Marcas no BDSM

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Marca feita com elástico de
dinheiro. Profunda, mas com
tratamento some em poucos dias.
Falam por aí que BDSM deixa marcas e que estas marcas poderiam não só dificultar como até impedir que uma pessoa casada, com o anseio de ser submissa venha a ter uma relação nesse Universo, paralela ao seu casamento.

Em primeira instância isso pode parecer verdade, mas não é preciso ser uma pessoa muito atenta para perceber que o número de pessoas casadas que circulam pelo Universo BDSM, com ou “sem noção”, é de fato muito grande.


Na questão da vida dupla, esse foi um ponto que mudei de opinião ao longo do tempo. A mudança foi tanta que provocou a atualização do texto sobre Pessoas Casadas no BDSM, e vem da constatação da minha visão simplista anterior, de que a tal “vida dupla” era provocada pelo colapso natural de relação baunilha, demandando da ocorrência da hipocrisia, da mentira e do conformismo. E no final, terminando em adultério como consequência. Somando o anseio de ser submissa (ou dominante), resulta apenas em um muro maior a ser pulado… o muro que separa o mundo baunilha para o BDSM.

A mudança de opinião foi simples… muitos fatores externos podem fazer com que a pessoa que tem a Dominação ou submissão como parte fundamental das suas naturezas, simplesmente não tenham como sair da atual relação baunilha já colapsada.

São fatores diversos e normalmente situacionais, mas que de alguma forma as impedem de por um fim, restando a elas a escolha de romper as barreiras da relação para viverem a verdade do que são, mesmo que de forma parcial e fragmentada.

Marcas

Uma das coisas que fazem estas pessoas temerem as relações BDSM, é o mito de que uma relação dessa natureza resulta em marcas pelo corpo. Este tema, marcas, merece por si só um texto pela sua importância dentro do BDSM, mas aqui é importante ficar claro que, da mesma forma que são importantes, também são completamente dispensáveis.

Existem pessoas com este fetiche e amam as marcas que deixam ou que ganham na própria pele, do qual foi resultado das atividades, procedimentos e técnicas. Entretanto, marcas não fazem parte fundamentalmente do BDSM.

É bom lembrar que BDSM é hierarquia e verdade, logo, quem adentra a este universo vem para se completar, dominando ou se submetendo. Todas as técnicas, procedimentos e liturgias, somados as fantasias sexuais e fetiches dos participantes, servem apenas para enfatizar essa diferença de poder. Todo o resto é perfumaria ou blá blá blá.


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O Flogger é o brinquedo ideal para iniciantes. Feito de materiais e formatos diversos, quando utilizado com moderação provoca apenas vermelhão na pele que some em poucas horas.

As marcas, com exceção das feitas de propósito pelos mais variados motivos, são apenas consequências principalmente das técnicas de spanking (hematomas) e de aprisionamentos diversos, como cordas correntes ou couro (vermelhões e sulcos onde foi feita a técnica). Duram mais ou menos tempo na pele dependendo da profundidade e extensão do dano, versus o cuidado posterior. Os vermelhões somem naturalmente em horas e os hematomas somem em alguns dias, podendo ter a sua “cura” acelerada pela aplicação de cremes específicos para este fim.

Marcas são apreciadas pela maioria dos adeptos por contarem uma “história”, pelo fetiche puro e simples ou apenas pela beleza em si que está nos olhos de quem vê, mas por mais apreciadas que sejam e a “vítima” as ame, em alguns casos específicos as marcas não são apenas indesejadas como também inconvenientes.

Pode ser no caso de uma pessoa que trabalhe com atendimento de pessoas e use um uniforme que exponha braços e pescoço por exemplo ou uma modelo que não possa ter marca de espécie alguma no corpo. Pessoas que até gostariam muito de portar marcas pelo corpo todo mas possuem essa limitação. Tanto para estas, quanto para as que mantém a vida dupla, as marcas são não apenas inconvenientes, são um limite.

Dois mitos em relação ao BDSM. Um é que BDSM é Spanking (marcas) e o outro que BDSM é Shibari (pessoas imobilizadas com cordas de maneira artística e em geral penduradas no teto) e nada disso “é” BDSM. Tanto Spanking quanto Shibari têm seus próprios universos paralelos ao do BDSM e não “são” BDSM quando não existe hierarquia neles.


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O Cinto de Couro é uma ferramenta de fácil utilização. Qualquer um serve e deve ser usado com moderação, pois além do risco da batida de lado, um pouco de força a mais pode resultar em roxos multi coloridos, lindos, mas um problema quando indesejados.

Existem vários Shibaristas que não são Dominadores, apenas gostam da arte em si, da mesma forma que conheço pessoas que gostam de bater ou apanhar de forma pura e simples, sem hierarquia. E é na hora que se coloca hierarquia nestas técnicas que eles fazem fronteira com o BDSM.

