22.5.09

Relações BDSM - Formatos

Existe um momento numa relação BDSM verdadeira onde as partes passam por um teste de fogo. É precisamente quando a ligação chega num nível de intimidade e confiança tais que o submisso passa a fazer parte do Top. Nesse momento a conexão é tão forte que os sentimentos atrapalham a visão da lógica e do bom senso, ficando difícil para esse submisso lidar com o fato de seu Top ter outras posses.
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A coisa complica quando esse submisso atinge um grau de importância tal que a relação evolui para alguma forma de 24/7. É real tanto quando o submisso passa a viver de forma marital com seu top ou este Top passa a ser o sentido da vida do submisso, mesmo a distância.
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Complica por vários motivos. As vezes por uma sensação errônea de posse do submisso em relação ao seu Top por uma perda de foco ocasional na relação BDSM, terminando por sucumbir a uma visão baunilha de igualdade em termos em termos hierárquicos. Igualdade essa que não existe.
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Fazendo um paralelo para ilustrar melhor o todo comparando um Dom com um Mustang (o carro). Ë difícil para uma posse verdadeira ver o seu Mustang, que cuida e mantém lindo com tanto carinho, sendo usado por pessoas não devidamente qualificadas para isso. Mulheres fortes e poderosas normalmente vêm com ciúme e possessividade no pacote.
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Esse é um raciocínio interessante só que tem dois erros de fundamento. O primeiro é que a submissa não possui esse Mustang e sim é possuída por ele. O segundo, como esse Mustang não pode ser guiado, ele está mais de acordo com o animal do que com o carro, tanto em comportamento quanto na alma.
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O Mustang é um animal selvagem e indomável. Um líder que forma e guia um grupo e que desse grupo vai escolher uma potranca especial para ser a sua fêmea alfa.
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O exemplo do carro já se encaixa bem quando é observado do ponto de vista do Dominador em relação a sua posse, pois eu realmente tenho reservas em relação a habilitação de quem eu poderia emprestar minha Ferrari.
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Acredito que um Dominador de verdade tem que ser um Dominador na sua vida toda e não estar Dominador quando se veste de preto e empunha um chicote. Deve ser um líder nato, forte, vigoroso e de atitude. Deve começar sendo Dominador na sua própria casa.
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Existem alguns formatos possíveis para uma relação de um Top com um submissa alfa e o caso mais fácil de equilibrar entre a vida baunilha e o BDSM é quando a sub de um Dominador é bissexual. Assim a sub-alfa pode usufruir do prazer da multiplicidade de relações do Dono de forma completa.
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Se o básico é seguido e a sub-alfa foca na sua relação com o Dono como quando não era alfa e fecha os olhos para o que acontece de paralelo, a dor da “divisão” é bem mais suportável, afinal, o que os olhos não vêem o coração não sente. É uma saída fácil porque já é um instrumento de equilíbrio padrão nas relações do mundo baunilha.
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Falei dos exemplos da bissexual e da conformada. O que fazer com a que ama obsessivamente e não está devidamente preparada para a intensidade de um Mustang? Uma mulher como essa sofre o grande dilema onde ela ama e aceita o Mustang como ele é, mas ao mesmo tempo sofre com a sua natureza.
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Na dúvida entre a própria sanidade e a dor da perda esta com certeza, a sub-alfa vai escolher se afastar de tudo, incluída nisso a sua própria natureza de escrava. Ela fica para trás.
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A saída é o caminho do meio, do equilíbrio. Um Dominador evoluído tem o seu plantel bem escolhido e já prefere viver o seu BDSM de forma particular. Ele deve dar prioridade total a sua vida baunilha e BDSM com a sua Alfa e deve cuidar de seu plantel de forma secundária e completamente isolada dela.
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Para a sub-alfa a atitude correta também é a do equilíbrio. Deve viver a relação com seu Dono de forma também prioritária e fazer foco apenas nisso, confiando e acreditando na condução, liderança e bom senso dele. Deve também se manter de mente aberta e pronta para ser conduzida por Ele.
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Para o Dominador fica mais fácil se ele já superou jardim da infância do BDSM que é esse meio caótico, e não precisa mais dessa visibilidade e glamour. A partir do momento que ele entende que não precisa mais exibir as suas posses, ou seja, tem toda a questão de auto-estima e auto-afirmação equacionadas, muitas outras portas se abrem. Se o Dom aprendeu a lidar com o poder que lhe é investido, não se deixando corromper por esse poder ou permitindo que ele lhe suba à cabeça, transformando-o em um déspota inconsequente, ele pode focar no que é realmente importante.
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Separar a sua posse verdadeira dos seus brinquedos é essencial. Também é essencial manter os seus brinquedos cientes da sua condição de brinquedos. Meros objetos para uso do Dominador apenas e tão somente dentro do universo BDSM. Uma das coisas que diferencia o mundo Baunilha do BDSM é que o BDSM só funciona bem com todas as cartas na mesa. O maior erro dos brinquedos é se aproximarem do meio por influência de uma História de Ó e no meio do caminho esquecem de que Ó é um mero objeto.
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Mesmo evoluído o Dom não deve esquecer-se do “São” do SSC, ou seja, é essencial a separação da vida baunilha das atividades BDSM e nunca se deve permitir que uma prejudique a outra.
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A alfa já deve amar e idolatrar seu Dono e este deve se manter merecedor dessa devoção.

