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12.1.17

O que é esse tal de BDSM falado em 50 Tons?


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De tempos em tempos, a literatura e o cinema trazem à tona o universo BDSM e o mundo dos fetiches. Por serem temas ligados ao prazer e à sexualidade, é inevitável que muitos se sintam de alguma forma atraídos pelo diferente ou... “algo a mais”. 

Os lampejos desse “mundo novo” podem ocorrer:
  • em cenas simples de fetiche: Último Tango em Paris, Império dos Sentidos, 120 dias de Sodoma e Crash - Estranhos Prazeres; 
  • em cenas com práticas isoladas:  A Bela da Tarde e Ninfomaníaca;
  • em cenas com referências pontuais: as aparições do Bar The Blue Oyster (subcultura rubber gay) nos filmes da série Loucademia de Polícia
  • na ambientação de uma obra: 9 semanas e meia de amor, A Secretária ou 50 tons de Cinza
  • em histórias que retratam relacionamentos BDSM: História de Ó e a série de livros Amos e Masmorras.
Em muitos casos, as pessoas afetadas por tais lampejos são aquelas que já estão (usando um termo bem popular) “de saco cheio”... de suas relações, do sexo baunilha ou mesmo, da sua vida como um todo. 

Ou seja, são como aquelas crianças brincando na parte mais básica do parquinho, enquanto sonham com as emoções dos brinquedos mais radicais.


DO CARROSSEL PARA A MONTANHA RUSSA


Esta é uma boa metáfora e não se limita à questões sexuais e afetivas. E isso acontece, porque ela trata da insatisfação com o "lugar" onde estamos, que pode ocorrer em qualquer área da nossa vida.

No caso de relacionamentos, esse “lugar” é conhecido (principalmente, por aqueles que deixaram de habitá-lo) como Mundo Baunilha: formado de relações como flerte, “ficada”, namoro, noivado, casamento e amantes, além do sexo “básico e comum”. 

As relações afetivas (em sua maioria) sofrem com o desgaste natural provocado pelo tempo e principalmente, pelo crescimento (ou não) de uma das partes ou pelo simples desalinhamento de vontades e interesses. 

Esse estado de insatisfação forma uma pressão interna tal, que tentamos aliviá-la de diversas formas: desde a prática de exercícios físicos ao consumo exagerado de chocolate. Mas nem sempre conseguimos… o que poderá levar à problemas psicossomáticos (efeitos físicos), como estresse, pressão alta, gastrite, bruxismo etc.

De uma forma ou de outra, tal pressão deixa a pessoa tensionada como uma mola pronta para se expandir, faltando apenas o “para onde”.
Portanto, o gatilho para o movimento ocorre na maioria dos casos com o vislumbre de que existe algo além do horizonte... pessoas se divertindo muito na Montanha Russa. Gatilho disparado, é só pular o muro que separa o “parquinho básico” do “radical”.


CRUZANDO O LIMIAR


O que vem logo depois da linha do horizonte não é nada tão espetacular ou bizarro. De fato, são coisas até que familiares, pois mesmo dentro desse “parquinho inicial” existem brinquedos melhores.

Então, da mesma forma que nos arriscamos em uma gangorra ou balancê (para aumentarmos o divertimento), buscamos por brinquedos melhores para tornar tudo mais interessante. Voltarei a este ponto no final. O importante nesse momento é perceber que não existe apenas “um lado de cá” e “um de lá” e sim, uma gama de possibilidades com diversas ramificações. 

Existe esse “parquinho básico” das relações sexuais e afetivas, carinhosamente chamado de Mundo Baunilha e dentro dele, áreas mais avançadas como o Swing e o Casamento Aberto. Bem acima, existem lugares de gostos e comportamentos bem diferentes, ou seja… os brinquedos radicais do parque.

E no meio de tudo isso, existe a camada caótica dos fetiches, onde práticas e procedimentos de todos os universos convergem e tudo ocorre de maneira livre e anárquica. 

Daí, a primeira conclusão é de que não existe um grande limiar e sim, uma infinidade de pequenos limites a serem cruzados. 

É importante que isso tudo seja colocado, pois o tal BDSM (sobre o qual falaremos mais adiante) não é o único lugar para se ir e quando se vai até lá, não há obrigação alguma de ficar.

SEX SHOPS


Quem nunca gostou de “algo diferente" na cama que atire a primeira pedra!

Os sex shops existem em função dessa necessidade humana pelo diferente... Lingeries, perfumes e maquiagens são o ponto de partida para muitas pessoas que desejam “algo além”, sem contar os jantares à luz de velas e as bebidas especiais. 

