguais" ? Sei que você é heterossexual, mas boa parte de mim duvida muito que alguém tão maduro e com a mente tão expandida e livre como você se recusaria a dissertar sobre alguns pontos que diferem o BDSM hetero para o homoafetivo, obrigado ! Atenciosamente, José Augusto.”




Há muito tempo, em uma galáxia muito distante, na verdade, há uns três anos, rolou num café aqui na esquina de casa…fui procurado por um homem que estava interessado em me servir.

Minha primeira reação foi de estranheza, pois apesar de já ter recebido todo o tipo de abordagem de todo tipo de pessoa dentro do BDSM, esta em especial me deixou curioso, pois ele se dizia hetero.

Ele disse: “Gosto de mulheres, mas tenho uma fantasia de servir como mordomo para um Dominador.” Isso de verdade mexeu comigo. Comecei a pensar na infinidade de possibilidades em ter um mordomo e de verdade, levei a sério essa proposta.

Marquei um café aqui na esquina de casa e fui encontrar com essa figura. Já vi muitas fantasias sexuais bizarras, mas essa era inédita.

Foi naquela ocasião que comecei a meditar sobre a questão da combinação de gêneros nas atividades BDSM, buscando na minha memória tudo o que já tinha visto, vivido, ou, ao menos ouvido falar sobre o assunto.

Me lembrei  dos amigos, das conversas, das relações, dos eventos, enfim, de tudo. A primeira palavra que me veio à cabeça para descrever a situação foi: tolerância.

Fiz amizades com pessoas das mais incríveis que conheci na vida e de todos os alinhamentos. Uma rainha que tinha um escravo “Cross Dresser”; uma “Switcher” que pertencia a uma Domme e que possuía dois escravos e uma escrava; um Dom paraplégico que possuía três escravas. Isso só para citar algumas misturas mais interessantes, pois, combinações do mesmo sexo são muito comuns.

Nas festas, eventos e reuniões BDSM, a palavra tolerância vem inteira, pois nestas ocasiões várias tribos se reúnem como se fosse a grande Babilônia da sexualidade humana. Já fui em muitas festas de tribos e subculturas diversas, mas nunca vi nada igual ao que ocorre em uma festa BDSM e fetiches.

Todas as tribos, credos e cores juntas e misturadas. Couro, vinil, cordas, borracha e tudo mais que possa vestir e despir. Pessoas dominando pessoas. Pessoas sendo surradas e surrando. Uma miríade de possibilidades ocorrendo em um lugar só.

Os mais religiosos chamariam de Sodoma e Gomorra. Eu vejo como o Paraíso, pois, no meu entendimento, o paraíso é o local aonde as pessoas podem viver o que são aceitando que o diferente também possa existir… e conviver.

Parando para pensar um pouco, uma boa parte das agressões que são infringidas de um ser humano em outro são originadas na intolerância de quem agride em relação ao seu semelhante não tão semelhante.

Sexualidade, credo, cor, nível social, cor do cabelo e por aí vai. Sempre vai existir um grupo de trastes para implicar com o que não entende e em outras épocas, muita gente terminou em fogueiras ou câmaras de gás apenas por ter nascido diferente. 

Acho que essa convergência de criaturas diferentes no BDSM se dá pela própria natureza desse universo, que é formado em sua base de hierarquia e verdade. Como isso é percebido apenas por pessoas de elevado nível intelecto-cultural, essas já trazem consigo um alto nível de tolerância em relação ao que é diferente. 

Quando uma relação é baseada em hierarquia, as partes se alimentam do fluxo de poder em primeira instância, ficando todas as outras questões em um nível secundário. Um Dominante é respeitado pela sua capacidade de Dominar e de agrupar posses de qualidade a sua volta, ficando os aspectos de cor, sexo, sexualidade, credo, cor das unhas e seja mais lá o que se possa pensar, relegados a um plano completamente irrelevante.

Ahh, mas eu não sou isento de preconceito... simplesmente não consigo tolerar os intolerantes, os racistas, os sectários extremistas, os pulhas, os pobres de espírito, os “fakes” e tudo mais de escória que a espécie humana pôde gerar em sua evolução. Não consigo suportar parasitas, tanto os que ocorrem na natureza quanto os de natureza quase humana.