Estes mitos vêm do fato simples de que 99% das cenas em eventos temáticos são: de pessoas apanhando, de pessoas amarradas penduradas no teto e de pessoas amarradas (ou não) penduradas no teto (ou não) apanhando.

Isto apenas para os iniciantes que ainda não ''ouvem por completo a música que dançamos'' (Parafraseando Nietzsche), pois os verdadeiros adeptos percebem que as melhores cenas não ocorrem nos palcos e sim nos cantos, com os Dominantes sendo servidos pelas suas posses.

O melhor deste Universo está na essência que se extrai do fluxo Dominação/submissão, e o quanto uma pessoa percebe essa essência e se nutre dela, é uma boa medida do quanto “BDSM” ela é.

Resumindo, BDSM é hierarquia e esta pode ser vivida tranquilamente sem “porradaria” e violência. Nada contra, até gosto (com quem gosta), mas na condição de Dominador, primariamente bebo da submissão. Sendo minha parceira uma comissária de bordo, modelo ou casada, não irei deixar de beber do néctar da sua submissão apenas por não poder deixar marcas, quando posso saciar-me sem deixar vestígios.

Cuidado 

E é aí que entra o cuidado. 

Cuidado de saber antes as reais limitações quanto a marcas - Em geral estas são delimitadas apenas por áreas; o tipo de pele (já que algumas são mais sensíveis do que outras), fantasias e fetiches da posse.

Cuidado durante a ação para que nenhum acidente de percurso ocorra e uma eventual marca acabe acontecendo. Aqui o foco do Dominante tem que ser completo, e citando o meu caso como exemplo, o perigo de marcas nem se situa nas técnicas e sim na pegada que é potente e profunda. Normalmente deixo mais marcas de pegadas e dentes do que das técnicas de spanking ou imobilizações.


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Cane é um bastão fino. Pode ser feito de bambu, rattan, plástico entre outros. Suas marcas são apreciadas pelo seu formato e precisão. Não é aconselhada para iniciantes pelos danos profundos que provoca e pelos riscos no seu uso indevido.

E mais, uma pessoa que não pode ficar marcada e gosta de spanking e imobilizações não precisa ser condenada a evitar essas práticas, bastando ao Dominante escolher bem as ferramentas. Para o Spanking existem floggers de pelica e outros materiais suaves que deixam apenas vermelhões temporários. Também qualquer outro brinquedo utilizado para spanking operado,por mãos experientes não vai deixar marcas duradouras. E quanto as imobilizações, existem cordas de algodão bem macio e para não se correr nenhum risco, braceletes e tornozeleiras de contenção hospitalar feitas de espuma e velcro.

O cuidado posterior é no sentido de disfarçar da melhor maneira possível, camuflando ou evitando a exposição de eventuais vermelhões ou marcas acidentais.

Responsabilidade

O Dominante é sempre responsável pela sua posse, pois este deve ter o controle total da situação. Por este motivo é importante o foco no que se está fazendo. Erros que possam prejudicar sua posse em qualquer área da vida dela fora do BDSM não é opção.

Cabe à parte que se submete escolher muito bem com quem vai interagir, pois depois que estiver amarrada, amordaçada e vendada, só vai ter a Divindade em que acredita para recorrer.

O maior “perigo” se encontra nos “sem noção” que circulam pelo BDSM, alguns auto proclamados “dominadores”, que desfilam grande conhecimento ''Google-adquirido'' quando na verdade estão pelo sadismo e  sexo fácil. Felizmente existem também no BDSM as “sem noção” que não se dão valor e são fáceis. É um espetáculo triste de se ver, mas se todas as partes envolvidas estão de acordo é válido.

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Assim como a Cane, o Chicote Longo é um "brinquedo" que deve ser utilizado depois de muito treino supervisionado por pessoas experientes. O problema maior nem está no dano e sim na dificuldade de se aplicar o golpe onde se quer e isso, só depois de muitas horas tentando apagar velas sem danificá-las.

A parte Dominante sempre cuidará dos seus parceiros seja qual for o nível da relação BDSM. Desde uma relação entre Play Partners, Dominador/dominado (que equivale ao “namoro” e onde as partes se avaliam) chegando até a de Possuidor/posse (relação estabelecida após um período de tempo onde as  partes com alguma noção consolidam a relação como sendo de posse completa e verdadeira, podendo esta ser celebrada com o uso de uma coleira do seu proprietário pela posse).

O cuidado é inerente a posição do Dominante sempre. É dever do Dominante ser guardião, o que conduz e também o porto seguro. Seu poder é composto em sua totalidade pelo poder que a parte que se submete doa sobre si mesma. Sempre, só vai restar ao Dominante exercer esse poder com responsabilidade e coerência, entendendo o tamanho do privilégio que é merecer uma confiança desta magnitude de quem se submete.

