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23.6.11

Mestres no BDSM

No dicionário o termo Mestre é um sinônimo de catedrático, professor e mentor. No BDSM, pelo menos em grande parte dos círculos, existem diferenças. Enquanto o Mestre seria aquele que ensina interagindo de forma física (sem relação de Posse), o Mentor teria simplesmente a função de transmitir informações.

Sendo assim, Master é a maneira com um Dominante é tratado e quem tiver a curiosidade sobre, pode rever um dos episódios originais de “Jeannie é um Gênio” (I Dream of Jeannie), onde  “Master” foi utilizado nos Estados Unidos no sentido de “Amo”. 

Pessoalmente, gosto deste tratamento quando a referência é feita ao Dominador. A maioria me trata por “Senhor”, outros por Mestre, no sentido de Master. Dessa forma, Master Gladius tem o mesmo peso de “Dom Gladius” ou “Senhor Gladius”. Mestre já daria uma conotação a ser Mestre em algo, e como não fiz mestrado em nada, não uso e nem estimulo que usem em relação a mim.

A questão do conhecimento em si é algo bem interessante de se comentar. Acredito que o ser humano só passou para o estágio de civilização a partir do advento da escrita, que possibilitou o registro e a difusão do conhecimento até então adquirido, algo muito mais eficiente que o velho boca a boca.

Mas voltando a questão... O que faz alguém Mestre em algo?

Em seu primeiro significado no Dicionário Houaiss, Mestre, substantivo masculino, é pessoa dotada de excepcional saber, competência, talento em qualquer ciência ou arte.

O ponto interessante é saber quem define o quanto de saber, competência e talento um indivíduo tem que ter para ser chamado de Mestre.

Convenções... estamos cercados por elas. Encontramos convenções em quase tudo a nossa volta. Costumes, leis, idioma, cores, nomes de coisas e pessoas... tudo isso foi objeto de convenção em determinado momento por um grupo de pessoas. Como aquele bicho simpático e melhor amigo do homem, que por convenção, é conhecido aqui como “cão” ou “cachorro”, enquanto em outros lugares leva o nome de “dog”, “perro”, entre outros... algo que não faz dele mais ou menos canídeo do que é.

Acontece algo similar com o conhecimento. Grupos convencionam entre si que uma pessoa deve ter quantidade X de conhecimento para alcançar a qualificação necessária para atuar nesta ou naquela função. Por exemplo, para ser médico você tem que ter o conhecimento e o controle de variadas técnicas e informações (o que demanda alguns anos entre faculdade e residência) antes de poder exercer de forma plena suas atividades. Mas isso levou muito tempo para ser consolidado... Um médico da Roma antiga não tinha que absorver o mesmo conteúdo pedagógico de alguém que exerce hoje a Medicina. E este, por sua vez, precisará se manter constantemente atualizado diante de novas pesquisas e descobertas que se realizam a cada dia.

Quanto ao Universo BDSM, este é relativamente novo, pois aparece como um efeito colateral da compreensão humana quer originou o Mundo Baunilha. É um dos Universos para onde foram canalizadas todas as partes da natureza humana que foram reprimidas durante o processo de “baunilhização”. 

Sendo assim, é perfeitamente compreensível que ainda não existam informações suficientes, para serem devidamente compiladas e então dominadas por quem quer que seja. Nenhum mestre... nem ao menos um grande conhecedor... e não estou falando apenas do Brasil. E isso ocorre não por falta de ícones ou grandes figuras, mas porque, perto do que existe para ser aprendido, todos nós somos meros desbravadores em uma terra misteriosa.

Nesse sentido, o estágio atual poderia ser comparado ao da época das Grandes Navegações, que foi responsável pelo processo de colonização das Américas. Ou seja, é como se o BDSM fosse uma terra descoberta há pouco mais de 100 anos, quando então era conhecido tão somente como Sadomasoquismo, e que agora conta com pequenos povoados espalhados pelo seu imenso litoral.

É uma metáfora bem eficiente, pois representa exatamente o que acontece... Grupos de vários tamanhos, explorando superficialmente o litoral e vivendo cada qual com uma vaga idéia do que é realmente o interior, mas sem terem de fato desbravado o continente. Com um número reduzido de povoados, a comunicação e a troca de informações entre eles é bastante precária, o que dificulta o seu processo de expansão. Além disso, como tudo é muito recente, ainda não houve tempo hábil para a consolidação dos conhecimentos adquiridos até o momento. 