GLADIUS MAXIMUS


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7 comentários:

  1. Concordo quando o nivel aprofunda tanto que se confunde e se funde. É justamente aí que reside a confiança, porque foi traçado um caminho até chegar a tanto. É justamente isso que se pode esperar de uma relação Ds - envolvimento dentro dos meandros delimitados pelo prazer bdsm. (:

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  2. Olhe...você é quem melhor escreve dentro do meio, tudo que está escrito neste texto já passou pela minha cabeça e racionalizadamente.
    Você coloca em palavras...super bem e sem erros de português (que dariam nos nervos). Ótimo...é um prazer ler seus textos.

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  3. Max, querido...
    Cada dia aprendo mais com o senhor.
    Nunca deixe a escrita. Como o senhor mesmo disse, gastasse mais energia com ela, e tudo em que aplica sua energia me é interessante.

    Beijo.

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  4. Gladius, estou descobrindo este mundo. Gostaria de entender melhor a respeito.
    Tem como uma pessoa gostar de ser escrava e ser dominante? Como se descobre uma coisa ou outra? Como é a prática dominante?
    (ps. conheci um podólatra que já me deu vários sinais de gostar de ser escravo. estou querendo entender melhor este mundo.) POr favor.

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  5. Por partes.

    Fico feliz em saber desse seu momento de descoberta... é sempre muito gratificante observar pessoas rompendo a casquinha do casulo do Mundo Baunilha e estendendo as asas.

    Entender melhor a respeito é uma atitude absolutamente necessária, que vai evitar que fique perdida por muito tempo no limbo que existe entre os universos.

    Pessoas que gostam de tanto dominar quanto se submeter são uma ocorrência tão comum que até tem um nome no Universo BDSM. O nome é Switcher. Ele forma com os Dominadores e submissos as três categorias de pessoas que habitam este Universo.

    Esta descoberta e todas as outras vão ser frutos da viagem interior absolutamente necessária nessa difícil transição.

    A prática Dominante em específico pode ser encarada em dois níveis. Um nível básico e focado na utilização das práticas e técnicas de Dominação e um outro bem mais avançado, onde se faz uso do poder propriamente dito sobre a outra pessoa que se entrega e confia. Para o primeiro nível, qualquer um, você incluída está apta a experimentar, desde que saiba exatamente o que está fazendo, tanto em relação às técnicas empregadas quanto aos aspectos de Sanidade, Segurança e Consensualidade.

    Se você já começa com um amigo/parceiro que se propõe a interagir com você, te mostrando o caminho das pedras, você já começa bem e querer entender melhor esse mundo é o que mais faço... bem-vinda ao meu mundo.

