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22.5.09

Atualizações e Novas Versões

Quando se cria um software (programa de computador) é comum que ele tenha vários erros. Esses erros são basicamente de dois tipos: os famosos bugs (erros de manufatura) e os de projeto (questões práticas que se relacionam com a utilização em si). Tanto um quanto o outro são sanados através das atualizações. O programa que, por exemplo, começa na versão 1.0, vai passando para 1.1, 1.2, 1.3, conforme vai recebendo atualizações, que se destinam a corrigir os problemas.
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Só que em um determinado momento, a conjuntura geral motiva a uma atualização de grande magnitude. Mais do que uma atualização é uma evolução onde são revistos todos os fundamentos. E com tudo novo o programa ganha a nova versão 2.0... e o ciclo recomeça.
O que é feito para reduzir ao máximo o número desses erros, existe um procedimento comum que é a distribuição de uma cópia do software para ser testado por usuários em geral. É chamada de Versão Beta.
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Esses três parágrafos introdutórios serviram como exemplo para criar um paralelo ao que acontece com alguns seres humanos ou pelo menos o que acontece comigo.
Passei por algumas mudanças de versão na minha vida de Dominador BDSM. No momento que digito este texto estou atravessando a terceira correção de rumo da minha sexta versão, ou seja, sou um Dom 6.3.
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O objetivo aqui é fazer um balanço do meu caminho até aqui, mostrar às pessoas uma maneira de abordar e avaliar suas próprias trajetórias. Também de transmitir as minhas últimas conclusões de fundamentos pessoais aos fiéis seguidores deste Blog (todos os 22).
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Aqui vou me ater apenas às mudanças de versões, pois se colocasse as correções entre versões, mataria meus 22 seguidores de tédio, pois seria um rol de erros que deixaria a lista telefônica parecendo uma boa opção de leitura. Não sou tão sádico assim e não sabendo dos limites dos meus seguidores não eu estaria sendo consensual.

Versão Beta – Muito Prazer
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Meu pai me ensinou muito mais com atitudes do que com palavras, mas uma coisa que sempre dizia me afetou de forma particular. Ele dizia – “o grande segredo da arte de ter prazer é dando prazer”. Isso ficou ressoando na minha mente como um mantra e levei alguns anos para entender isso de forma completa e isso foi se transformando de uma busca sistemática para algo absolutamente necessário e vital. Tão necessário que quando não existe prazer verdadeiro fluindo nada acontece.
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Naquele começo frenético da minha adolescência, observei algumas coisas interessantes sobre mulheres que acabaram sendo confirmadas ao longo do tempo. Enquanto o orgasmo masculino é muito mais físico do que mental, o das mulheres é o inverso. Enquanto os homens nascem com o seu orgasmo já instalado de fábrica, as mulheres têm que aprender como sentir prazer. Ambos têm vantagens e desvantagens. Enquanto os meninos têm uma forma básica e intensa de estimulação, as meninas têm o potencial de sentir prazer de várias maneiras. Homens atingem o orgasmo de um só jeito e as mulheres... nunca vi uma sentir prazer da mesma forma que a outra.
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O prazer do homem é direto e específico e o da mulher tem que ser construído. O homem chega, atropela e fim. Com a mulher, a transa começa quando encontro foi marcado, vai se intensificando com cada pensamento, atinge alguns picos na hora do banho, enquanto se veste e na maquiagem. Quanto mais próximo o momento do encontro, mais intenso tudo vai ficando.
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Outro pico de intensidade na hora do jantar. Na cama, quando os meninos começam a sentir prazer sexual, as meninas já estão no ápice do processo. Se os meninos se dessem conta disso, poderiam promover muito mais intensidade, e se soubessem viver isso, teriam muito mais prazer. Mas na cama, que tem pouca influência sobre o todo no prazer da mulher, os meninos começam a sentir prazer e infelizmente sem perceber, na maioria das vezes terminam antes delas.
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Os meninos sentem prazer de forma linear e as meninas em patamares e é essa informação que passa despercebida por eles. Em sua maioria, os meninos se preocupam com o próprio prazer e as meninas com prazer deles.
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Um bom equilíbrio começaria a se formar se os meninos passassem a se preocupar com o prazer delas e as meninas com o próprio prazer (lembre querida, o deles já vem de fábrica).
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O que eu aprendi com os meus primeiros mentores na vida ficou evidenciado quando passei a me valer do ato de realizar fantasias. Pois já que dar prazer era o caminho e que as mulheres de fato sentiam prazer sexual com a imaginação, juntar uma coisa com a outra foi conseqüência.
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Comecei com isso na adolescência e a seqüência era sempre a mesma (seqüência que não ficou muito diferente com o passar dos anos). Ë composta de um mapeamento físico e mental da parceira. Saber exatamente do que ela gosta em termos de contato físico e com o que ela sonha. Os fatos de que, em sua maioria, elas gostavam de pegada forte no físico e de fantasias relacionadas com invasão e captura e de serem “forçadas”, vieram a se encaixar perfeitamente nas minhas fantasias fundamentais. Eu adorava dar esse tipo de prazer.
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A verdade de que as coisas proibidas são as mais prazerosas, aumenta ainda mais a intensidade da interação e nesse período de adolescente pré-Dom fui muitas coisas para muitas parceiras. Fui o encanador que violenta a cliente, o médico abusando da paciente, o policial interrogando a suspeita, o militar torturando a prisioneira e até o sequestrador que desiste de pedir resgate e resolve fazer a refém de escrava pessoal. Entre tantas outras essas foram as mais pedidas.
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Gostar dessas fantasias, em especial das que envolviam o controle da situação foi o que me levou a pesquisar sobre fetiches mais profundamente ainda na adolescência. A partir dos Fetiches aprendi que existe vários universos ligados a área da sexualidade e interação humana. Entre esses Universos encontrei um em que me encaixava perfeitamente, e descobri aliviado que não era um maluco sociopata, eu era um Dominador.