Portanto, no BDSM não existem Mestres de fato, simplesmente porque ainda não se viu, nem se aprendeu o bastante, para que um grupo de pessoas, entre aqueles que já viram algo além, possa criar um compêndio reunindo o mínimo de conhecimentos necessários para que uma pessoa possa ser considerada como “Iniciante, Intermediário ou Sênior” no BDSM.

Acredito que o conhecimento atual sobre este universo se divida em dois níveis: básico e avançado. O avançado se refere às liturgias e gostos pessoais, que podem ou não agregar muitas pessoas. Já o básico reúne o conhecimento que deve ser comum a todos os habitantes deste Universo e que começa pelo S.S.C. (São, Seguro e Consensual). 

Não existem Mestres, porque não existe um grupo coeso de conhecedores do básico que tenham se reunido para definir o que é realmente necessário para alguém receber tal título, ou seja, tenha o endosso deste grupo para pesquisar e ensinar sobre tal universo. Mesmo assim, isso seria apenas uma convenção, não valendo este título para outros grupos que venham a divergir das teorias desenvolvidas pelo primeiro.

Quem sabe um dia chegaremos a um estado avançado de evolução como a de algumas das áreas do conhecimento humano, que apesar de estarem em franco desenvolvimento, exibem uma base de conhecimentos consolidados e disponíveis para o aprendizado.

De qualquer modo, ainda estamos engatinhando nesse estágio inicial de conhecimento, onde quem possui alguma informação útil busca dividi-la (ou pelo menos deveria) com as pessoas que estão a sua volta, para que possam contribuir o crescimento das atividades desenvolvidas no Universo BDSM.

Todos começamos um dia... todos fomos jovens... e iniciantes. E o primeiro passo para a sabedoria é quando chegamos à conclusão que não sabemos nada perto do que existe para ser aprendido. No fundo, como ninguém sabe tudo, sempre existirá mais de um Mestre em nossas vidas... e como dizem por aí, quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece. A grande verdade é que os Mestres, em geral, têm o sentido de professores... e isso sempre funciona em áreas específicas da nossa vida. 

Se eu ensino a uma pessoa uma receita de churrasco, sou o mestre dela naquele momento e sobre aquele assunto. Se uma escrava é enfermeira e me ensina uma determinada técnica no trato com agulhas e suturas que vai me aprimorar no assunto, ela é minha mestra nesta situação em questão.

No fim, o mais importante na busca pela sabedoria é ser humilde, para entender que todos têm algo a ensinar, e generoso, para dividir o conhecimento acumulado com aqueles que o cercam. 

Um Mestre de verdade é aquele que não precisa intitular-se como tal e é o que está sempre disposto a ensinar o que sabe, mesmo que não seja muito.


GLADIUS MAXIMUS


► Mestres no BDSM




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Um comentário:

  1. Li seu texto hoje pela manhã. Decidi não comentar, antes de pensar bem na questão. Não vivo o BDSM, sou apenas admiradora, como vc bem sabe.
    Então, por esse motivo, leio, pesquiso, vasculho coisas que possam me acrescentar algo!
    Sem rasgação de seda, seu blog é uma exceção. Não tem imagens apelativas, não tem um conteúdo erótico (nem sensual), não tem 'ciladas' que desviem nossa atenção do que é realmente importante, verdadeiro e transparente. Por isso te considero SENHOR, e alguns poucos ( e isso não é certeza ) q leio poraí! Senhor na sensatez, no respeito, na clareza com que expõe sua vivência no meio. Não sei se o fato de já ter cruzado esse olhar pessoalmente me faça enxergar cada frase sua com perfeição, como se você estivesse ao meu lado dizendo tim tim por tim tim!
    Amo...simples assim.
    Beijosss de Bell

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Blog sobre Dominação, submissão, comportamento, relacionamentos, sexualidade e estilo de vida BDSM.

*** Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

*** Quando falo de Dominadores, submissas e relações... vale para todos os gêneros e combinações. O que importa em uma relação BDSM é a posição hierárquica da parte (dominante ou submissa).

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