Devolução de Coleira: o poder do submisso

Ao devolver uma coleira o submisso determina o final de uma relação. Explicita, assim, o poder como representação de sua própria vontade? O poder é paradoxal?

Existe sim escravidão real. E ela acontece de forma bem simples. Com o exercício do poder supremo que um ser tem de, ao ter a posse completa sobre a sua vida, entrega esta posse a outro ser que julgue ser merecedor desta honra e privilégio.


Acredito firmemente que o dominante só existe enquanto existe um submisso para investir poder nele e o manter no “trono” da sua vida. Não adianta ser um Rei, ter sangue azul, estar no troninho, no seu castelinho, em cima da montanha... e não ter um súdito para o seguir. Um Rei não é Rei sem um séquito.

Acho que as relações BDSM são fundamentadas nisso. Uma parte comanda com uma superioridade baseada apenas em hierarquia e a outra se deixa guiar. Uma parte possui e a outra é possuída. Uma parte usa o objeto e a outra é o objeto.

E a relação BDSM não é de mão dupla. Existe apenas o poder que flui do submisso para o dominante e a este, resta apenas merecer.

Ao devolver a coleira o submisso apenas corta o fluxo de poder sobre si que envia ao seu dominante . O Elo é rompido e a relação acaba. Mas acabar com a relação é algo que pode acontecer de qualquer um dos lados, afinal de contas, quando um não quer, dois não brigam.

De fato, o poder não é paradoxal. É algo que apenas emana de forma abstrata do dominante, mas na realidade é apenas um reflexo do poder real que é investido nele pelo submisso.

GLADIUS MAXIMUS


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Devolução de Coleira: o poder do submisso Devolução de Coleira: o poder do submisso Reviewed by GLADIUS MAXIMUS on março 15, 2010 Rating: 5

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