17.5.16

BDSM: salas e grupos de bate-papo


As Salas de bate-papo e a atualização mais recente que vem do advento dos aplicativos de Mensagens instantâneas com recurso de formação de grupos, são fenômenos muito interessantes, que vieram a incrementar as relações humanas e a forma como acontecem. No começo era em volta de uma fogueira. Hoje, depois de uma longa evolução, os seres humanos têm um lugar onde se encontram e interagem instantaneamente, independente da sua localização física.

Podemos dividir a existência do Universo BDSM em duas eras, AI e DI (Antes e Depois da Internet).

Antes da era da tecnologia de informação, se chamava apenas de Sadomasoquismo e ocorria apenas em grupos fechados e nos países mais desenvolvidos em clubes temáticos. As pessoas normalmente descobriam esse universo a partir do boca a boca entre amigos mais íntimos, já que a literatura específica sobre o assunto era quase inexistente. E os participantes destes grupos fechados iam trazendo e iniciando amigos mais íntimos. As questões dos praticantes serem pessoas privilegiadas em termos intelecto culturais e também de primarem pela atuação mais reservada é algo que nunca mudou, permanecendo até os dias de hoje. 

O advento da internet e a sua capacidade de difusão de dados permitiu acesso a um grande volume de informação para todos, incluídos os materiais em texto, áudio e vídeo sobre todas as regiões da sexualidade humana, tanto de cunho erótico/sensual quanto pornográfico. Atualmente a oferta de informação sobre tudo é absurdamente grande e isso termina por revolucionar também a área da sexualidade, pois todos tem acesso a tudo que quiserem. 

Antigamente o acesso a esse tipo de material se dava em fotos e livros eróticos e depois nos "catecismos" (quadrinhos eróticos como os de Carlos Zéfiro) e nas revistas masculinas temáticas (que ocorriam com raridade). Em termos de sexo em geral, tudo sempre foi mais fácil, pois o sexo pelo sexo sempre foi a base fundamental junto com as aparências, do mundo baunilha.

Para conhecer pessoas do BDSM, além do boca a boca e indicação, vieram os anúncios nas revistas. Depois vieram as BBSs (sigla para o termo em inglês Bulletin Board System - provedores web com fóruns, servidor de e-mail, bate-papo e download de arquivos). Com a popularização da internet, vieram às listas (que estão por aí até hoje) e os sites especializados. 

Pós Salas de Bate-Papo, ocorre uma evolução, chegam a nós os sites de relacionamento com o Orkut puxando a fila de vários outros que em pouco tempo seriam atropelados pelo Facebook que dispensa maiores apresentações. Esses sites e seus (e de outros) Messengers revolucionaram a forma como o ser humano se comunica.

O destaque nesse assunto dos sites de relacionamento se chama FetLife, que é um voltado para a sexualidade humana como um todo e não existe censura. A maioria dos habitantes do BDSM e vizinhanças têm perfis tanto no Facebook e Fetlife e frequentam ativamente grupos e comunidades dentro dos seus temas específicos de interesse.

Hoje em dia as Salas de Bate-papo são o meio mais procurado para o primeiro acesso a qualquer grupo específico, já que elas são divididas assim. Aqui só vou falar das salas temáticas voltadas ao BDSM. 

As poucas Salas que por aí remanescem ainda são chamadas de "Sadomasoquismo", com certeza pelo fato de terem sido criadas na época em que este era o rótulo pelo qual o BDSM era conhecido. Isso nunca foi atualizado para BDSM pelo fato dos responsáveis pelo portal não serem do ramo e também pelo fato das Salas, pelo menos para BDSM, atualmente estarem sendo superadas pelos grupos de Messengers, WhatsAppp por exemplo.

Pessoalmente não tenho a característica de me agrupar... sou nômade por natureza. Trilhei um caminho solitário onde recrutava e treinava minhas parceiras diretamente do Mundo Baunilha. Na verdade, elas terem a suscetibilidade para esse jogo é o que definia se a relação iria vingar.  

Em um determinado momento, depois de muita estrada, resolvi que a próxima etapa do meu crescimento seria a de encontrar pessoas como eu. E o que me pareceu óbvio foi garimpar numa sala de bate-papo temática a procura de pessoas experientes e frequentadoras do tal meio que eu acreditava existir. Pessoas que gostassem das coisas que eu gostava.