 Agora, por outro lado, tolerar algo não é uma indicação de que eu deva aceitar tudo que existe para a minha vida em específico. Há muitas coisas que não entendo e que não servem para mim. Não entendo como um homem possa sentir tesão em outro ou em se vestir de mulher, mesmo sendo heterossexual. Também não consigo sentir prazer vendo atividades envolvendo sangue (que acho que deve ficar dentro do corpo) e coisas bizarras envolvendo porcarias em geral.

Não entendo e não preciso entender, na medida em que aceito que tenham direito de existir. Até por que tenho certeza que muita gente não vai entender o meu gosto bizarro em transformar fêmeas da espécie em objetos de uso e abuso extremo (mas somente as que se completam com isso).

Voltando a história mordomo, a conversa no café foi boa e estava indo bem enquanto eu imaginava as reuniões BDSM em casa, recebendo amigos com um mordomo a lá Alfred do Batman, uniformizado e estático em um canto aguardando ordens.

Mas ele não tinha me contado a história toda. Comecei a reparar na hora que já bem animado coloquei a possibilidade de emprestá-lo para as Dommes amigas em visita, já que interagir fisicamente com alguém do mesmo sexo para mim é limite e ele rejeitou a possibilidade de pronto. 

Achei muito estranho um submisso hetero recusar a iteração física com uma Domme. Ele disse que a fantasia dele era específica e que queria servir apenas a mim e a ninguém mais. E tudo ficou bem claro quando acrescentou que além de servir queria cuidar dos meus pés, como um pedicuro, cuidando das unhas e massageando meus pés com creme. A criatura na verdade era um podólatra de pés masculinos e estava disfarçando essa sua natureza para atingir o seu objetivo maior.

Nada contra… tenho bons amigos podólatras… e até as vezes me acho um “Deuso” (Deusas, são como as mulheres não necessariamente dominantes que interagem com podólatras são chamadas), pois faço com que todas as minhas parceiras idolatrem e cuidem dos meus pés… mas daí para deixar um macho da espécie fazer isso, tem uma distância intransponível.

Não vejo problemas maiores em exercer poder em relação a uma pessoa do mesmo sexo que eu e até me preparei para algo assim, na medida que, tendo posses que são “switchers” (pessoas que se completam tanto dominando quanto se submetendo), acabaria por ter um escravo de uma delas como subalterno. Mas interação física de qualquer espécie é algo fora de questão.

No mais, sigo sempre na direção do “viva e deixe viver” de forma global na minha vida e se todos fizessem o mesmo, este mundo seria bem melhor de se viver.

Fui obrigado a expandir o tema de relações homoafetivas para o que é diferente, pela razão de que o fundamento se sobrepõe a todo o resto. Uma pessoa, seja ela lá de que tipo for, tem o direito de se relacionar com outra que a complete. Todas as formas de relação são válidas desde que, todas as partes que a compõe estejam de acordo.

Enfim, o sexo, alinhamento sexual ou seu gosto por chulé de macho é o menos relevante ficando isso para o nível interno da relação, ou seja, das coisas em comum que mantém as pessoas juntas… mas isso, já é outra história.

GLADIUS MAXIMUS
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5 comentários:

  1. Gosto dos seus textos e me admiro cada vez mais em conhecer sua forma de pensar a vida. Assim como devemos exercer a tolerância, é importante manter a mente aberta em todos os aspectos da vida. Até mesmo para se dar a oportunidade de mudar de ideia ou de reafirmar suas práticas e valores, não desvalorizando as demais. De fato alguns fetiches são bastante intrigantes...

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  2. Que bom que o Senhor retornou às atividades. Parabéns pelo texto.

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  3. Anônimo9.12.15

    Impossível não parar para ler seus textos. Como sempre, muito bem escritos!
    Acompanho e sempre irei acompanhar seu diário.
    Bjs Lolita de Petrocity

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  4. Sangue que deve ficar dentro do corpo e chulé de macho... hihihihi mooorrrtttaaa! Adoro seus textos, fora que seu humor por vezes ácido são um deleite a parte.

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*** Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

*** Quando falo de Dominadores, submissas e relações... vale para todos os gêneros e combinações. O que importa em uma relação BDSM é a posição hierárquica da parte (dominante ou submissa).

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