Subindo um degrau, encontramos as pomadas, os cremes de massagem, consolos e vibradores. E logo acima, os fetiches primários: as fantasias sexuais e as roupas de enfermeira, empregada doméstica, policial etc. 

Quando digo "fantasias" não estou falando sobre roupinhas sexys e acessórios como estetoscópios e algemas forradas de pelúcia... estou falando sobre a interpretação dos personagens e da imersão nos contextos.
Estas "brincadeiras", que incrementam a relação sexual, são os primeiros recursos que muitos parceiros buscam quando a “coisa começa a esfriar”. 
Mas, se o Mundo Baunilha das relações é o Carrossel do Parque de Diversões, onde fica e quais são os brinquedos da “parte radical” desse parque?

Falamos do Mundo Baunilha e de que mesmo nele existem brinquedinhos legais, como o Swing e o Casamento Aberto. Falamos também dos itens de Sex Shop e das atividades provindas das fantasias sexuais e da Camada dos Fetiches. Agora, vamos além!

A primeira coisa que encontramos nesse “além” é o que chamo de Camada dos Fetiches, uma região de contato do Mundo Baunilha com lugares onde coisas mais sofisticadas e intensas (obviamente, para quem é adepto...) ocorrem. E o BDSM é um desses lugares.


A MONTANHA RUSSA DO PARQUE

Afinal de contas, o que é esse tal de BDSM?


Respondendo de forma técnica, é um universo de relações humanas que ocorre com a existência de hierarquia. Isto é, com alguém no controle, independente do número de partes interagindo. O importante é que seja de forma sã, segura e consensual, palavras que formam a sigla mais fundamental do BDSM: o S.S.C.

Criado nos Estados Unidos, BDSM é um termo que tenta englobar as principais linhas de  de relações que ocorrem nesse universo, sendo composto pela fusão de três siglas:

  • BD (Bondage/Discipline - Aprisionamento/Disciplina): região habitada pelos Donos e suas posses (escravos). É uma área de muita intensidade e o foco é no poder conquistado “à força”. Uma diferença fundamental entre os escravos e os submissos da linha D/s é que o escravo tem que ser “posto de joelhos” e o submisso “cai de joelhos”.
  • D/s (Domination/Submission - Dominação/Submissão): região habitada por Dominadores e submissos.
  • SM (Sadomasochism - Sadomasoquismo ou Sadismo/Masoquismo): região habitada por Sádicos e masoquistas.
Quem vive nesse universo se alimenta do jogo de poder que se forma a partir da hierarquia. Para isso, são utilizadas diversas técnicas, procedimentos e posturas que aumentam a diferença de poder entre Dominadores e submissos, como o estímulo sensorial profundo e o aprisionamento (entre outras).
Como o BDSM é constituído de hierarquia, a maior parte das técnicas utilizadas para aumentar a diferença de poder é emprestada de outros universos, tais como: Spanking (pessoas que gostam de bater e apanhar), Age Play (pessoas que curtem a interpretação em relação à diferença de idade), Podolatria (universo dos adoradores de pés e calçados) ou Pet Play (o jogo é entre o Dono e seu bichinho de estimação).

SM, Sado e Sadomasô foram os termos usados inicialmente para descrever esse universo, mas perderam a força diante do fato de que o prazer em “provocar ou sentir dor” é apenas uma pequena parte do todo. Atualmente, BDSM é um termo largamente aceito e até que apareça algo melhor, continuarei a utilizá-lo. 

Ok, bacana a descrição enciclopédica… mas tenho algumas perguntas:


1 - No popular e em uma frase, o que é BDSM?

BDSM é o lugar onde interagem as pessoas que gostam de Dominar com aquelas que gostam de ser Dominadas. Logo, seu princípio básico é a hierarquia. Ou seja, qualquer relação afetiva em que ocorra hierarquia entre as partes (completa ou pontual), de forma sã, segura e consensual, é uma relação BDSM.


2 - No filme, o “Dom” disse que só tinha uma submissa por vez, mas pelo que vi, dominadores podem ter várias submissas… é verdade?

Sim. Mas a questão aqui é que no BDSM não existe diferença de gênero e sim, de posição hierárquica. Logo, Dominantes (meninos ou meninas) podem ter quantos parceiros submissos (meninos ou meninas) desejarem. Dentro do Universo BDSM, ter uma ou mais relações é sempre uma escolha do Dominante e o que vai definir a quantidade é algo entre a vontade do Dominante, a sua capacidade de manter o que conquistar e obviamente, o limite da parte que se submete. Já que esta última, não concordando com qualquer regra ou situação, pode usar do seu direito inalienável de não participar do jogo.