De saída, ou melhor dizendo, de chegada percebi que tinha que colocar um nome qualquer para adentrar no recinto. Entrei na sala com um nickname (apelido) provisório DOOM (o primeiro que me veio a cabeça... e sim... em referência ao jogo de computador que bombava na época), sentei numa mesa de canto e fiquei observando por uns dias, pois queria saber exatamente como era terreno que iria pisar.

Nessas primeiras observações o que se destacou foi a baixa qualidade (coisas que beiravam o hilário) dos nomes que via na sala. Em meio a um ou outro nome quem aparentemente era de alguém real, abundavam coisas como "submissa", "Sub", "Dom ker sub", "M 40", "H 18 quer m", "dominador gentil" (a minha cara esse #sqn), "putinha sub", "Empresario Dom", "Kazada com o Dom H"... e por aí vai.

A primeira conclusão a que cheguei (e isso bem rápido) foi que eu precisava de um nickname oficial. Achei já logo de cara que não, era a minha cara não ter cara, ou seja, esse negócio de nome genérico não combinava comigo. A parte boa é que seria uma oportunidade de escolher um nome de minha própria escolha para ser chamado.

Dados os exemplos dados dois parágrafos atrás, o povo da sala não chamava a atenção pela criatividade. No mais tinha muito "Sr. Fulano", "Lorde Sicrano", "Dom Beltrano" e o que mais sobrava por lá, os "Mestres DPN" (Mestres de Porra Nenhuma). Fato... não ia rolar o uso um título auto-outorgado.

Apelidos, já tive alguns. HP (a calculadora) na faculdade de Engenharia (esse vai entregar para alguns quem  sou), Grego (não pelo corpo atlético e sim pelo perfil de rosto e cabelo encaracolado das estátuas gregas) na faculdade de Design (esse entrega mais ainda). Max é o atual, que pegou pelo nome de uma empresa que tive nos anos noventa e não pelo Maximus que é parte do meu nome BDSM.

Max seria genérico e curto demais e jamais colaria nele um título qualquer... tinha que ser algo exclusivo e com impacto... pero no mucho. Também tinha que ser duplo, afinal de contas eu merecia chegar no meio BDSM com nome e sobrenome (no caso nick e sobrenick).

Três que usava normalmente em jogos de computador. MAGNUS para os de RPG, GLADIUS para os de combate estratégico e MAXIMUS (bem antes do filme Gladiador) para os de corrida. Combinar dois deles seria a via rápida para resolver essa questão.

E ficou fácil... MAGNUS era impactante demais e seria muita pretensão usar algo assim de começo. Então ficou GLADIUS para o nick e MAXIMUS como sobrenick.

E como GLAÐIUS (com esse traço no meio do Ð que não é ilusão de ótica ou um inseto na sua tela), iniciei o processo de ir além da observação, passando a expectativa de conhecer pessoas. 

Esse traço do "Ð" tem uma razão simples. Nesse primórdios das Salas de Bate-papo não existia maneira de se entrar com um perfil com foto, coisa que viria a ser padrão depois e que foi de onde se originou a minha foto do olho direito, que hoje é minha "marca registrada" e que virou moda depois disso.

E em alguma tarde de inverno de 2002, ==> GLAÐIUS   entra na sala...

E nada aconteceu nesse dia... e nem nos dias seguintes que entrei com esse nick. Acho que, pela razão de não me comunicar no "aberto" da sala (de forma pública), os outros participantes deviam julgar que eu estivesse sempre papeando com alguém no reservado... e não estava. Também podia ser que GLAÐIUS era bem mais impactante do que eu julgava e estava assustando o povo ou o pior... era tão desinteressante que ninguém nem em via lá.

Mas me viam sim... tanto que uma escrava não se conteve e veio ao meu reservado perguntar o que o Nick significava... e eu contei. Papeamos por vários dias e foi dela que consegui as primeiras informações sobre o tal "meio BDSM" que eu queria encontrar. 

