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30.7.08

Consensualidade X "Bonsensualidade"

Mirah em visita fez uma colocação sobre consensualidade no meio de um comentário que me levou a tentar responder de forma resumida. Foi uma tentativa. Então como achei um bom tema para um post vou transcrever a resposta.

Sempre achei o tema interessante, especialmente porque minha pouquíssima experiência registrou maior resistência de empréstimo por parte dos Tops que da parte dos submissos. Acredito que o Consensual deva prevalecer sempre, e que este não é lá um bicho de tantas cabeças. Mas cá entre nós... as opiniões são as mais divergentes.  (Comentário de Mirah no post Empréstimo)



Então... "Bonsensualidade" ao invés de consensualidade

Este foi um dos meus textos que encerraram debates. Fui o último a falar sobre o assunto e depois do que escrevi ninguém mais falou nada. Apenas alguns que manifestaram apoio.

Você tem razão, a resistência maior sempre é dos "Tops". O problema é a falta de Dominadores de verdade ocupando essa posição.

Como é que alguém inseguro quanto a sua posse ou poder pode emprestar algo que não sente que é seu? Alias... como que alguém que não domina de verdade sabe o que é domínio?

Quanto a tal consensualidade, me lembro quando numa conversa de bar com meu amigo Klaus aqui de Santos, eu citei que era contra isso de consensualidade... calma... eu explico... quando a consensualidade é plena, e não se cruzam limites, não se aprende nada, não se experimenta nada.

Acho que deve existir confiança total e bom senso da parte de quem conduz a brincadeira. lembro ter dito ao Klaus que o certo deveria ser "bonsensualidade" ao invés de consensualidade. (E assim a língua portuguesa ganhou uma nova palavra).

Klaus deve ter achado isso interessante, pois foi o tema de sua palestra no último 24/7 no Dominna.

O que deve ser consensual é a confiança entre as partes. Confiança de se deixar conduzir para novos horizontes. Confiança no seu condutor em saber que o que não foi bom, o que foi bom e o que pode ficar ainda melhor.

Um bom Dominador deve ter a liberdade de cruzar limites. Onde e quando achar que sua posse pode cruzar limites. Ele deve ter a sensibilidade de perceber o que e quando fazer e principalmente, quando parar.

De fato a consensualidade pura se encontra no direito inalienável e mútuo de se colocar e se retirar coleiras. A brincadeira começa com o consenso das partes de que confiança plena é essencial e a certeza de que qualquer das partes pode parar o processo.

E ainda existe a figura da safe-word (palavra de segurança). Sobre isso especificamente eu tenho a dizer que não acredito em safe-word total, pois nunca ouvi e nem quero ouvir. Não faz sentido a existência de uma palavra e nem um ato que pare a atividade por completo fazendo com que o submisso não queira mais "brincar".

O que acredito e uso é algo que chamo de safe word parcial, ou seja, uma palavra ou sinal pré combinado que indique que aquela determinada atividade deixou de ser prazerosa. Assim a "brincadeira" não para, apenas muda de rumo.


GLADIUS MAXIMUS



► Consensualidade




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3 comentários:

  1. O que era pra ser somente um comentário, virou um debate interessante...

    Bem Senhor, concordamos que CONFIANÇA é a palavra de ordem, é ela que nos permite uma entrega conscientemente incondicional e que a consensualidade está no direito de por/tirar, receber/devolver a coleira, enfim... as regras desse jogo, me parecem, já estão claras...

    Quanto à safe, tenho uma outra opinião. A palavra de segurança perde o sentido de ser, na medida que os envolvidos vão adquirindo maturidade BDSM e a relação vai tomando formas próprias, ou seja, enquanto os envolvidos estão nos primeiros passos a safe-word é um porto seguro.

    Lembro-me das minhas primeiras sessões com o Senhor ALDO, quando a porta se fechava, minha primeira lembrança era a safe, respirava bem fundo e estava preparada para a entrega.

    Confesso que atualmente apoio-me na confiança que tenho NELE e não na existencia de uma palavra para sentir-me segura, mas reconheço que esta palavra já foi uma arma poderosíssima.

    O Dominador que me usa deve saber a hora de avançar e a hora de parar uma prática, para isso eu me entreguei a ELE, em especial. Se ELE não estiver atento aos meus sinais de fraqueza eu grito a safe...rs e não me contento com uma meia safe, eu quero a garantia de que, se preciso for, eu paro a brincadeira sim.

    A safe é minha, ainda que eu não tenha a intenção de usá-la.

    Flores de {myrah}_ALDO

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  2. Realmente foi muito feliz essa sua colocação e fico feliz por tê-la feito.

    Como vovê percebeu coloquei minha opinião no atual estágio de evolução que atravesso e o que abordei no comentário foi o meu ponto de vista de Dominadors e não o de uma escrava.

    É fato a importância da safe-word como porta de saída de emergência. Funciona como aquela rede que os trapezistas nunca pretendem usar, mas que se sente a vontade para "voar" mais só pelo fato de saber que ela está lá embaixo.

    No fim, safe word é safe word, e o fato dela existir que permite ao escravo iniciante e mesmo aos mais experientes "um vôo mais alto".

    G.M.

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Blog sobre Dominação, submissão, comportamento, relacionamentos, sexualidade e estilo de vida BDSM.

*** Dominador puro e natural, habitante do Universo BDSM 24/7, cara de mau, mão pesada, bem-humorado para poucos e como John Wayne... Feio, forte e formal.

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