3 - As pessoas podem trocar de papéis nesse jogo de dominação?

Sim. A pessoa que se completa nas duas posições é chamada de Switcher. Para que o fundamento da hierarquia não seja quebrado, dentro do BDSM essa “troca de posições” ocorre com parceiros diferentes. Mas como fetiche, a troca pode ocorrer com o mesmo parceiro. 


4 - Não sinto prazer na dor… para ser BDSM tenho que gostar de “apanhar”?

Não. Resumindo, basta gostar de Dominar ou de ser dominado. Todo o resto, técnicas, posturas e procedimentos servem apenas para aumentar a distância hierárquica entre as partes. Distância esta que serve de alimento para os adeptos deste universo.

Para além da hierarquia, o que realmente importa é que os parceiros sejam compatíveis, que se completem com o que o outro tenha a oferecer.


5 - Fazer estas coisas "diferentes" não é coisa de gente doente da cabeça?

Não sei em que momento a questão de “gostar de provocar ou de sentir dor” entrou nessa equação de poder. Mas nos idos de 1500, Leonardo da Vinci escreveu: 

“Onde há muito sentimento, há muita dor (...) Tal é o Prazer e a Dor... saem de um tronco único porque têm uma só e mesma base, eis que cansaço e dor são a base do prazer e os prazeres vãos e lascivos estão na base da dor.”

O que me leva a crer que o uso do “componente dor”, como uma ferramenta para o aumento da intensidade da interação, não é algo recente. 

Durante o século 19, diante da chamada “moral vitoriana”, tudo que ia além do sexo para a procriação era visto como perversão, incluindo-se aqui o Sadismo e o Masoquismo. Termos que foram cunhados pelo psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing com base no comportamento de duas personalidades:

  • Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade: ficou conhecido por seu estilo de vida libertino e por obras de conteúdo erótico, que enfatizavam o sofrimento e a vitimização dos parceiros;
  • Leopold von Sacher-Masoch: jornalista e escritor austríaco, foi responsável por narrar em detalhes a submissão de um homem à uma mulher em A Vênus das Peles (1870).

Tanto Sade quanto Masoch iam muito além do prazer em infringir ou sentir dor em suas práticas e comportamentos. Mas por um tempo, todas as atividades relacionadas à Dominação/submissão foram rotuladas simplesmente de “Sadomasoquismo, SM, Sado e Sadomasô”. O que foi corrigido com a adoção da sigla BDSM, que trata deste universo de uma forma mais ampla. 

A perversão vitoriana evoluiu para parafilia, isto é, o comportamento sexual onde o prazer é derivado não do ato sexual puro e simples, mas de outras atividades, objetos e tipos de parceiros.  

Na segunda metade do século 20, as parafilias passaram a ser vistas como “inofensivas” e por algumas linhas da psicologia moderna, partes de uma psique normal. Por outro lado, perderiam esse caráter inofensivo no caso de perigo real para o praticante e seus parceiros ou se impedissem o funcionamento sexual normal.

Curiosamente, a masturbação, a homosexualidade, o sexo oral e anal já foram considerados como parafilias. Hoje em dia tudo é aceitável… desde que não seja ilegal, não faça mal a quem quer que seja e que todas as partes envolvidas sejam capazes (tenham capacidade de dar consentimento) e estejam de acordo.

Do meu ponto de vista, a partir do fato de que o “diferente” não é tão diferente assim, quem pratica apenas sexo “normal” é que acaba sendo diferente.


6 - Preciso ser do BDSM para experimentar o sabor dessa hierarquia?

A hierarquia ocorre a partir do momento em que uma das partes toma o controle da “situação” e isso já é relativamente comum, só lembrar das pessoas que gostam de uma boa “pegada” na cama. 

Essa “pegada” não passa de uma parte controlando a outra de uma forma, digamos, mais contundente… e ao usar um pouco dessa rigidez hierárquica existente no BDSM, o momento torna-se mais excitante e intenso. 

A pessoa não precisa “ser”, basta “estar” Dominante ou submissa. Brincar disso é tão bom quanto qualquer outra brincadeira “sacana”.


BRINCANDO “DO QUE”, “COMO”, “QUANDO” E “ONDE QUISER”


Enfim, o melhor dessa descoberta é que todos nós temos partes suprimidas ou mesmo esquecidas… Quando vemos novas possibilidades, principalmente aquelas que nos satisfazem plenamente (e não apenas em partes específicas), tendemos a rumar para o equilíbrio e a paz interior.
Tanto o BDSM quanto qualquer outro universo de relações afetivas pode ser vivido como um estilo de vida ou simplesmente como uma “fonte de inspiração”, para tornar nossas relações mais saudáveis, divertidas e intensas. Vale lembrar que nada impede que transitemos entre esses universos, pegando de cada um aquilo que nos completa e alimenta.