Ela me confidenciou que tinha Dono e que usava a coleira dele, no pescoço e no nome. Disse que não era de ético e nem de bom que uma escrava encoleirada falasse com um Dominador no reservado sem o conhecimento do seu Dono, mas que vinha me observando na sala a dias e via que eu não me comportava como os outros. A curiosidade em relação ao nome e esse comportamento diferente dos caçadores da Sala de Bate-Papo a moveram na minha direção.

Chegou se explicando e pedindo desculpas pelo ato, dizendo que a abordagem era respeitosa e que não estava de forma alguma se oferecendo para mim. Preocupadíssima pensava que eu poderia achar ela uma escrava vulgar ou mal treinada. A tranquilizei quanto a sua ação, colocando que antes de qualquer coisa, somos seres humanos adultos e que se a abordagem dela fosse para a construção de uma boa amizade, eu não via problema algum.

Nos tempos que fiquei observando a sala como DOOM e mesmo depois como GLADIUS, cheguei a ser abordado por algumas criaturas. Estas, de várias formas diferentes, me fizeram duvidar de que eu estivesse em uma área para "Sadomasoquistas" (ou de gente do BDSM), pois invariavelmente falavam de sexo.

Eu me perguntava: Se é para buscar por sexo, não seria mais lógico que estas pessoas fossem procurar por isso em Salas específicas para sexo? Ou melhor ainda, já que querem sexo me parece óbvio buscar isso onde se acha ação em áreas geograficamente próximas como nas Salas de cidades e regiões? 

Essa escrava encoleirada foi uma boa surpresa num momento que eu já começava a me cansar dessa busca. Inteligente, culta e com uma boa experiência em termos dos usos e costumes básicos do meio BDSM e alguns contatos reais dentro desse universo.

Na Sala mesmo ela me apresentou Selena. Pessoa incrível, esta senhora que conheceu o BDSM através da filha, também submissa, se tornou em pouco tempo uma espécie de referência para outras submissas. E referência para mim também. Mesmo dentro do ambiente virtual da Sala de Bate-papo, criamos uma afeição mútua quase que sobrenatural, que com o tempo se transformou em uma sólida amizade que dura até hoje.

Selena se tornou além de uma mentora, também uma espécie de protetora, me passando todas as informações relevantes sobre o que existia de real e também em relação ao "quem é quem" sobre os que circulavam no meio. 

Ainda hoje me refiro a Selena como sendo minha madrinha e por causa dela me sinto sempre na obrigação de receber bem iniciantes e cuidar deles nos seus primeiros passos para dentro do BDSM... e me apresentou Rainha Tara... que me convidou para o seu aniversário... onde conheci Sadic, Perversa, Rainha Lili e tantos outros... e o resto é história.


OS TIPOS

Duas características fazem esse ponto de encontro virtual um lugar único. Por um lado, se pode alcançar o mundo sem sair da comodidade da sua casa ou de uma Lan House. Por outro, se fica protegido pelo anonimato facilitando assim a vida das pessoas mais tímidas.

Um efeito colateral ruim dessa distância e desse anonimato é que servem para proteger e esconder o que existe de pior na raça humana. Trastes em geral existem em todos os nossos círculos de interação humana, mas para o BDSM migram alguns particularmente perigosos. Os Sem noção, sobre os quais falarei mais adiante.

A partir das minhas observações, pude distinguir pelas diferenças de comportamento alguns grupos básicos de pessoas. Mesmo tantos anos depois, e com o advento das novas tecnologias e mídias, tudo continua mais ou menos igual.

Mas antes das dicas é preciso que se reconheçam os tipinhos que frequentam as Salas de Bate-papo (e também o BDSM como um todo). Existem seis grupos principais desses indivíduos e estes são:


1. Os sérios e reais: Esse grupo é formado de pessoas que se conhecem e se frequentam. A maioria se conhece pessoalmente e se respeita.

2. Os virtuais: Pessoas sérias que não aparecem por causa da distância ou motivos pessoais.

3. Os recém chegados (eu entrei por aqui): São pessoas experientes que sempre viveram o seu BDSM de forma particular e que resolvem se aproximar de outros praticantes reais.