Cruzando o limiar

Uma pessoa quando quer muito alguma coisa, da um jeito de fazer acontecer. Submissa ou Dominante , com ou sem fatores externos que a impeçam de terminar a relação afetiva atual, podem escolher ter e manter relações paralelas.

Não cabe a mim e nem a ninguém julgar o mérito dos motivos que levam pessoas a terem relações paralelas, estando elas localizadas no mundo baunilha ou além do limiar para o Universo BDSM. 


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E se nada mais estiver a mão, sempre podemos recorrer "a mão". Palmadas são intensas por carregarem consigo muita força de contexto. Simples de aplicar, forte no efeito e com o devido cuidado pode ser aplicada em qualquer contexto BDSM.

O importante aqui é ter em mente que o BDSM é um parque de diversões com brinquedos radicais, um tipo de relação que ocorre em uma mesa de jogo onde as apostas são altas e com grandes possibilidades de ganhos, principalmente de intensidade, profundidade e plenitude. Em contrapartida, grandes apostas geram  grandes riscos como: tombos gigantes devido aos efeitos colaterais de um Elo BDSM rompido, danos psicológicos e físicos em resposta ás escolhas erradas em relação a parceiros.

BDSM é para pessoas adultas, inteligentes, cultas, resolvidas e conscientes de onde estão se metendo. 

Existem muitas razões para não se viver o BDSM e marcas no corpo não é uma delas.

GLADIUS MAXIMUS



► Marcas no BDSM




10 comentários:

  1. Nem tudo nesse mundo é preto ou branco como diria uma pessoa que conheço. Realmente existe vários fatores que impedem uma pessoa de romper essa barreira que impõe certas limitações para quem quer viver o BDSM de forma plena. Devo dizer que tenho minhas ressalvas sobre isso, já que penso que mais dias ou menos dias a verdade sempre transborda a superfície e quem acaba sofrendo as consequências na maioria das vezes são terceiros que estão próximos e que não possuem "culpa" de nada.

    Sobre as marcas, me preocupo mais com as psicológicas do que as físicas, essas passam, as outras...

    NS

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  2. Anônimo10.1.15

    Mais uma vez quero parabenizar pelo post senhor. Muito bom seu texto e para mim muito esclarecedor, sendo que para mim essa sempre foi uma grande duvida, pois não posso ter marcas pelo corpo.
    Ass: sub. Jani

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  3. Anônimo3.2.15

    Simplesmente incrível o post..obrigada muito esclarecedor como sempre palavras muito bem utilizadas sem sombra de duvidas estou encantada com tamanha inteligência...cada vez mais apaixonada por esse blog..

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  4. Anônimo7.2.15

    Existe amor, paixão ou so prazer?

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  5. Anônimo23.4.15

    Olá Gladius, tudo bem ? Pairava no "pai" (de santo haha) Google e acabei pousando aqui, e confesso que seu blog foi muito instrutivo para mim, que sou completamente pedestre nesse universo que é o BDSM (fui instigado a saber mais sobre pela minha tão adorada mesmo que de leitura rasa e primária, trilogia 50 tons de cinza). Seria muita petulância ou abuso de minha parte pedir para que disserte mais sobre o BDSm em relação à 2 (ou mais) "iguais" ? Sei que você é heterossexual, mas boa parte de mim duvida muito que alguém tão maduro e com a mente tão expandida e livre como você se recusaria a dissertar sobre alguns pontos que diferem o BDSM hetero para o homoafetivo, obrigado ! Atenciosamente, José Augusto.

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    1. Em resumo, acredito que o BDSM pela sua própria natureza não faz esse tipo de abordagem ser relevante, pois a base é a hierarquia e não gostos ou características pessoais. O post que vou escrever vai englobar isso... e irá além... vou falar sobre o diferente. Um bom tema para um post... e logo que postar volto aqui para colar o link.

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    2. E conforme o prometido:

      http://www.gladiusbdsm.com/2015/05/o-bdsm-e-o-diferente.html

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  6. Senhor Gladius aprendendo dia-a-dia grata
    Cada dia mais apaixonada pelos seus post's muito esclarecedores

    Sub Ioiô

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  7. Anônimo26.8.16

    Professor Gladius, descobri seu blog essa semana e já estou encantada. Gosto do seu estilo de escrita, nada vulgar, muito pelo contrário. Eu diria que seus textos são sofisticados e extremamente didáticos. Claro que li poucos, ainda, mas me esclareceram muito. Pegando esse como exemplo, eu já gostava da questão de marcas, antes mesmo de me identificar com esse mundo. Como vc, sou adepta das marcas naturais (pegadas fortes, dentes e palmadas). Mas, deve ser pq não gosto de dores. Enfim, só queria que soubesse que seu blog ajuda pessoas como eu (caretas) a tentar mudar.
    Att,
    Maria

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