    GLADIUS

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  6. Esse universo bdsm me encanta. Porem tenho muitas dúvidas e medos. Como um dominante age? Como é a vida de um(a) sub.? Pq existem muitos que se dizem dominadoes porem vejo que estão equivocados e me passam mais por idiotas e arrogantes do propriamente dominadores. Vejo e analiso virtualmente, mas quando se trata de virtual precisa de cuidados pq nem todos sabem, nem toda informação é verdadeira. Estou confusa. Dominar ou submeter? Baunilha já não agrada, quero mais.

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    Respostas
    1. Fica difícil sintetizar em poucas palavras, como um Dominante deve agir, mas entre tantas coisas a serem ditas posso destacar o seguinte, citando aqui como exemplo o caso do Dominante menino que é o que mais conheço, mas colocando que no caso da Dominante menina a estrada não é muito diferente.

      Os Dominadores são, antes de começarem no seu processo de evolução nesta área específica, seres humanos consistentes e coerentes com a sua humanidade, Homens completos, e perfeitos Cavalheiros.

      Como o BDSM é formado de hierarquia e verdade, toda conduta do Dominante tem ser baseada na autoridade conquistada sobre a parte que se submete. Isso o obriga a ser uma pessoa melhor a cada dia, pois a autoridade e formada inclusive pela admiração do valor da parte que Domina pela parte que se submete.

      A parte que se submete, em contraponto, se completa na subserviência dirigida a parte que Domina. Simples assim.

      Toda a ação do Dominante na relação será de forma oposta complementar a da pessoa que se submete e a dinâmica desta relação será definida pelos "encontros" entre as preferências e pelo respeito aos limites das partes envolvidas, sejam lá quantas forem.

      São dois os fatores a serem destacados aqui.

      O primeiro em relação ao Dominante se refere ao fato de que dentro do seu território são suas as regras. Cabe a parte que se submete decidir se entra ou não neste território. Decidindo pela entrada, e descontadas as condições negociadas dos limites, a parte que se submete deve jogar este jogo conforme as regras do Dominante.

      O segundo em relação à parte que se submete tem a ver com os seus "poderes". Além do direito mútuo do estabelecimento dos limites de cada um na relação, a parte que se submete tem o direito inalienável do uso da Safe-word (palavra de segurança) e também de sair da relação se assim o quiser.

      O fim da relação pode ser decretado por apenas uma das partes, mas como a relação é alimentada pelo poder doado pela parte que se submete a parte que domina, o simples corte deste poder a extingue de imediato.

      Na questão dos que aprecem ser o que de fato não são, isso é muito comum em todas as partes de nossas vidas e os cuidados para prevenir a ocorrência destas criaturas em nossas vidas também são comuns. Escolher quem vai estar por perto é uma rotina que começa bem cedo e seus filtros vão sendo atualizados através dos erros e acertos. Ninguém esta livre de se defrontar com um traste e o importante é não ter pressa e colocar o bom senso a frente de qualquer decisão.

      Quanto a Dominar ou se submeter, é só olhar para dentro de si mesma e descobrir onde se completa. Isso pode ocorrer de um lado ou do outro do chicote... pode também ocorrer nos dois lado em relações diferentes. A melhor atitude é experimentar e perceber como se sente nestas posições.

      Um fato comum de ocorrer é que às vezes não conseguirá se submeter pelo simples fato de não achar ninguém a altura da sua subserviência... neste caso, vale a perseverança e a paciência no seu processo de busca pelo soberano.

      Isso de escolher o soberano também é complicado, pois além da dificuldade de achar alguém com o valor suficiente para isso, este ainda tem que se mostrar compatível com o seu estilo. Grandes encontros em termos de gostos comuns são bem mais difíceis do que parecem.

      No mais, mantenha o foco e a determinação que as coisas vão acabar fluindo.


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Quando falo de dominadores, submissas e relações... vale para todos os gêneros e combinações. O que importa é a posição hierárquica da parte, ou seja, se é dominante ou submissa.

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