4. Os novatos: São pessoas seriamente interessadas em saber o que acontece, como funciona e quem são as pessoas que vivem no Universo BDSM. Leram livros, assistiram a filmes, passaram por situações ou simplesmente chegaram à conclusão que o Universo Baunilha não bastava para prover toda a intensidade e profundidade de prazer que elas almejavam. Entre estes se encontram os que procuram se encontrar, os que sabem bem o que procuram e os que não procuram nada, apenas se sentem à vontade com a verdade inerente a ser BDSM.

5. Paraquedistas: Entre eles estão os que entram nisso por engano, não entendem o que acontece e nem como funciona. A maioria vem procurar sexo fácil e colide com a realidade que no BDSM o sexo é muito difícil.

6. Os Sem noção (Trastes reais e virtuais): Estes merecem um capítulo só para eles.

Estes simplesmente não deveriam frequentar nem a sala BDSM nem o meio. Estão pelos motivos errados ou têm problemas psicológicos em algum nível. São os responsáveis por todo o desequilíbrio e coisas ruins que acontecem na sala e invariavelmente, no meio BDSM.

Sem-noção

O Sem-noção - Essa figura tem um pouco dos outros em maior ou menor grau. De certa forma todos são pessoas sem uma noção completa do que é o Universo BDSM em toda a sua grandeza, leveza e beleza. E por essa falta compreensão, não admitem nem para si mesmos que estão no lugar errado e teimam em permanecer no BDSM.

Todos esses tem algumas coisas em comum. São pessoas com intelecto fraco, com sérios problemas de autoestima, auto afirmação e insegurança, não são mentalmente atraentes e em sua maioria tem algum tipo de desequilíbrio mental.

Aqui vou me concentrar mais nos tipos deixando para falar mais profundamente sobre os "Sem noção" em outra oportunidade. 

Estes tipinhos que ainda circulam podem ser detectados a partir de seu comportamento. Alguns se situam em um tipo específico de comportamento, mas a maioria combina mais de um e às vezes vários desses comportamentos.

Entre eles posso citar:

Caçador de Sexo fácil - Os homens são a maioria neste grupo e é formado por jovens afoitos, maduros sufocados pela relação ou que acabaram de sair de relações. Os homens são maioria, mas existe uma quantidade significativa de mulheres nesse grupo.

Alices - Em referência a personagem da fábula "Alice no país das maravilhas", esta é a que chega ao BDSM presumindo que vai encontrar um mundo perfeito, o príncipe encantado e a solução dos seus problemas. Traz consigo os valores do mundo baunilha e invariavelmente se machuca. Se machuca menos,” quando encontra um "sem noção”.

Proto-dominantes - (ou crianças que pensam que são adultas) - Meninos e meninas que até tem potencial para se tornarem bons Dominantes no futuro, mas sem a maturidade e estrada percorridas necessárias, se colocam como Dominantes invariavelmente metendo os pés pelas mãos. Suas barbeiragens ocorrem por falta de experiência e/ou despreparo para lidar com o poder.

O Invejoso - (ou Parasita da felicidade alheia) Indivíduo que simplesmente não suporta a existência de alguém que é o que ele não consegue, mas queria muito ser. Para resumir, basta existir felicidade, paz, equilíbrio de um lado, que a pessoa sem isso vai se corroer por dentro por não ter isso para si mesma.

O Sabotador - Este é o invejoso em versão 2.0, ou seja, é o que sai do estado da inveja pura e simples para assumir uma atitude proativa no sentido de destruir a felicidade do alvo, atuando no sentido de sabotar, nos outros, o que não tem para si.

O Ator - Este é particularmente perigoso, porque tem guardadas dentro de si um conjunto de mágoas e problemas psicológicos. Ele é o tipo que cria um personagem e fica tentando interpretar. Existindo tanto no virtual quanto o real, se veste de preto, faz cara de mau, fala grosso e é um estudioso das liturgias alheiras. Posa de sabe-tudo, mas não escreve nada. Seu ataque insidioso não se esconde no anonimato e sim na ação reservada. 

Todos esses têm algumas características em comum. São pessoas com intelecto fraco, com sérios problemas de autoestima, auto afirmação e insegurança, não são mentalmente atraentes e em sua maioria tem algum tipo de desequilíbrio mental.


DICAS

Dito tudo isso, vamos às dicas, para o caso de você querer entender ou entrar em Sala, grupo ou mesmo no Universo BDSM. 

