17.8.10

Sádicos, masoquistas, escravas e submissas

Esta pergunta veio em duas partes que seguem abaixo:

Alguns teóricos afirmam que o sádico e a masoquista não são complementares, pois se ela quer o que ele deseja, e o desejo cresce diante de algo que não podemos ter, o desejo do sádico seria maior diante de alguém que cede o desejo do outro.

Analisando sua resposta sobre submissas rebeldes, me veio um pensamento: não seria para um dominador natural mais interessante domar um alguém rebelde que somente dar condição a uma subserviência já existente de se manifestar? pennie

Concordo com essa afirmação de alguns teóricos, pois a partir das minhas observações e experiências, tanto o Sadismo quanto o Masoquismo não são complementares e como o Bondage e a Disciplina, são Universos independentes entre si e do BDSM quando ocorrem sem a presença de ordem e hierarquia.

Por um momento me lembrei de algo que seria o cúmulo do Sadomasoquismo, que é exatamente quando o masoca diz, “me bate, me bate” e o sádico responde “não bato, não bato”.

Vi sádicos interagindo com masoquistas, mas em raríssimos casos um ou outro eram sádicos ou masoquistas puros. Tanto num caso como no outro, vi um comportamento completamente independente e egoísta em relação ao prazer da outra parte.

Interagi com masoquistas puras que em seu momento de prazer masoquista, se fechavam em seu pequeno mundo de prazer nada ligando para o resto. Nas em que eu fiz uma pequena veia masoquista aflorar, o comportamento era exatamente o mesmo nos momentos de masoquismo puro.

No que tange a sádicos puros, só conheço um, que é um bom e próximo amigo. Sádico puro e frio. Quando está no seu momento, ele passa por cima de tudo, até da maior masoquista, para obter o seu prazer. Os olhos brilham enquanto ele vai moendo a resistência e a tolerância da parceira... em poucos segundos... sem a menor preocupação com o prazer e sim no dele em destruir a resistência da parceira.

Mas tanto masoquistas quanto sádicos puros são exceções e a regra é que os seres humanos são complexos e normalmente brincam em vários universos e tem várias características. Por isso fica mesmo difícil simplificar a esse ponto de quem é o melhor para quem.

Da mesma forma que é difícil estabelecer um determinado grau de masoquismo ou sadismo e dizer que a partir de X a pessoa é isso ou aquilo, isso vale para qualquer outra característica humana e não acho que seja diferente para as posses. Submissas, escravas, cadelas, pets, ponnys, entre outras, são condições de preferência específicas. Para mim tudo começa na posse que é um estado de sim ou não e a partir disso, minha posse vai ser o que eu quiser que ela seja.

Seria uma estupidez completa da minha parte não levar em consideração a natureza de cada posse e capitalizar em cima disso para aumentar o prazer e intensidades proporcionadas a ela e conseqüentemente a mim. Algumas posses são mais dóceis, outras tem como gatilho esboçar alguma rebeldia ou resistência e acho que não devem ser rotuladas de mais ou menos isso ou aquilo.

Dominadores, apesar de coisas raras de se achar, também não são entidades de um só tipo e com apenas uma característica, então também fica difícil dizer o que é melhor para quem.

Acho que o foco deve estar nos encontros. No meu caso, a parte que mais difícil é a de encontrar pessoas compatíveis comigo, ainda que sinta prazer tanto na subserviência dócil quanto na dobra da rebeldia. Tive posses de todos os tipos e nuances ao longo da vida e a única coisa comum a todas elas é que, independente do quão selvagens elas fossem, eram (e são) sempre dóceis e suaves.

Portanto, um Dominador de verdade vai existir para dar a posse justamente toda e qualquer condição para que a sua natureza venha a tona, tanto de subserviência quanto de rebeldia.


GLADIUS MAXIMUS


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5 comentários:

  1. Observando atentamente perguntas e as argumentações nas respostas, pensamentos e ideias bastante coerentes.

    Parabéns novamente SR.
    meus respeitos SR.

    lua.

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  2. Estive aqui umas cinco vezes, sem conseguir escrever uma palavra. Penso tanto em Sadismo e Masoquismo, faço teorias, busco respostas e quase sempre essas respostas me saciam momentaneamente, já que logo estou com novos questionamentos me sobrevoando a mente. Hoje o que sinto é uma linha muito tênue entre um e outro, onde há quase uma fusão, uma ligação por fios invisíveis. Definitivamente o conceito de dicionário e CID para Sadismo e masoquismo não me satisfaz. Hoje sinto meu masoquismo quase que como um sadismo contra mim mesma. Deixo meus cumprimentos pelo Seu texto, ficou excelente.
    Um abraço ao Senhor.
    e sigo aqui pensando...

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  3. Anônimo9.12.11

    ...parte que é mais difícil: encontrar pessoas compatíveis comigo, ainda que sinta prazer tanto na subserviência dócil quanto na dobra da rebeldia.É exatamente isso, porque nao entendem que nao é so bater? e que o fato de voce entender e se preocupar com o sub esta tudo tao ligado?

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    Respostas
    1. Está difícil encontrar alguém assim ...'muito

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  4. telma23.8.12

    Lendo seus textos e ainda pensando nas asas que me pesam...
    Nos papéis D e s...na beleza disso tudo e na cegueira de um mundo...
    É mesmo como dançar ao som da mais bela das músicas...o problema é que só uns poucos conseguem ouví-la...
    Vai ver que é por isso que a música é tão linda não é?
    Beijos!

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