O BDSM EM “50 TONS DE CINZA”


Partindo-se da premissa de que uma relação BDSM é fundamentada na hierarquia, ela simplesmente não acontece em “50 Tons de Cinza”. Por mais que o universo tenha sido utilizado na ambientação da história, de BDSM não temos nada ou quase nada...

Sim, a protagonista é uma mulher com “potencial de submissão”, mas o protagonista é um homem que reúne tantos estereótipos de perfeição que o tornam irreal. Sem falar que se parece muito com a história de “A Bela e a Fera”... a mocinha tenta salvar o príncipe travestido de fera, curando-o de seus gostos estranhos. 

Nesse sentido, a obra é um desserviço ao público, associando o desejo de Dominar (ou de ser dominado) à ocorrência de algum grande trauma. O que nos faz voltar àquela velha ideia de perversão ou doença que existia no século passado. 

Apesar de grandes traumas impactarem de uma forma ou outra na formação de um indivíduo, somos o que somos a partir de alguma tendência genética somada a uma infinidade de tijolinhos. Além é claro, das escolhas que fazemos diante dos desafios da vida.

Na história, o “trauma de infância” do “Sr. 50 Tons” colaborou apenas na construção de um homem com sérios problemas de insegurança e autoafirmação, comportando-se ora como uma criança mimada, ora como um possível psicopata maníaco-depressivo obcecado pela heroína. 
Sim, em diversos momentos Christian Grey age como um “stalker”, perseguindo, pressionando e invadindo a privacidade de Anastasia até conseguir o que quer. É preciso deixar claro que isso não é BDSM
Se você tem ao seu lado alguém que apresenta esse tipo de comportamento, independente da relação que possui, cuidado… as consequências podem ser irreversíveis, basta dar uma olhada nos noticiários diariamente. 

Dominantes reais, independente de serem meninos ou meninas, jamais irão perseguir alguém de seu interesse, pelo simples fato de não precisarem disso. Eles são a constante da equação e reinam soberanos dentro do seu território. Quem entra, o faz por vontade própria.

O que me leva a pensar sobre os motivos que levariam alguém como a nossa heroína a entrar nessa relação… Será que toleraria esse tipo de comportamento doentio se o “Sr. 50 Tons” não fosse esse “príncipe encantado”?

Resumindo, no filme temos apenas o uso de algumas técnicas vindas do Bondage (nas amarrações e aprisionamento), do Spanking (nas chicotadas) e até mesmo do BDSM, quando Grey busca controlar determinadas situações.  

A diferença está no fato de que o controle em uma relação BDSM não inclui a atitude de perseguir o parceiro. Pelo contrário, tal comportamento fere o princípio da Sanidade, que faz parte dos fundamentos básicos deste universo: são, seguro e consensual (S.S.C.). 

Portanto, “50 Tons de Cinza” não retrata uma história BDSM, no muito, poderia ser enquadrado no gênero “soft porn” com uma pegada fetichista. 


CONCLUSÃO


Como disse, de tempos em tempos, alguma obra literária ou cinematográfica faz com que o olhar do público se volte para o Universo BDSM e o mundo dos fetiches, mostrando que existe “algo além do horizonte”. 

A melhor parte do sucesso dessas histórias é que muitos serão afetados (em menor ou maior grau), provocando desejos que poderão catalisar movimentos em suas relações sexuais e afetivas, com novos patamares de prazer, através de técnicas, práticas e procedimentos advindos desses universos. 


GLADIUS MAXIMUS

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2 comentários:

  1. Anônimo13.1.17

    Gostei mesmo.. ficou ótimo!
    Bjo
    A.

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  2. Anônimo18.1.17

    Boa noite, querido. Muito obrigada por essa matéria tão esclarecedora, sobre o filme só digo que não assisti e nem quero kkkkkk, comecei a ler pois sabia que você deixaria bem mastigadinho todo o conteúdo que tanto vem prendendo minha atenção, que é sobre um relacionamento BDSM real. Me identifiquei com várias coisas e me sinto mais segura e tranquila agora que algumas dúvidas que eu tinha foram esclarecidas (outras que eu não sabia que tinha também foram). Beijos.

    @flordorio

    ResponderExcluir

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*** Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

*** Quando falo de Dominadores, submissas e relações... vale para todos os gêneros e combinações. O que importa em uma relação BDSM é a posição hierárquica da parte (dominante ou submissa).

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