As dicas que seguem agora, servem para os que estão chegando ao BDSM, seja pelas Salas de Bate-papo, grupos, comunidades, indicação de amigos, sites de relacionamento ou qualquer outro meio. Estas são baseadas em toda a minha vivência, erros e acertos (muito mais pelos erros). E tem por objetivo, melhorar a convivência e a experiência que esses meios podem promover. Algumas são genéricas e de utilidade pública, outras bem específicas.

Ao chegar, fique na defensiva. Entenda, nessas salas e no meio BDSM como um todo, as pessoas boas são reais e se conhecem pessoalmente, então vale aqui as regrinhas básicas daquela educação que vem do berço. Seja uma pessoa educada, humilde e respeitosa em relação aos veteranos para ser levado a sério como um iniciante firme no propósito de participar desse meio.

Faça amizades, crie vínculos e seja real. Tenha um nome (nickname) próprio, e não um nome genérico simplesmente descritivo. Além de ter a oportunidade de ser conhecido por um nome que escolheu não pelo de batismo, os "reais" gostam de saber com quem falam. Amizade, respeito, confiança e reputação só podem ser construídas com tempo, ideias correspondendo aos fatos e com uma história comum escrita pelas partes, logo a lógica, de se construir isso em cima de um nome que não muda.

Não use o seu nome real ou seu número de celular principal, a não ser que expor a sua vida pessoal e uma maneira direta de contato para estranhos (com alguma chance de serem perigosos) terem acesso a você, não seja um problema. Ignorar essa dica é algo similar a uma brincadeira chamada "Roleta Russa". Lembre com o seu nome o estranho acessa o seu perfil do Facebook e pelo número de celular ele acessa a você diretamente.

Ainda nisso de se identificar e jogar Roleta Russa, não mostre seu rosto ou qualquer outro detalhe que possa lhe identificar positivamente nas fotos que divulga publicamente. Existe no Google um recurso de busca por imagem que pode te reconhecer.

Abra sua mente para uma nova realidade e para todo um conjunto novo de informações. Estude, leia, pesquise, debata e pergunte. Muito pouco dos valores que vai trazer das relações baunilha vão ser aproveitados e tenha em mente que este aprendizado nunca vai parar.

Não tenha pressa, capriche nas escolhas e use sempre o bom senso antes de qualquer passo ou decisão. A parte que realmente é importante desse aprendizado baunilha e que a maioria estranhamente esquece, está justamente na questão dos cuidados com a escolha de quem vai ficar por perto. 

Isso de escolher quem ficará por perto é algo que começamos a exercitar logo cedo em nossas vidas e que vamos aprimorando com o tempo a partir dos erros e acertos. Não sei bem a razão, o que mais se vê é todo esse aprendizado sendo literalmente ignorado quando a pessoa começa a interagir dentro do BDSM. 

Não se precipite, nunca. Não acredite em tudo o que te falam de imediato. Cheque as informações e pense se fazem sentido. Não aceite encontros sem ser em locais públicos e não esqueça que você vai estar, no caso de parte que se submete, entregando a sua segurança na mão de outra pessoa. Também no caso de quem se submete, verifique a reputação do seu pretenso parceiro e tenha absoluta certeza do que vai fazer. 

Para quem quer um relacionamento, não se deve perder a perspectiva que o BDSM é como um grande Parque de Diversões de adultos. Parques não são os melhores lugares para se procurar por relacionamentos, afinal de contas as pessoas que frequentam parques não vão lá para isso. Vão para se divertir e para viver experiências de prazer intenso.

Calma, apenas disse que não é para se procurar, pois essa procura termina sempre em frustração. Entre sem esse compromisso, divirta-se, e se tiver que acontecer, você vai acabar encontrando o amor da sua vida... e com sorte, alguém que goste de brincar no mesmo Parque de Diversões que você.

Existem outros procedimentos, mas esses que citei são os básicos para um bom começo.

No meu caso específico, divido as pessoas em dois grupos. As que eu me importo, mantenho por perto e cuido. E o resto, a quem sou indiferente. Recomendo esse tipo de comportamento pelo simples fato de que odiar consome muita energia boa. 

Os Sem noção, pela sua própria abundância, vão cruzar o seu caminho muitas vezes e em algumas delas, vão te atacar. Nessa hora o que funciona mais é ignorar e bloquear.