Versões 1.0 a 5.0

A versão 1.0 foi a minha estréia como Dom, aos 19 anos, quando tive a primeira relação onde a mulher sabia que não ia ser namoradinha. Ela sabia com todas as letras que seria minha escrava.
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A estrada foi longa até a próxima virada. 18 anos se passaram até que eu estivesse pronto para a versão 2.0 que se deu no momento que me senti preparado para conhecer outras pessoas com hábitos e gostos similares aos meus. Foi uma aproximação por uma sala de bate-papo SM e a maioria dos que conheci naquela época ainda são bons e queridos amigos.
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A versão 3.0 se deu quando resolvi experimentar a posse pública. Na época cheguei a ter três escravas encoleiradas simultaneamente. Foi uma experiência interessante, pois a interação entre as três era completa, mas a harmonia bem duvidosa. No mesmo período percebi o quanto uma coleira prendia mais ao Dono do que a posse.
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Na versão 4.0 vivi a minha segunda experiência 24/7 da minha vida. A primeira experiência foi com a mãe do meu herdeiro e essa relação terminou no momento que deixou de ser 24/7 e começou a se transformar num casamento baunilha comum. Essa segunda 24/7 foi diferente, pois diferente da primeira, a escrava já era minha posse e já era do meio BDSM. Nesse período pude fazer a primeira avaliação sobre posse verdadeira e os motivos que levam cada um a estar no “meio” BDSM. Também foi onde percebi a realidade de que uma relação 24/7 pode existir de várias formas segundo o ponto de vista em que é observada.
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Evolui para a versão 5.0 com o fim traumático desta relação que era distorcida por fatores externos ao BDSM e com a retomada de uma relação que era de posse real e pura. Está última foi a responsável por todas as atualizações desta versão e de outras atualizações que se estenderam para todas as áreas da minha vida.

