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21.2.16

Dominador - O melhor e o pior

Então eu ouvi:

- O Dominador é o que há de melhor... E de pior... Ao mesmo tempo.

Dentre todas as coisas que já tinha ouvido, esta em especial me chamou a atenção, pois não se tratava nem de um elogio e nem de uma crítica. Numa frase, duas palavras que se neutralizavam.

Entendo de dualidade, de polos, de momentos e de fases. Ordem e caos se alternando de forma cíclica e não regular. Mas essa descrição de dois polos extremos e simultâneos ficou atravessada no cérebro.

Não sei se foi elogio ou crítica, mas quem me disse isso o fez em um momento de alta intensidade e verdade.


E me lembrei de um texto antigo, chamado “O Universo e o Parque”, onde na época comparei de forma metafórica o Universo BDSM a um Parque de Diversões.

Lá eu disse:

“Acho que o BDSM é, por uma visão simplista, um Parque de Diversões para adultos. De fato, é um lugar onde podemos e devemos viver a nossa verdadeira natureza em sua plenitude, o que no fim é muito divertido. E vale qualquer coisa para qualquer gênero, combinações de gêneros e quantidade de participantes. Se for divertido e satisfatório para todos, é válido.”

E mais:

“Essa é a melhor perspectiva do assunto que encontrei, vendo o BDSM como um parque onde as pessoas são os brinquedos, umas das outras. Um lugar perfeito para, por um pequeno lapso de tempo, se viver de acordo com a própria natureza.”

Nessa parte falo, sem me aprofundar muito, que as pessoas são os brinquedos do Parque, e foi onde encontrei o que significava o Dominador ser o melhor e o pior ao mesmo tempo.

Exatamente no brinquedo mais emblemático do parque, que é a Montanha Russa, essa descrição se acomoda perfeitamente. O Dominante no BDSM é a Montanha Russa. Examinando passo a passo e de forma comparativa o que acontece, isso se comprova do início ao fim.

O “barato” desse brinquedo já começa na viagem ao Parque e quanto mais à hora do brinquedo se aproxima, a mistura e a expectativa com a ansiedade vão aumentando de forma exponencial, fazendo com que o tempo passe mais devagar.

Na fila, o coração já está quase na boca e, ver a aflição dos outros à sua frente e o efeito dos que estão dentro e saindo do brinquedo, não alivia em nada a ansiedade.

Quando está cara a cara, olhando para o carrinho, dá uma enorme saudade de casa e uma estranha vontade de sair correndo. Dentro do carrinho, seu lugar está à sua espera. Frio e definitivo.

E nesse ponto, você toma a decisão de ir em frente e cruza o último limiar de segurança. 

Depois de alguns passos, você já está acomodado na cadeira fria, que abraça o corpo no momento em que barras de metal descem na direção de seu peito… E pronto… O movimento começa e não tem mais volta.

Não se têm mais controle sobre o que vem pela frente e começa aquela lenta e interminável primeira subida.

Ouvimos metal estalando, cortando um silêncio ensurdecedor, enquanto somos puxados para o primeiro e maior precipício.

Quando no topo, o tempo para por alguns instantes… E a pista à nossa frente some…

E de maneira violenta, o abismo se apresenta e o fato de que não se bate no fundo deste, não alivia em nada a tensão.

O fundo é o início do caos, onde nos colocamos por livre e espontânea vontade. Onde começa a parte do passeio mais intensa, na qual o corpo é levado aos limites do estresse.

Curvas fechadas, para um lado e para o outro… Voltas e mais voltas, que prendem mais ainda o corpo ao assento…  E mais precipícios… Tudo de forma inesperada.

E, num piscar de olhos, o carro para… O coração ainda disparado… Corpo e mente amortecidos… As barras se recolhem… O corpo fica solto.

Ao sair, cambaleamos e perdemos o senso de direção momentaneamente… E cambaleando, saímos do brinquedo, atordoados, mas agora sabendo exatamente o que aqueles que foram antes sentiram.

A sensação é estranha, mas a compulsão é forte demais… Voltamos para a fila, para ir outra vez.

Pensando nisso, a conclusão é a de que o Dominante é a Montanha Russa do Parque… E da vida… Só que é uma montanha russa diferente a cada volta.

Ele conduz sem forçar, ele força sem tocar e ele aprisiona sem prisão, levando a quem se atreve a segui-lo por novos e misteriosos caminhos do prazer, transformando, despindo, e trazendo à tona a verdade mais secreta de cada um.

Como um catalisador, é capaz de causar grandes mudanças e reações nas pessoas à sua volta. Amor, ódio, admiração, inveja... Sempre nos extremos dos sentimentos, não passa despercebido por onde quer que ande… Ninguém fica indiferente a um Dominante.

A sensação que o verdadeiro Dominante transmite é a de um misto de intimidação e segurança, dando a quem o orbita de perto a certeza de que vai sair ileso no final desse passeio intenso.

E o passeio? 

Fica cada vez melhor… 

E pior.


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10 comentários:

  1. Perfeita colocação... e São esses dois extremos que me fascina no dominador...E no BDSM. Extrair o melhor e o pior. Para a realização de ambos. Parabéns pelo texto.

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  2. Anônimo23.2.16

    Obrigada por dividir conosco tão profundos sentimentos.Estou no Instagram rsrs

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    1. Agora também estou...

      @master_gladius_maximus

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    2. Anônimo29.3.16

      Perfeito rsrs

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  3. Nossa.
    É assim mesmo.
    Um misto de sentimentos.
    E a gente sempre quer mais e mais.

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  4. Anônimo23.3.16

    A cada dia mais e mais interessada no assunto. Porém....

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    1. Não enbendi o porém...

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    2. Podia pelo menos ser clara (o), difícil qdo se é anônima (o).

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  5. Anônimo11.3.17

    Maravilhoso texto...eu como uma sub, me vi a todo momento lendo a cada linha, no entanto é um parque perigoso com altos e baixos somente para os que querem a entrega total de corpo alma e mente conseguem entrar neste belo carrinho e degustar cada movimento q ele faz...ms para mim o degustação de mim mesma de se descobrir a cada curva é simplesmente mágico e único!!!

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Blog sobre Dominação, submissão, comportamento, relacionamentos, sexualidade e estilo de vida BDSM.

*** Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

*** Quando falo de Dominadores, submissas e relações... vale para todos os gêneros e combinações. O que importa em uma relação BDSM é a posição hierárquica da parte (dominante ou submissa).

F.A.Q.

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Criei este blog com o objetivo de compartilhar a minha jornada como Dominador e ajudar outras pessoas que estão em busca de autoco...

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