Eles nunca vão deixar de se incomodar com a existência de verdade e felicidade. Cabe aos verdadeiros e felizes não se deixarem afetar... e acredite a melhor arma contra um sem noção é apenas ser feliz.


GLADIUS MAXIMUS




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16 comentários:

  1. Anônimo17.5.16

    Muito bom texto Senhor .. explicou muito bem a realidade dos grupos

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  2. Anônimo17.5.16

    Não passei pelas salas e grupos de bate papo e ng me indicou, pesquisei e pesquiso bastante , mais no momento que o encontrei , descobri que meu mundo perfeito ficaria abalado e q o Senhor é a pessoa certa, e ser aceita como sua aluna é o meu melhor e mais precioso caminho. Obrigada Mestre. Saudades. Sua Aluna

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  3. Ótimo post, muito esclarecedor.
    Deixo cumprimentos Respeitosos.

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  4. Anônimo26.5.16

    Como eu sempre digo...perfeito em suas colocações!

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  5. Anônimo6.6.16

    Muito bom texto. Lúcido e coerente, faço minhas as vossas palavras. Um detalhe: no parágrafo do Sem-noção, os dois primeiros parágrafos foram repetidos no final do mesmo adendo sobre esse tipo. Saudações.

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  6. 2 perguntas:
    1- como checar as informacaoes de um dominador em potencial?
    2- o senhor esta aceitando alunas? (Hehe)

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    Respostas
    1. Respondendo:

      1- como checar as informações de um dominador em potencial?

      Em uma relação de trabalho o pretendente a uma vaga apresenta currículo, portfólio, histórico. Mas isso tudo e até o fato de ser um excelente profissional não garante que este profissional vai ser o que a empresa precisa.

      No caso de um Dominador, como no meio BDSM não existem currículos ou portfólios, o que resta é o esforço em checar a verdade sobre o indivíduo através da sua reputação (histórico).

      Então, fazer amizade com o máximo de pessoas que conseguir e através delas buscar saber sobre a "história" do seu "Dominador em potencial" é a atitude inicial mais inteligente.

      Neste caso, a importância do "máximo de pessoas" se dá pela simples razão de que mesmo um indivíduo com boa reputação, eventualmente vai ter um grupo da oposição sistemática para arruiná-la. Resumindo, quanto melhor a reputação, maior será o grupo que tentará sujar essa reputação.

      Levante todas as informações que puder antes de marcar o primeiro café, não tenha pressa e mantenha sempre o seu bom senso a frente de qualquer decisão. Ler textos para iniciantes ajuda muito no processo e pesquisar profundamente sobre o universo BDSM ajuda mais ainda.


      2- o senhor esta aceitando alunas?

      Mantenho um serviço de Coaching, Cursos, Workshops, Palestras e Treinamento desde 2009. Comecei no momento que alguns leitores do Blog queriam ir além do que os textos podiam levar.

      Ainda mantenho este serviço e não tenho maiores restrições para aceitar alunos e alunas para aulas de nível básico. Para os níveis intermediário e avançado, já existe um processo de seleção sério e minucioso.

      Para saber mais sobre isso, siga este link:

      http://www.gladiusbdsm.com/p/consultoria_16.html

      E se quiser falar diretamente comigo, pode utilizar o Messenger do meu perfil pessoal:

      https://www.facebook.com/mastergladiusmaximus

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  7. Me descobri submissa há uns seis anos, ou melhor, penso que sempre soube que era, mas talvez a oportunidade de adentrar esse universo só tenha surgido a esse tempo. E foi por uma sala de bate-papo. Sempre tive muito receio, pois sempre prezei (e prezo) muito pela minha segurança.
    Agora, ao descobrir seu blog e ler esta postagem em especial me remeto aos cuidados que sempre tomei e vejo como essas dicas são valiosas para quem quer fazer parte desse mundo delicioso.
    Parabéns pelo texto! Parabéns pelo blog! Tenho pesquisado muito e confesso que fiquei encantada com sua maneira clara e coerente de colocar as coisas como elas são. A partir de então, seguidora de suas postagens!
    Ao Sr. o meu respeito