6.0 – O Círculo se Fecha

Depois dessas mudanças de versões e de incontáveis atualizações, cheguei a algumas conclusões que me conduziram a essa última e grande evolução. Observei muito, vivi muito, acertei aqui e ali e errei muito mais. Mas aprendi muito no processo.
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Hoje o que vejo é um grande número de pessoas não fundamentadas brincando de BDSM. Vejo muito despreparo e ignorância. Descobri na pele o que significa ser odiado apenas por existir e fiquei impressionado como essa simples existência incomoda a algumas pessoas.
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Percebi também que acontece no BDSM algo que é padrão em grandes empresas, onde se um empregado se destaca por competência, ele não é premiado. Quando se é competente não se faz nada mais do que a obrigação. O que acontece de fato é que se estabelece um novo patamar de qualidade evidenciando a incompetência dos que estão em volta. Isso gera inimizade e oposição sistemática. Estes por não entenderem coisas que estão acima de sua estreita percepção começam num processo que envolve várias práticas sórdidas a tornar a vida dos destacados um inferno.
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Estas pessoas estão no Jardim de Infância do BDSM e às vezes da vida como um todo. Por isso não entendem. Essas pessoas não enxergam a luz e eu, na passagem para a minha versão 6.0 não me sinto estimulado a ensinar física quântica para esse Jardim de Infância. Não me sinto obrigado a mostrar o caminho a quem não merece. Só me sinto obrigado a transformar um indivíduo em gente, e este é meu filho.
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Nesta mudança de nível percebi também que eu errava quando achava que o Universo BDSM era um lugar. Não é. Na verdade o BDSM é outra dimensão do nosso mundo Baunilha, ou seja, o Universo BDSM não existe de forma física e fixa. Ele se forma em lugares específicos, em situações específicas e apenas para algumas pessoas iluminadas para perceberem quando ocorre.
Quando as condições necessárias ocorrem e se alinham se forma uma espécie de bolha, um portal para o BDSM que já foi descrito para mim pelo meu bom amigo Mestre Gian como “Um momento perfeito no tempo”.
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Na minha vida esses momentos ocorreram em vários lugares. Às vezes num clube temático, outras num restaurante e sempre em alcova e plays fechadas. Quando esse portal se abria em um lugar público, apenas os verdadeiros e iluminados o percebiam. Se existia uma platéia desqualificada, está acabava por interferir no equilíbrio e o momento BDSM se esvaziava.
Hoje sou um Dom 6.3 e já trabalhando na próxima atualização (.4). A grande mudança na plataforma é o fato de que não vivo mais o meu BDSM de forma pública. Já que a minha simples existência incomoda tanto a tantos, vou parar de jogar pérolas a eles e quem quiser se manter próximo vai ter que merecer a minha atenção.
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Por não acreditar em marcas e sinais, não existe mais a figura da coleira dentro da minha liturgia. Não acho mais que a posse verdadeira dependa disso. No balanço geral antes da mudança notei que as minhas posses mais fiéis, verdadeiras e devotas não portaram coleiras e ninguém tinha a menor dúvida de que elas tinham Dono. Isso serviu para duas coisas. Por um lado não fui mais assediado por mulheres pretendiam mostrar que pertenciam a alguém, pessoas que queriam ascender no “meio” BDSM e precisavam de glamour e visibilidade. Por outro, demonstrou que quem ficou e fica comigo, o faz pelos motivos certos.
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Enfim, vou aparecer bem menos e fazer bem mais. Muito mais e com mais qualidade, intensidade, verdade e profundidade. A frase com a qual me descrevo – “Sou a fúria e o fogo, me alimento do terror e do êxtase” – nunca foi tão verdadeira. Eu sou o que sou e isso me basta. Quem tiver coragem e valor que se aproxime. Para saber mais de mim agora vai ter que chegar bem perto.

GLADIUS MAXIMUS









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2 comentários:

  1. Senhor,
    Meus cumprimentos pela ousadia em mostrar sentimentos tão intensos e profundos. Refletir sobre si mesmo não é um processo fácil. Mostrar-se é mais difícil ainda. Assumir que cometeu erros, poucos o fazem.
    Meu dia ficou ainda melhor depois de ler seu post.
    Com respeito,

    Joy

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  2. Apreciei demais sua escrita, maturidade e o seu olhar curioso e investigativo para vida.

    Prazer em ler-te.
    Se me permite, o acompanharei.

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*** Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

*** Quando falo de Dominadores, submissas e relações... vale para todos os gêneros e combinações. O que importa em uma relação BDSM é a posição hierárquica da parte (dominante ou submissa).

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