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    1. Feliz aqui por ter gostado do Blog e da minha maneira de escrever. Mais ainda por merecer o seu respeito. :)

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  8. Anônimo19.6.16

    Olá, boa noite
    Muito interessante o texto, obrigado.
    Eu estou estudando bastante a respeito e me iniciando nisto que eu considero uma arte.Tenho bastante dificuldade em achar pessoas de mente aberta para o assunto. Uma curiosidade, talvez até um chute, qual a proporção de dominadores e submissos?
    Outra duvida, vejo muito material onde os dominadores não usam o próprio pênis, essa é regra geral? (Entenda regra como algo mais "comum")

    Ah, sou de personalidade dominadora e acho que curto uma pegada sádica mesmo, estou aprendendo no auge dos meus 29 anos (risos), uma hora viro mestre tbm :)
    Mais uma vez obrigado por proporcionar este espaço!

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    Respostas
    1. Feliz aqui que tenha gostado do texto. Essa sua dificuldade em encontrar pessoas de mente aberta de um modo geral já difícil... imagine só para este assunto aqui. :)

      Brincadeiras a parte, falta gente de valor... com conteúdo... com consistência... e isso não apenas no BDSM.

      Sobre a sua dúvida em relação ao proporção de submissos e Dominadores... algo em torno de 1 pessoa Dominante para um número "quenemconsigodimensionardetãogrande" de submissos.

      Talvez seja pelo fato de que o processo da formação de um submisso é algo mais fácil do que o da formação de um Dominante. A lógica é a mesma da diferença da formação de um aluno aluno para a de um professor.

      Para ser um bom aluno, basta que a pessoa tenha um bom berço e também a firmeza de propósito em aprender. Para ser um bom professor, é necessário ter sido um bom aluno, se "formar" na matéria que vai lecionar e depois disso... ensinar.

      Só uma longa vida ensinando, pode transformar um recém formado em um professor. Pode, mas não garante, pois existe ainda a questão de ter talento e depois de tudo isso, o encontro do Professor com o aluno, pois um professor nunca vai ser melhor professor para todos.

      Quanto a questão do uso do pênis, não existem regras. No BDSM as "regras" estão nos fundamentos, entre eles, Hierarquia, verdade, sanidade, segurança e consensualidade.

      Além disso estão as coisas que servem para enfatizar a diferença de poder que alimenta a relação BDSM, sendo algumas bem particulares.

      O uso sexual é apenas um dos usos que um Dominante pode fazer da pessoa que se submete a ele... para mim, nem é a mais interessante. Usar ou não o "próprio pênis" para usar a sua posse é uma escolha exclusiva do Dominante.

      A personalidade Dominante é essencial para a formação de um Dominador, ou seja, tem que ter jeito para coisa. Mas isso não transforma o pretendente em um Dominador.... quanto mais em um Mestre.

      Se entender que é uma longa estrada (na verdade sem fim) de estudos, erros e acertos, que vão te aprimorando e sofisticando ao, longo do tempo, com certeza em algum momento vai acumular consistência para se considerar um Dominador.

      Excluir
  9. Muito interessante. Gostaria de conhecer as comunidades que existem por curiosidade.

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    Respostas
    1. Essa é a parte fácil.

      Crie um perfil específico para o BDSM no Facebook ou mesmo no FelLife, adicionando algumas pessoas, participe de grupos e siga FanPages.

      Em algum momento vai conseguir identificar onde se agrupam, tanto em reuniões fechadas quanto em festas temáticas abertas.

      A maior dificuldade é identificar quem é quem, separando o que realmente vale a pena de todo o resto.

      No mais fica a decisão de participar ou de apenas observar.

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  10. Anônimo10.9.16

    Estou conhecendo agora o blog,encontrei algumas respostas por aqui e estou bastante agradecida
    Maneira clara de elucidar as questõe.
    Sou iniciante e locais assim sempre são ótimos para estudos e enriquecimento.
    Obrigada

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  11. Anastácia10.3.17

    Li o seu texto e acredito que às experiências devem nos servir de lição. Acredito que podemos conhecer pessoas sérias e reais sim neste universo.

    Não podemos desistir de sermos felizes.

    Não importa ser inciante mas a seriedade é imprescindível de ambas às partes.

    Obrigada

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